13.Calai-vos perante mim, e falarei eu, e venha sobre mim o que vier.
14.Tomarei a minha carne nos meus dentes e porei a vida na minha mão.
15.Eis que me matará, já não tenho esperança; contudo, defenderei o meu procedimento.
16.Também isto será a minha salvação, o fato de o ímpio não vir perante ele.
17.Atentai para as minhas razões e dai ouvidos à minha exposição.
18.Tenho já bem encaminhada minha causa e estou certo de que serei justificado.
19.Quem há que possa contender comigo? Neste caso, eu me calaria e renderia o espírito.
20.Concede-me somente duas coisas; então, me não esconderei do teu rosto:
21.alivia a tua mão de sobre mim, e não me espante o teu terror.
22.Interpela-me, e te responderei ou deixa-me falar e tu me responderás.
23.Quantas culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado.
24.Por que escondes o rosto e me tens por teu inimigo?
25.Queres aterrorizar uma folha arrebatada pelo vento? E perseguirás a palha seca?
26.Pois decretas contra mim coisas amargas e me atribuis as culpas da minha mocidade.
27.Também pões os meus pés no tronco, observas todos os meus caminhos e traças limites à planta dos meus pés,
28.apesar de eu ser como uma coisa podre que se consome e como a roupa que é comida da traça.
Jó medita sobre a brevidade da vida
1.O homem, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação.
2.Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece;
3.e sobre tal homem abres os olhos e o fazes entrar em juízo contigo?
4.Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? Ninguém!
5.Visto que os seus dias estão contados, contigo está o número dos seus meses; tu ao homem puseste limites além dos quais não passará.
6.Desvia dele os olhares, para que tenha repouso, até que, como o jornaleiro, tenha prazer no seu dia.
7.Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos.
8.Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco,
9.ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova.
10.O homem, porém, morre e fica prostrado; expira o homem e onde está?
11.Como as águas do lago se evaporam, e o rio se esgota e seca,
12.assim o homem se deita e não se levanta; enquanto existirem os céus, não acordará, nem será despertado do seu sono.
13.Que me encobrisses na sepultura e me ocultasses até que a tua ira se fosse, e me pusesses um prazo e depois te lembrasses de mim!
14.Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Todos os dias da minha luta esperaria, até que eu fosse substituído.
15.Chamar-me-ias, e eu te responderia; terias saudades da obra de tuas mãos;
16.e até contarias os meus passos e não levarias em conta os meus pecados.
17.A minha transgressão estaria selada num saco, e terias encoberto as minhas iniqüidades.
18.Como o monte que se esboroa e se desfaz, e a rocha que se remove do seu lugar,
19.como as águas gastam as pedras, e as cheias arrebatam o pó da terra, assim destróis a esperança do homem.
20.Tu prevaleces para sempre contra ele, e ele passa, mudas-lhe o semblante e o despedes para o além.
21.Os seus filhos recebem honras, e ele o não sabe; são humilhados, e ele o não percebe.
22.Ele sente as dores apenas de seu próprio corpo, e só a seu respeito sofre a sua alma.
Elifaz acusa a Jó de impiedade
1.Então, respondeu Elifaz, o temanita:
2.Porventura, dará o sábio em resposta ciência de vento? E encher-se-á a si mesmo de vento oriental,
3.argüindo com palavras que de nada servem e com razões de que nada aproveita?
4.Tornas vão o temor de Deus e diminuis a devoção a ele devida.
5.Pois a tua iniqüidade ensina à tua boca, e tu escolheste a língua dos astutos.
6.A tua própria boca te condena, e não eu; os teus lábios testificam contra ti.
7.És tu, porventura, o primeiro homem que nasceu? Ou foste formado antes dos outeiros?
8.Ou ouviste o secreto conselho de Deus e a ti só limitaste a sabedoria?
9.Que sabes tu, que nós não saibamos? Que entendes, que não haja em nós?
10.Também há entre nós encanecidos e idosos, muito mais idosos do que teu pai.
11.Porventura, fazes pouco caso das consolações de Deus e das suaves palavras que te dirigimos nós?
12.Por que te arrebata o teu coração? Por que flamejam os teus olhos,
13.para voltares contra Deus o teu furor e deixares sair tais palavras da tua boca?
14.Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce de mulher, para ser justo?
15.Eis que Deus não confia nem nos seus santos; nem os céus são puros aos seus olhos,
16.quanto menos o homem, que é abominável e corrupto, que bebe a iniqüidade como a água!
Elifaz mostra o justo castigo dos perversos
17.Escuta-me, mostrar-to-ei; e o que tenho visto te contarei,
18.o que os sábios anunciaram, que o ouviram de seus pais e não o ocultaram
19.( aos quais somente se dera a terra, e nenhum estranho passou por entre eles ):
20.Todos os dias o perverso é atormentado, no curto número de anos que se reservam para o opressor.
21.O sonido dos horrores está nos seus ouvidos; na prosperidade lhe sobrevém o assolador.
22.Não crê que tornará das trevas, e sim que o espera a espada.
23.Por pão anda vagueando, dizendo: Onde está? Bem sabe que o dia das trevas lhe está preparado, à mão.
24.Assombram-no a angústia e a tribulação; prevalecem contra ele, como o rei preparado para a peleja,
25.porque estendeu a mão contra Deus e desafiou o Todo-Poderoso;
26.arremete contra ele obstinadamente, atrás da grossura dos seus escudos,
27.porquanto cobriu o rosto com a sua gordura e criou enxúndia nas ilhargas;
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