28.habitou em cidades assoladas, em casas em que ninguém devia morar, que estavam destinadas a se fazerem montões de ruínas.
29.Por isso, não se enriquecerá, nem subsistirá a sua fazenda, nem se estenderão seus bens pela terra.
30.Não escapará das trevas; a chama do fogo secará os seus renovos, e ao assopro da boca de Deus será arrebatado.
31.Não confie, pois, na vaidade, enganando-se a si mesmo, porque a vaidade será a sua recompensa.
32.Esta se lhe consumará antes dos seus dias, e o seu ramo não reverdecerá.
33.Sacudirá as suas uvas verdes, como a vide, e deixará cair a sua flor, como a oliveira;
34.pois a companhia dos ímpios será estéril, e o fogo consumirá as tendas de suborno.
35.Concebem a malícia e dão à luz a iniqüidade, pois o seu coração só prepara enganos.
Jó se queixa do trato de Deus
2.Tenho ouvido muitas coisas como estas; todos vós sois consoladores molestos.
3.Porventura, não terão fim essas palavras de vento? Ou que é que te instiga para responderes assim?
4.Eu também poderia falar como vós falais; se a vossa alma estivesse em lugar da minha, eu poderia dirigir-vos um montão de palavras e menear contra vós outros a minha cabeça;
5.poderia fortalecer-vos com as minhas palavras, e a compaixão dos meus lábios abrandaria a vossa dor.
6.Se eu falar, a minha dor não cessa; se me calar, qual é o meu alívio?
7.Na verdade, as minhas forças estão exaustas; tu, ó Deus, destruíste a minha família toda.
8.Testemunha disto é que já me tornaste encarquilhado, a minha magreza já se levanta contra mim e me acusa cara a cara.
9.Na sua ira me despedaçou e tem animosidade contra mim; contra mim rangeu os dentes e, como meu adversário, aguça os olhos.
10.Homens abrem contra mim a boca, com desprezo me esbofeteiam, e contra mim todos se ajuntam.
11.Deus me entrega ao ímpio e nas mãos dos perversos me faz cair.
12.Em paz eu vivia, porém ele me quebrantou; pegou-me pelo pescoço e me despedaçou; pôs-me por seu alvo.
13.Cercam-me as suas flechas, atravessa-me os rins, e não me poupa, e o meu fel derrama na terra.
14.Fere-me com ferimento sobre ferimento, arremete contra mim como um guerreiro.
15.Cosi sobre a minha pele o cilício e revolvi o meu orgulho no pó.
16.O meu rosto está todo afogueado de chorar, e sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte,
17.embora não haja violência nas minhas mãos, e seja pura a minha oração.
18.Ó terra, não cubras o meu sangue, e não haja lugar em que se oculte o meu clamor!
19.Já agora sabei que a minha testemunha está no céu, e, nas alturas, quem advoga a minha causa.
20.Os meus amigos zombam de mim, mas os meus olhos se desfazem em lágrimas diante de Deus,
21.para que ele mantenha o direito do homem contra o próprio Deus e o do filho do homem contra o seu próximo.
22.Porque dentro de poucos anos eu seguirei o caminho de onde não tornarei.
Jó nada mais espera desta vida
1.O meu espírito se vai consumindo, os meus dias se vão apagando, e só tenho perante mim a sepultura.
2.Estou, de fato, cercado de zombadores, e os meus olhos são obrigados a lhes contemplar a provocação.
3.Dá-me, pois, um penhor; sê o meu fiador para contigo mesmo; quem mais haverá que se possa comprometer comigo?
4.Porque ao seu coração encobriste o entendimento, pelo que não os exaltarás.
5.Se alguém oferece os seus amigos como presa, os olhos de seus filhos desfalecerão.
6.Mas a mim me pôs por provérbio dos povos; tornei-me como aquele em cujo rosto se cospe.
7.Pelo que já se escureceram de mágoa os meus olhos, e já todos os meus membros são como a sombra;
8.os retos pasmam disto, e o inocente se levanta contra o ímpio.
9.Contudo, o justo segue o seu caminho, e o puro de mãos cresce mais e mais em força.
10.Mas tornai-vos, todos vós, e vinde cá; porque sábio nenhum acharei entre vós.
11.Os meus dias passaram, e se malograram os meus propósitos, as aspirações do meu coração.
12.Convertem-me a noite em dia, e a luz, dizem, está perto das trevas.
13.Mas, se eu aguardo já a sepultura por minha casa; se nas trevas estendo a minha cama;
14.se ao sepulcro eu clamo: tu és meu pai; e aos vermes: vós sois minha mãe e minha irmã,
15.onde está, pois, a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver?
16.Ela descerá até às portas da morte, quando juntamente no pó teremos descanso.
Bildade descreve a sorte do perverso
1.Então, respondeu Bildade, o suíta:
2.Até quando andarás à caça de palavras? Considera bem, e, então, falaremos.
3.Por que somos reputados por animais, e aos teus olhos passamos por curtos de inteligência?
4.Oh! Tu, que te despedaças na tua ira, será a terra abandonada por tua causa? Remover-se-ão as rochas do seu lugar?
5.Na verdade, a luz do perverso se apagará, e para seu fogo não resplandecerá a faísca;
6.a luz se escurecerá nas suas tendas, e a sua lâmpada sobre ele se apagará;
7.os seus passos fortes se estreitarão, e a sua própria trama o derribará.
8.Porque por seus próprios pés é lançado na rede e andará na boca de forje.
9.A armadilha o apanhará pelo calcanhar, e o laço o prenderá.
10.A corda está-lhe escondida na terra, e a armadilha, na vereda.
11.Os assombros o espantarão de todos os lados e o perseguirão a cada passo.
12.A calamidade virá faminta sobre ele, e a miséria estará alerta ao seu lado,
13.a qual lhe devorará os membros do corpo; serão devorados pelo primogênito da morte.
14.O perverso será arrancado da sua tenda, onde está confiado, e será levado ao rei dos terrores.
15.Nenhum dos seus morará na sua tenda, espalhar-se-á enxofre sobre a sua habitação.
16.Por baixo secarão as suas raízes, e murcharão por cima os seus ramos.
17.A sua memória desaparecerá da terra, e pelas praças não terá nome.
18.Da luz o lançarão nas trevas e o afugentarão do mundo.
19.Não terá filho nem posteridade entre o seu povo, nem sobrevivente algum ficará nas suas moradas.
20.Do seu dia se espantarão os do Ocidente, e os do Oriente serão tomados de horror.
21.Tais são, na verdade, as moradas do perverso, e este é o paradeiro do que não conhece a Deus.
Almeida Revista e Atualizada, ARA © Copyright 1993
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