Leitura em Dois Anos

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6.tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora;
7.tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar;
8.tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.
O homem não conhece o seu tempo determinado
9.Que proveito tem o trabalhador naquilo com que se afadiga?
10.Vi o trabalho que Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir.
11.Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.
12.Sei que nada há melhor para o homem do que regozijar-se e levar vida regalada;
13.e também que é dom de Deus que possa o homem comer, beber e desfrutar o bem de todo o seu trabalho.
14.Sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe pode acrescentar e nada lhe tirar; e isto faz Deus para que os homens temam diante dele.
15.O que é já foi, e o que há de ser também já foi; Deus fará renovar-se o que se passou.
Semelhança aparente na morte entre homens e animais
16.Vi ainda debaixo do sol que no lugar do juízo reinava a maldade e no lugar da justiça, maldade ainda.
17.Então, disse comigo: Deus julgará o justo e o perverso; pois há tempo para todo propósito e para toda obra.
18.Disse ainda comigo: é por causa dos filhos dos homens, para que Deus os prove, e eles vejam que são em si mesmos como os animais.
19.Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade.
20.Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão.
21.Quem sabe se o fôlego de vida dos filhos dos homens se dirige para cima e o dos animais para baixo, para a terra?
22.Pelo que vi não haver coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua recompensa; quem o fará voltar para ver o que será depois dele?
As tribulações da vida
1.Vi ainda todas as opressões que se fazem debaixo do sol: vi as lágrimas dos que foram oprimidos, sem que ninguém os consolasse; vi a violência na mão dos opressores, sem que ninguém consolasse os oprimidos.
2.Pelo que tenho por mais felizes os que já morreram, mais do que os que ainda vivem;
3.porém mais que uns e outros tenho por feliz aquele que ainda não nasceu e não viu as más obras que se fazem debaixo do sol.
4.Então, vi que todo trabalho e toda destreza em obras provêm da inveja do homem contra o seu próximo. Também isto é vaidade e correr atrás do vento.
5.O tolo cruza os braços e come a própria carne, dizendo:
6.Melhor é um punhado de descanso do que ambas as mãos cheias de trabalho e correr atrás do vento.
7.Então, considerei outra vaidade debaixo do sol,
8.isto é, um homem sem ninguém, não tem filho nem irmã; contudo, não cessa de trabalhar, e seus olhos não se fartam de riquezas; e não diz: Para quem trabalho eu, se nego à minha alma os bens da vida? Também isto é vaidade e enfadonho trabalho.
9.Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.
10.Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante.
11.Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará?
12.Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.
13.Melhor é o jovem pobre e sábio do que o rei velho e insensato, que já não se deixa admoestar,
14.ainda que aquele saia do cárcere para reinar ou nasça pobre no reino deste.
15.Vi todos os viventes que andam debaixo do sol com o jovem sucessor, que ficará em lugar do rei.
16.Era sem conta todo o povo que ele dominava; tampouco os que virão depois se hão de regozijar nele. Na verdade, que também isto é vaidade e correr atrás do vento.
A loucura de votos precipitados
1.Guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal.
2.Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras.
3.Porque dos muitos trabalhos vêm os sonhos, e do muito falar, palavras néscias.
4.Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes.
5.Melhor é que não votes do que votes e não cumpras.
6.Não consintas que a tua boca te faça culpado, nem digas diante do mensageiro de Deus que foi inadvertência; por que razão se iraria Deus por causa da tua palavra, a ponto de destruir as obras das tuas mãos?
7.Porque, como na multidão dos sonhos há vaidade, assim também, nas muitas palavras; tu, porém, teme a Deus.
A vaidade das riquezas
8.Se vires em alguma província opressão de pobres e o roubo em lugar do direito e da justiça, não te maravilhes de semelhante caso; porque o que está alto tem acima de si outro mais alto que o explora, e sobre estes há ainda outros mais elevados que também exploram.
9.O proveito da terra é para todos; até o rei se serve do campo.
10.Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade.
11.Onde os bens se multiplicam, também se multiplicam os que deles comem; que mais proveito, pois, têm os seus donos do que os verem com seus olhos?
12.Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco, quer muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir.
Almeida Revista e Atualizada, ARA © Copyright 1993
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