Leitura em Dois Anos

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35.Tomara eu tivesse quem me ouvisse! Eis aqui a minha defesa assinada! Que o Todo-Poderoso me responda! Que o meu adversário escreva a sua acusação!
36.Por certo que a levaria sobre o meu ombro, atá-la-ia sobre mim como coroa;
37.mostrar-lhe-ia o número dos meus passos; como príncipe me chegaria a ele.
38.Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus sulcos juntamente chorarem;
39.se comi os seus frutos sem tê-la pago devidamente e causei a morte aos seus donos,
40.por trigo me produza cardos, e por cevada, joio. Fim das palavras de Jó.
Eliú irado contra Jó e seus três amigos
1.Cessaram aqueles três homens de responder a Jó no tocante ao se ter ele por justo aos seus próprios olhos.
2.Então, se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão; acendeu-se a sua ira contra Jó, porque este pretendia ser mais justo do que Deus.
3.Também a sua ira se acendeu contra os três amigos, porque, mesmo não achando eles o que responder, condenavam a Jó.
4.Eliú, porém, esperara para falar a Jó, pois eram de mais idade do que ele.
5.Vendo Eliú que já não havia resposta na boca daqueles três homens, a sua ira se acendeu.
Eliú vinga o seu direito de responder a Jó
6.Disse Eliú, filho de Baraquel, o buzita: Eu sou de menos idade, e vós sois idosos; arreceei-me e temi de vos declarar a minha opinião.
7.Dizia eu: Falem os dias, e a multidão dos anos ensine a sabedoria.
8.Na verdade, há um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso o faz sábio.
9.Os de mais idade não é que são os sábios, nem os velhos, os que entendem o que é reto.
10.Pelo que digo: dai-me ouvidos, e também eu declararei a minha opinião.
11.Eis que aguardei as vossas palavras e dei ouvidos às vossas considerações, enquanto, quem sabe, buscáveis o que dizer.
12.Atentando, pois, para vós outros, eis que nenhum de vós houve que refutasse a Jó, nem que respondesse às suas razões.
13.Não vos desculpeis, pois, dizendo: Achamos sabedoria nele; Deus pode vencê-lo, e não o homem.
14.Ora, ele não me dirigiu palavra alguma, nem eu lhe retorquirei com as vossas palavras.
15.Jó, os três estão pasmados, já não respondem, faltam-lhes as palavras.
16.Acaso, devo esperar, pois não falam, estão parados e nada mais respondem?
17.Também eu concorrerei com a minha resposta; declararei a minha opinião.
18.Porque tenho muito que falar, e o meu espírito me constrange.
19.Eis que dentro de mim sou como o vinho, sem respiradouro, como odres novos, prestes a arrebentar-se.
20.Permiti, pois, que eu fale para desafogar-me; abrirei os lábios e responderei.
21.Não farei acepção de pessoas, nem usarei de lisonjas com o homem.
22.Porque não sei lisonjear; em caso contrário, em breve me levaria o meu Criador.
Eliú repreende a Jó
1.Ouve, pois, Jó, as minhas razões e dá ouvidos a todas as minhas palavras.
2.Passo agora a falar, em minha boca fala a língua.
3.As minhas razões provam a sinceridade do meu coração, e os meus lábios proferem o puro saber.
4.O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida.
5.Se podes, contesta-me, dispõe bem as tuas razões perante mim e apresenta-te.
6.Eis que diante de Deus sou como tu és; também eu sou formado do barro.
7.Por isso, não te inspiro terror, nem será pesada sobre ti a minha mão.
8.Na verdade, falaste perante mim, e eu ouvi o som das tuas palavras:
9.Estou limpo, sem transgressão; puro sou e não tenho iniqüidade.
10.Eis que Deus procura pretextos contra mim e me considera como seu inimigo.
11.Põe no tronco os meus pés e observa todas as minhas veredas.
12.Nisto não tens razão, eu te respondo; porque Deus é maior do que o homem.
13.Por que contendes com ele, afirmando que não te dá contas de nenhum dos seus atos?
14.Pelo contrário, Deus fala de um modo, sim, de dois modos, mas o homem não atenta para isso.
15.Em sonho ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, quando adormecem na cama,
16.então, lhes abre os ouvidos e lhes sela a sua instrução,
17.para apartar o homem do seu desígnio e livrá-lo da soberba;
18.para guardar a sua alma da cova e a sua vida de passar pela espada.
19.Também no seu leito é castigado com dores, com incessante contenda nos seus ossos;
20.de modo que a sua vida abomina o pão, e a sua alma, a comida apetecível.
21.A sua carne, que se via, agora desaparece, e os seus ossos, que não se viam, agora se descobrem.
22.A sua alma se vai chegando à cova, e a sua vida, aos portadores da morte.
23.Se com ele houver um anjo intercessor, um dos milhares, para declarar ao homem o que lhe convém,
24.então, Deus terá misericórdia dele e dirá ao anjo: Redime-o, para que não desça à cova; achei resgate.
25.Sua carne se robustecerá com o vigor da sua infância, e ele tornará aos dias da sua juventude.
26.Deveras orará a Deus, que lhe será propício; ele, com júbilo, verá a face de Deus, e este lhe restituirá a sua justiça.
27.Cantará diante dos homens e dirá: Pequei, perverti o direito e não fui punido segundo merecia.
28.Deus redimiu a minha alma de ir para a cova; e a minha vida verá a luz.
29.Eis que tudo isto é obra de Deus, duas e três vezes para com o homem,
30.para reconduzir da cova a sua alma e o alumiar com a luz dos viventes.
31.Escuta, pois, ó Jó, ouve-me; cala-te, e eu falarei.
32.Se tens alguma coisa que dizer, responde-me; fala, porque desejo justificar-te.
33.Se não, escuta-me; cala-te, e ensinar-te-ei a sabedoria.
Eliú justifica a Deus
1.Disse mais Eliú:
2.Ouvi, ó sábios, as minhas razões; vós, instruídos, inclinai os ouvidos para mim.
Almeida Revista e Atualizada, ARA © Copyright 1993
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