Leitura em Dois Anos

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11.Deixam correr suas crianças, como a um rebanho, e seus filhos saltam de alegria;
12.cantam com tamboril e harpa e alegram-se ao som da flauta.
13.Passam eles os seus dias em prosperidade e em paz descem à sepultura.
14.E são estes os que disseram a Deus: Retira-te de nós! Não desejamos conhecer os teus caminhos.
15.Que é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?
16.Vede, porém, que não provém deles a sua prosperidade; longe de mim o conselho dos perversos!
17.Quantas vezes sucede que se apaga a lâmpada dos perversos? Quantas vezes lhes sobrevém a destruição? Quantas vezes Deus na sua ira lhes reparte dores?
18.Quantas vezes são como a palha diante do vento e como a pragana arrebatada pelo remoinho?
19.Deus, dizeis vós, guarda a iniqüidade do perverso para seus filhos. Mas é a ele que deveria Deus dar o pago, para que o sinta.
20.Seus próprios olhos devem ver a sua ruína, e ele, beber do furor do Todo-Poderoso.
21.Porque depois de morto, cortado já o número dos seus meses, que interessa a ele a sua casa?
22.Acaso, alguém ensinará ciência a Deus, a ele que julga os que estão nos céus?
23.Um morre em pleno vigor, despreocupado e tranqüilo,
24.com seus baldes cheios de leite e fresca a medula dos seus ossos.
25.Outro, ao contrário, morre na amargura do seu coração, não havendo provado do bem.
26.Juntamente jazem no pó, onde os vermes os cobrem.
27.Vede que conheço os vossos pensamentos e os injustos desígnios com que me tratais.
28.Porque direis: Onde está a casa do príncipe, e onde, a tenda em que morava o perverso?
29.Porventura, não tendes interrogado os que viajam? E não considerastes as suas declarações,
30.que o mau é poupado no dia da calamidade, é socorrido no dia do furor?
31.Quem lhe lançará em rosto o seu proceder? Quem lhe dará o pago do que faz?
32.Finalmente, é levado à sepultura, e sobre o seu túmulo se faz vigilância.
33.Os torrões do vale lhe são leves, todos os homens o seguem, assim como não têm número os que foram adiante dele.
34.Como, pois, me consolais em vão? Das vossas respostas só resta falsidade.
Elifaz acusa a Jó de grandes pecados
1.Então, respondeu Elifaz, o temanita:
2.Porventura, será o homem de algum proveito a Deus? Antes, o sábio é só útil a si mesmo.
3.Ou tem o Todo-Poderoso interesse em que sejas justo ou algum lucro em que faças perfeitos os teus caminhos?
4.Ou te repreende pelo teu temor de Deus ou entra contra ti em juízo?
5.Porventura, não é grande a tua malícia, e sem termo, as tuas iniqüidades?
6.Porque sem causa tomaste penhores a teu irmão e aos seminus despojaste das suas roupas.
7.Não deste água a beber ao cansado e ao faminto retiveste o pão.
8.Ao braço forte pertencia a terra, e só os homens favorecidos habitavam nela.
9.As viúvas despediste de mãos vazias, e os braços dos órfãos foram quebrados.
10.Por isso, estás cercado de laços, e repentino pavor te conturba
11.ou trevas, em que nada vês; e águas transbordantes te cobrem.
12.Porventura, não está Deus nas alturas do céu? Olha para as estrelas mais altas. Que altura!
13.E dizes: Que sabe Deus? Acaso, poderá ele julgar através de densa escuridão?
14.Grossas nuvens o encobrem, de modo que não pode ver; ele passeia pela abóbada do céu.
15.Queres seguir a rota antiga, que os homens iníquos pisaram?
16.Estes foram arrebatados antes do tempo; o seu fundamento, uma torrente o arrasta.
17.Diziam a Deus: Retira-te de nós. E: Que pode fazer-nos o Todo-Poderoso?
18.Contudo, ele enchera de bens as suas casas. Longe de mim o conselho dos perversos!
19.Os justos o vêem e se alegram, e o inocente escarnece deles,
20.dizendo: Na verdade, os nossos adversários foram destruídos, e o fogo consumiu o resto deles.
21.Reconcilia-te, pois, com ele e tem paz, e assim te sobrevirá o bem.
22.Aceita, peço-te, a instrução que profere e põe as suas palavras no teu coração.
23.Se te converteres ao Todo-Poderoso, serás restabelecido; se afastares a injustiça da tua tenda
24.e deitares ao pó o teu ouro e o ouro de Ofir entre pedras dos ribeiros,
25.então, o Todo-Poderoso será o teu ouro e a tua prata escolhida.
26.Deleitar-te-ás, pois, no Todo-Poderoso e levantarás o rosto para Deus.
27.Orarás a ele, e ele te ouvirá; e pagarás os teus votos.
28.Se projetas alguma coisa, ela te sairá bem, e a luz brilhará em teus caminhos.
29.Se estes descem, então, dirás: Para cima! E Deus salvará o humilde
30.e livrará até ao que não é inocente; sim, será libertado, graças à pureza de tuas mãos.
Jó deseja apresentar-se perante Deus
1.Respondeu, porém, Jó:
2.Ainda hoje a minha queixa é de um revoltado, apesar de a minha mão reprimir o meu gemido.
3.Ah! Se eu soubesse onde o poderia achar! Então, me chegaria ao seu tribunal.
4.Exporia ante ele a minha causa, encheria a minha boca de argumentos.
5.Saberia as palavras que ele me respondesse e entenderia o que me dissesse.
6.Acaso, segundo a grandeza de seu poder, contenderia comigo? Não; antes, me atenderia.
7.Ali, o homem reto pleitearia com ele, e eu me livraria para sempre do meu juiz.
8.Eis que, se me adianto, ali não está; se torno para trás, não o percebo.
9.Se opera à esquerda, não o vejo; esconde-se à direita, e não o diviso.
10.Mas ele sabe o meu caminho; se ele me provasse, sairia eu como o ouro.
11.Os meus pés seguiram as suas pisadas; guardei o seu caminho e não me desviei dele.
Almeida Revista e Atualizada, ARA © Copyright 1993
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