Ordem dos Livros

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O lamento do Messias
1.Salva-me, ó Deus, porque as águas me sobem até à alma.
2.Estou atolado em profundo lamaçal, que não dá pé; estou nas profundezas das águas, e a corrente me submerge.
3.Estou cansado de clamar, secou-se-me a garganta; os meus olhos desfalecem de tanto esperar por meu Deus.
4.São mais que os cabelos de minha cabeça os que, sem razão, me odeiam; são poderosos os meus destruidores, os que com falsos motivos são meus inimigos; por isso, tenho de restituir o que não furtei.
5.Tu, ó Deus, bem conheces a minha estultice, e as minhas culpas não te são ocultas.
6.Não sejam envergonhados por minha causa os que esperam em ti, ó SENHOR, Deus dos Exércitos; nem por minha causa sofram vexame os que te buscam, ó Deus de Israel.
7.Pois tenho suportado afrontas por amor de ti, e o rosto se me encobre de vexame.
8.Tornei-me estranho a meus irmãos e desconhecido aos filhos de minha mãe.
9.Pois o zelo da tua casa me consumiu, e as injúrias dos que te ultrajam caem sobre mim.
10.Chorei, em jejum está a minha alma, e isso mesmo se me tornou em afrontas.
11.Pus um pano de saco por veste e me tornei objeto de escárnio para eles.
12.Tagarelam sobre mim os que à porta se assentam, e sou motivo para cantigas de beberrões.
13.Quanto a mim, porém, SENHOR, faço a ti, em tempo favorável, a minha oração. Responde-me, ó Deus, pela riqueza da tua graça; pela tua fidelidade em socorrer,
14.livra-me do tremedal, para que não me afunde; seja eu salvo dos que me odeiam e das profundezas das águas.
15.Não me arraste a corrente das águas, nem me trague a voragem, nem se feche sobre mim a boca do poço.
16.Responde-me, SENHOR, pois compassiva é a tua graça; volta-te para mim segundo a riqueza das tuas misericórdias.
17.Não escondas o rosto ao teu servo, pois estou atribulado; responde-me depressa.
18.Aproxima-te de minha alma e redime-a; resgata-me por causa dos meus inimigos.
19.Tu conheces a minha afronta, a minha vergonha e o meu vexame; todos os meus adversários estão à tua vista.
20.O opróbrio partiu-me o coração, e desfaleci; esperei por piedade, mas debalde; por consoladores, e não os achei.
21.Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre.
22.Sua mesa torne-se-lhes diante deles em laço, e a prosperidade, em armadilha.
23.Obscureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam; e faze que sempre lhes vacile o dorso.
24.Derrama sobre eles a tua indignação, e que o ardor da tua ira os alcance.
25.Fique deserta a sua morada, e não haja quem habite as suas tendas.
26.Pois perseguem a quem tu feriste e acrescentam dores àquele a quem golpeaste.
27.Soma-lhes iniqüidade à iniqüidade, e não gozem da tua absolvição.
28.Sejam riscados do Livro dos Vivos e não tenham registro com os justos.
29.Quanto a mim, porém, amargurado e aflito, ponha-me o teu socorro, ó Deus, em alto refúgio.
30.Louvarei com cânticos o nome de Deus, exaltá-lo-ei com ações de graças.
31.Será isso muito mais agradável ao SENHOR do que um boi ou um novilho com chifres e unhas.
32.Vejam isso os aflitos e se alegrem; quanto a vós outros que buscais a Deus, que o vosso coração reviva.
33.Porque o SENHOR responde aos necessitados e não despreza os seus prisioneiros.
34.Louvem-no os céus e a terra, os mares e tudo quanto neles se move.
35.Porque Deus salvará Sião e edificará as cidades de Judá, e ali habitarão e hão de possuí-la.
36.Também a descendência dos seus servos a herdará, e os que lhe amam o nome nela habitarão.
Petição por auxílio divino
1.Praza-te, ó Deus, em livrar-me; dá-te pressa, ó SENHOR, em socorrer-me.
2.Sejam envergonhados e cobertos de vexame os que me demandam a vida; tornem atrás e cubram-se de ignomínia os que se comprazem no meu mal.
3.Retrocedam por causa da sua ignomínia os que dizem: Bem-feito! Bem-feito!
4.Folguem e em ti se rejubilem todos os que te buscam; e os que amam a tua salvação digam sempre: Deus seja magnificado!
5.Eu sou pobre e necessitado; ó Deus, apressa-te em valer-me, pois tu és o meu amparo e o meu libertador. SENHOR, não te detenhas!
