Leitura em Dois Anos

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12.Do mandamento de seus lábios nunca me apartei, escondi no meu íntimo as palavras da sua boca.
13.Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem o pode dissuadir? O que ele deseja, isso fará.
14.Pois ele cumprirá o que está ordenado a meu respeito e muitas coisas como estas ainda tem consigo.
15.Por isso, me perturbo perante ele; e, quando o considero, temo-o.
16.Deus é quem me fez desmaiar o coração, e o Todo-Poderoso, quem me perturbou,
17.porque não estou desfalecido por causa das trevas, nem porque a escuridão cobre o meu rosto.
Jó contesta que os perversos muitas vezes não são castigados
1.Por que o Todo-Poderoso não designa tempos de julgamento? E por que os que o conhecem não vêem tais dias?
2.Há os que removem os limites, roubam os rebanhos e os apascentam.
3.Levam do órfão o jumento, da viúva, tomam-lhe o boi.
4.Desviam do caminho aos necessitados, e os pobres da terra todos têm de esconder-se.
5.Como asnos monteses no deserto, saem estes para o seu mister, à procura de presa no campo aberto, como pão para eles e seus filhos.
6.No campo segam o pasto do perverso e lhe rabiscam a vinha.
7.Passam a noite nus por falta de roupa e não têm cobertas contra o frio.
8.Pelas chuvas das montanhas são molhados e, não tendo refúgio, abraçam-se com as rochas.
9.Orfãozinhos são arrancados ao peito, e dos pobres se toma penhor;
10.de modo que estes andam nus, sem roupa, e, famintos, arrastam os molhos.
11.Entre os muros desses perversos espremem o azeite, pisam-lhes o lagar; contudo, padecem sede.
12.Desde as cidades gemem os homens, e a alma dos feridos clama; e, contudo, Deus não tem isso por anormal.
13.Os perversos são inimigos da luz, não conhecem os seus caminhos, nem permanecem nas suas veredas.
14.De madrugada se levanta o homicida, mata ao pobre e ao necessitado, e de noite se torna ladrão.
15.Aguardam o crepúsculo os olhos do adúltero; este diz consigo: Ninguém me reconhecerá; e cobre o rosto.
16.Nas trevas minam as casas, de dia se conservam encerrados, nada querem com a luz.
17.Pois a manhã para todos eles é como sombra de morte; mas os terrores da noite lhes são familiares.
18.Vós dizeis: Os perversos são levados rapidamente na superfície das águas; maldita é a porção dos tais na terra; já não andam pelo caminho das vinhas.
19.A secura e o calor desfazem as águas da neve; assim faz a sepultura aos que pecaram.
20.A mãe se esquecerá deles, os vermes os comerão gostosamente; nunca mais haverá lembrança deles; como árvore será quebrado o injusto,
21.aquele que devora a estéril que não tem filhos e não faz o bem à viúva.
22.Não! Pelo contrário, Deus por sua força prolonga os dias dos valentes; vêem-se eles de pé quando desesperavam da vida.
23.Ele lhes dá descanso, e nisso se estribam; os olhos de Deus estão nos caminhos deles.
24.São exaltados por breve tempo; depois, passam, colhidos como todos os mais; são cortados como as pontas das espigas.
25.Se não é assim, quem me desmentirá e anulará as minhas razões?
Bildade nega que o homem possa justificar-se diante de Deus
1.Então, respondeu Bildade, o suíta:
2.A Deus pertence o domínio e o poder; ele faz reinar a paz nas alturas celestes.
3.Acaso, têm número os seus exércitos? E sobre quem não se levanta a sua luz?
4.Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce de mulher?
5.Eis que até a lua não tem brilho, e as estrelas não são puras aos olhos dele.
6.Quanto menos o homem, que é gusano, e o filho do homem, que é verme!
Jó afirma a soberania de Deus
1.Jó, porém, respondeu:
2.Como sabes ajudar ao que não tem força e prestar socorro ao braço que não tem vigor!
3.Como sabes aconselhar ao que não tem sabedoria e revelar plenitude de verdadeiro conhecimento!
4.Com a ajuda de quem proferes tais palavras? E de quem é o espírito que fala em ti?
5.A alma dos mortos tremem debaixo das águas com seus habitantes.
6.O além está desnudo perante ele, e não há coberta para o abismo.
7.Ele estende o norte sobre o vazio e faz pairar a terra sobre o nada.
8.Prende as águas em densas nuvens, e as nuvens não se rasgam debaixo delas.
9.Encobre a face do seu trono e sobre ele estende a sua nuvem.
10.Traçou um círculo à superfície das águas, até aos confins da luz e das trevas.
11.As colunas do céu tremem e se espantam da sua ameaça.
12.Com a sua força fende o mar e com o seu entendimento abate o adversário.
13.Pelo seu sopro aclara os céus, a sua mão fere o dragão veloz.
14.Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos! Que leve sussurro temos ouvido dele! Mas o trovão do seu poder, quem o entenderá?
Jó descreve a sorte dos perversos
1.Prosseguindo Jó em seu discurso, disse:
2.Tão certo como vive Deus, que me tirou o direito, e o Todo-Poderoso, que amargurou a minha alma,
3.enquanto em mim estiver a minha vida, e o sopro de Deus nos meus narizes,
4.nunca os meus lábios falarão injustiça, nem a minha língua pronunciará engano.
5.Longe de mim que eu vos dê razão! Até que eu expire, nunca afastarei de mim a minha integridade.
6.À minha justiça me apegarei e não a largarei; não me reprova a minha consciência por qualquer dia da minha vida.
7.Seja como o perverso o meu inimigo, e o que se levantar contra mim, como o injusto.
8.Porque qual será a esperança do ímpio, quando lhe for cortada a vida, quando Deus lhe arrancar a alma?
9.Acaso, ouvirá Deus o seu clamor, em lhe sobrevindo a tribulação?
10.Deleitar-se-á o perverso no Todo-Poderoso e invocará a Deus em todo o tempo?
11.Ensinar-vos-ei o que encerra a mão de Deus e não vos ocultarei o que está com o Todo-Poderoso.
Almeida Revista e Atualizada, ARA © Copyright 1993
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