3.Porque o ouvido prova as palavras, como o paladar, a comida.
4.O que é direito escolhamos para nós; conheçamos entre nós o que é bom.
5.Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito.
6.Apesar do meu direito, sou tido por mentiroso; a minha ferida é incurável, sem que haja pecado em mim.
7.Que homem há como Jó, que bebe a zombaria como água?
8.E anda em companhia dos que praticam a iniqüidade e caminha com homens perversos?
9.Pois disse: De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.
10.Pelo que vós, homens sensatos, escutai-me: longe de Deus o praticar ele a perversidade, e do Todo-Poderoso o cometer injustiça.
11.Pois retribui ao homem segundo as suas obras e faz que a cada um toque segundo o seu caminho.
12.Na verdade, Deus não procede maliciosamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo.
13.Quem lhe entregou o governo da terra? Quem lhe confiou o universo?
14.Se Deus pensasse apenas em si mesmo e para si recolhesse o seu espírito e o seu sopro,
15.toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó.
16.Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos ao som das minhas palavras.
17.Acaso, governaria o que aborrecesse o direito? E quererás tu condenar aquele que é justo e poderoso?
18.Dir-se-á a um rei: Oh! Vil? Ou aos príncipes: Oh! Perversos?
19.Quanto menos àquele que não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima ao rico mais do que ao pobre; porque todos são obra de suas mãos.
20.De repente, morrem; à meia-noite, os povos são perturbados e passam, e os poderosos são tomados por força invisível.
21.Os olhos de Deus estão sobre os caminhos do homem e vêem todos os seus passos.
22.Não há trevas nem sombra assaz profunda, onde se escondam os que praticam a iniqüidade.
23.Pois Deus não precisa observar por muito tempo o homem antes de o fazer ir a juízo perante ele.
24.Quebranta os fortes, sem os inquirir, e põe outros em seu lugar.
25.Ele conhece, pois, as suas obras; de noite, os transtorna, e ficam moídos.
26.Ele os fere como a perversos, à vista de todos;
27.porque dele se desviaram, e não quiseram compreender nenhum de seus caminhos,
28.e, assim, fizeram que o clamor do pobre subisse até Deus, e este ouviu o lamento dos aflitos.
29.Se ele aquietar-se, quem o condenará? Se encobrir o rosto, quem o poderá contemplar, seja um povo, seja um homem?
30.Para que o ímpio não reine, e não haja quem iluda o povo.
31.Se alguém diz a Deus: Sofri, não pecarei mais;
32.o que não vejo, ensina-mo tu; se cometi injustiça, jamais a tornarei a praticar,
33.acaso, deve ele recompensar-te segundo tu queres ou não queres? Acaso, deve ele dizer-te: Escolhe tu, e não eu; declara o que sabes, fala?
34.Os homens sensatos dir-me-ão, dir-me-á o sábio que me ouve:
35.Jó falou sem conhecimento, e nas suas palavras não há sabedoria.
36.Tomara fosse Jó provado até ao fim, porque ele respondeu como homem de iniqüidade.
37.Pois ao seu pecado acrescenta rebelião, entre nós, com desprezo, bate ele palmas e multiplica as suas palavras contra Deus.
Deus não ouve os aflitos, porque estes não têm fé
2.Achas que é justo dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus?
3.Porque dizes: De que me serviria ela? Que proveito tiraria dela mais do que do meu pecado?
4.Dar-te-ei resposta, a ti e aos teus amigos contigo.
5.Atenta para os céus e vê; contempla as altas nuvens acima de ti.
6.Se pecas, que mal lhe causas tu? Se as tuas transgressões se multiplicam, que lhe fazes?
7.Se és justo, que lhe dás ou que recebe ele da tua mão?
8.A tua impiedade só pode fazer o mal ao homem como tu mesmo; e a tua justiça, dar proveito ao filho do homem.
9.Por causa das muitas opressões, os homens clamam, clamam por socorro contra o braço dos poderosos.
10.Mas ninguém diz: Onde está Deus, que me fez, que inspira canções de louvor durante a noite,
11.que nos ensina mais do que aos animais da terra e nos faz mais sábios do que as aves dos céus?
12.Clamam, porém ele não responde, por causa da arrogância dos maus.
13.Só gritos vazios Deus não ouvirá, nem atentará para eles o Todo-Poderoso.
14.Jó, ainda que dizes que não o vês, a tua causa está diante dele; por isso, espera nele.
15.Mas agora, porque Deus na sua ira não está punindo, nem fazendo muito caso das transgressões,
16.abres a tua boca, com palavras vãs, amontoando frases de ignorante.
No sofrer do homem, Deus lhe visa o bem
1.Prosseguiu Eliú e disse:
2.Mais um pouco de paciência, e te mostrarei que ainda tenho argumentos a favor de Deus.
3.De longe trarei o meu conhecimento e ao meu Criador atribuirei a justiça.
4.Porque, na verdade, as minhas palavras não são falsas; contigo está quem é senhor do assunto.
5.Eis que Deus é mui grande; contudo a ninguém despreza; é grande na força da sua compreensão.
6.Não poupa a vida ao perverso, mas faz justiça aos aflitos.
7.Dos justos não tira os olhos; antes, com os reis, no trono os assenta para sempre, e são exaltados.
8.Se estão presos em grilhões e amarrados com cordas de aflição,
9.ele lhes faz ver as suas obras, as suas transgressões, e que se houveram com soberba.
10.Abre-lhes também os ouvidos para a instrução e manda-lhes que se convertam da iniqüidade.
11.Se o ouvirem e o servirem, acabarão seus dias em felicidade e os seus anos em delícias.
12.Porém, se não o ouvirem, serão traspassados pela lança e morrerão na sua cegueira.
13.Os ímpios de coração amontoam para si a ira; e, agrilhoados por Deus, não clamam por socorro.
14.Perdem a vida na sua mocidade e morrem entre os prostitutos cultuais.
Almeida Revista e Atualizada, ARA © Copyright 1993
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