Súplicas de um ancião
1.Em ti, SENHOR, me refugio; não seja eu jamais envergonhado.
2.Livra-me por tua justiça e resgata-me; inclina-me os ouvidos e salva-me.
3.Sê tu para mim uma rocha habitável em que sempre me acolha; ordenaste que eu me salve, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza.
4.Livra-me, Deus meu, das mãos do ímpio, das garras do homem injusto e cruel.
5.Pois tu és a minha esperança, SENHOR Deus, a minha confiança desde a minha mocidade.
6.Em ti me tenho apoiado desde o meu nascimento; do ventre materno tu me tiraste, tu és motivo para os meus louvores constantemente.
7.Para muitos sou como um portento, mas tu és o meu forte refúgio.
8.Os meus lábios estão cheios do teu louvor e da tua glória continuamente.
9.Não me rejeites na minha velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares.
10.Pois falam contra mim os meus inimigos; e os que me espreitam a alma consultam reunidos,
11.dizendo: Deus o desamparou; persegui-o e prendei-o, pois não há quem o livre.
12.Não te ausentes de mim, ó Deus; Deus meu, apressa-te em socorrer-me.
13.Sejam envergonhados e consumidos os que são adversários de minha alma; cubram-se de opróbrio e de vexame os que procuram o mal contra mim.
14.Quanto a mim, esperarei sempre e te louvarei mais e mais.
15.A minha boca relatará a tua justiça e de contínuo os feitos da tua salvação, ainda que eu não saiba o seu número.
16.Sinto-me na força do SENHOR Deus; e rememoro a tua justiça, a tua somente.
17.Tu me tens ensinado, ó Deus, desde a minha mocidade; e até agora tenho anunciado as tuas maravilhas.
18.Não me desampares, pois, ó Deus, até à minha velhice e às cãs; até que eu tenha declarado à presente geração a tua força e às vindouras o teu poder.
19.Ora, a tua justiça, ó Deus, se eleva até aos céus. Grandes coisas tens feito, ó Deus; quem é semelhante a ti?
20.Tu, que me tens feito ver muitas angústias e males, me restaurarás ainda a vida e de novo me tirarás dos abismos da terra.
21.Aumenta a minha grandeza, conforta-me novamente.
22.Eu também te louvo com a lira, celebro a tua verdade, ó meu Deus; cantar-te-ei salmos na harpa, ó Santo de Israel.
23.Os meus lábios exultarão quando eu te salmodiar; também exultará a minha alma, que remiste.
24.Igualmente a minha língua celebrará a tua justiça todo o dia; pois estão envergonhados e confundidos os que procuram o mal contra mim.
O rei justo e o seu reinado eterno
1.Concede ao rei, ó Deus, os teus juízos e a tua justiça, ao filho do rei.
2.Julgue ele com justiça o teu povo e os teus aflitos, com eqüidade.
3.Os montes trarão paz ao povo, também as colinas a trarão, com justiça.
4.Julgue ele os aflitos do povo, salve os filhos dos necessitados e esmague ao opressor.
5.Ele permanecerá enquanto existir o sol e enquanto durar a lua, através das gerações.
6.Seja ele como chuva que desce sobre a campina ceifada, como aguaceiros que regam a terra.
7.Floresça em seus dias o justo, e haja abundância de paz até que cesse de haver lua.
8.Domine ele de mar a mar e desde o rio até aos confins da terra.
9.Curvem-se diante dele os habitantes do deserto, e os seus inimigos lambam o pó.
10.Paguem-lhe tributos os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Sebá lhe ofereçam presentes.
11.E todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam.
12.Porque ele acode ao necessitado que clama e também ao aflito e ao desvalido.
13.Ele tem piedade do fraco e do necessitado e salva a alma aos indigentes.
14.Redime a sua alma da opressão e da violência, e precioso lhe é o sangue deles.
15.Viverá, e se lhe dará do ouro de Sabá; e continuamente se fará por ele oração, e o bendirão todos os dias.
16.Haja na terra abundância de cereais, que ondulem até aos cimos dos montes; seja a sua messe como o Líbano, e das cidades floresçam os habitantes como a erva da terra.
17.Subsista para sempre o seu nome e prospere enquanto resplandecer o sol; nele sejam abençoados todos os homens, e as nações lhe chamem bem-aventurado.
18.Bendito seja o SENHOR Deus, o Deus de Israel, que só ele opera prodígios.
19.Bendito para sempre o seu glorioso nome, e da sua glória se encha toda a terra. Amém e amém!
20.Findam as orações de Davi, filho de Jessé.
Almeida Revista e Atualizada, ARA © Copyright 1993
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