Novo Testamento

5 / 90
A parábola do semeador
1.Naquele mesmo dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à beira-mar;
2.e grandes multidões se reuniram perto dele, de modo que entrou num barco e se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia.
3.E de muitas coisas lhes falou por parábolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear.
4.E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram.
5.Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra.
6.Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se.
7.Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram.
8.Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um.
9.Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
A explicação da parábola
10.Então, se aproximaram os discípulos e lhe perguntaram: Por que lhes falas por parábolas?
11.Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido.
12.Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
13.Por isso, lhes falo por parábolas; porque, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem, nem entendem.
14.De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis.
15.Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados.
16.Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem.
17.Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não ouviram.
18.Atendei vós, pois, à parábola do semeador.
19.A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
20.O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria;
21.mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.
22.O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.
23.Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um.
A parábola do joio
24.Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo;
25.mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se.
26.E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio.
27.Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?
28.Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio?
29.Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo.
30.Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.
A parábola do grão de mostarda
31.Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo;
32.o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos.
A parábola do fermento
33.Disse-lhes outra parábola: O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.
Por que Jesus falou por parábolas
34.Todas estas coisas disse Jesus às multidões por parábolas e sem parábolas nada lhes dizia;
35.para que se cumprisse o que foi dito por intermédio do profeta: Abrirei em parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a criação do mundo.
A explicação da parábola do joio
36.Então, despedindo as multidões, foi Jesus para casa. E, chegando-se a ele os seus discípulos, disseram: Explica-nos a parábola do joio do campo.
37.E ele respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem;
38.o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno;
39.o inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos.
40.Pois, assim como o joio é colhido e lançado ao fogo, assim será na consumação do século.
41.Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade
42.e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.
43.Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
A parábola do tesouro escondido
44.O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo.
A parábola da pérola
45.O reino dos céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas;
46.e, tendo achado uma pérola de grande valor, vende tudo o que possui e a compra.
A parábola da rede
47.O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie.
48.E, quando já está cheia, os pescadores arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e os ruins deitam fora.
49.Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos,
50.e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.
Coisas novas e velhas
51.Entendestes todas estas coisas? Responderam-lhe: Sim!
52.Então, lhes disse: Por isso, todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas.
Jesus prega em Nazaré. É rejeitado pelos seus
53.Tendo Jesus proferido estas parábolas, retirou-se dali.
54.E, chegando à sua terra, ensinava-os na sinagoga, de tal sorte que se maravilhavam e diziam: Donde lhe vêm esta sabedoria e estes poderes miraculosos?
55.Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas?
56.Não vivem entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto?
57.E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terra e na sua casa.
58.E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.
A morte de João Batista
1.Por aquele tempo, ouviu o tetrarca Herodes a fama de Jesus
2.e disse aos que o serviam: Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos, e, por isso, nele operam forças miraculosas.
3.Porque Herodes, havendo prendido e atado a João, o metera no cárcere, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão;
4.pois João lhe dizia: Não te é lícito possuí-la.
5.E, querendo matá-lo, temia o povo, porque o tinham como profeta.
6.Ora, tendo chegado o dia natalício de Herodes, dançou a filha de Herodias diante de todos e agradou a Herodes.
7.Pelo que prometeu, com juramento, dar-lhe o que pedisse.
8.Então, ela, instigada por sua mãe, disse: Dá-me, aqui, num prato, a cabeça de João Batista.
9.Entristeceu-se o rei, mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, determinou que lha dessem;
10.e deu ordens e decapitou a João no cárcere.
11.Foi trazida a cabeça num prato e dada à jovem, que a levou a sua mãe.
12.Então, vieram os seus discípulos, levaram o corpo e o sepultaram; depois, foram e o anunciaram a Jesus.
A primeira multiplicação de pães e peixes
13.Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte; sabendo-o as multidões, vieram das cidades seguindo-o por terra.
14.Desembarcando, viu Jesus uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou os seus enfermos.
15.Ao cair da tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: O lugar é deserto, e vai adiantada a hora; despede, pois, as multidões para que, indo pelas aldeias, comprem para si o que comer.
16.Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, de comer.
17.Mas eles responderam: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.
18.Então, ele disse: Trazei-mos.
19.E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a relva, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou. Depois, tendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes, às multidões.
20.Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram recolheram ainda doze cestos cheios.
21.E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.
Jesus anda por sobre o mar
22.Logo a seguir, compeliu Jesus os discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões.
23.E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só.
24.Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário.
25.Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar.
26.E os discípulos, ao verem-no andando sobre as águas, ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma! E, tomados de medo, gritaram.
27.Mas Jesus imediatamente lhes disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!
28.Respondendo-lhe Pedro, disse: Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas.
29.E ele disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus.
30.Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a submergir, gritou: Salva-me, Senhor!
31.E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, por que duvidaste?
32.Subindo ambos para o barco, cessou o vento.
33.E os que estavam no barco o adoraram, dizendo: Verdadeiramente és Filho de Deus!
Jesus em Genesaré
34.Então, estando já no outro lado, chegaram a terra, em Genesaré.
35.Reconhecendo-o os homens daquela terra, mandaram avisar a toda a circunvizinhança e trouxeram-lhe todos os enfermos;
36.e lhe rogavam que ao menos pudessem tocar na orla da sua veste. E todos os que tocaram ficaram sãos.
Jesus e a tradição dos anciãos. O que contamina o homem
1.Então, vieram de Jerusalém a Jesus alguns fariseus e escribas e perguntaram:
2.Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem.
3.Ele, porém, lhes respondeu: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição?
4.Porque Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.
5.Mas vós dizeis: Se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: É oferta ao Senhor aquilo que poderias aproveitar de mim;
6.esse jamais honrará a seu pai ou a sua mãe. E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição.
7.Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo:
8.Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
9.E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.
10.E, tendo convocado a multidão, lhes disse: Ouvi e entendei:
11.não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem.
12.Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram?
13.Ele, porém, respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada.
14.Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco.
15.Então, lhe disse Pedro: Explica-nos a parábola.
16.Jesus, porém, disse: Também vós não entendeis ainda?
17.Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre e, depois, é lançado em lugar escuso?
18.Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem.
19.Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.
20.São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina.
A mulher cananeia
21.Partindo Jesus dali, retirou-se para os lados de Tiro e Sidom.
22.E eis que uma mulher cananéia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada.
23.Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós.
24.Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.
25.Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me!
26.Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
27.Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.
28.Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.
Jesus volta para o mar da Galileia e cura muitos enfermos
29.Partindo Jesus dali, foi para junto do mar da Galiléia; e, subindo ao monte, assentou-se ali.
30.E vieram a ele muitas multidões trazendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e outros muitos e os largaram junto aos pés de Jesus; e ele os curou.
31.De modo que o povo se maravilhou ao ver que os mudos falavam, os aleijados recobravam saúde, os coxos andavam e os cegos viam. Então, glorificavam ao Deus de Israel.
A segunda multiplicação de pães e peixes
32.E, chamando Jesus os seus discípulos, disse: Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanece comigo e não tem o que comer; e não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça pelo caminho.
33.Mas os discípulos lhe disseram: Onde haverá neste deserto tantos pães para fartar tão grande multidão?
34.Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães tendes? Responderam: Sete e alguns peixinhos.
35.Então, tendo mandado o povo assentar-se no chão,
36.tomou os sete pães e os peixes, e, dando graças, partiu, e deu aos discípulos, e estes, ao povo.
37.Todos comeram e se fartaram; e, do que sobejou, recolheram sete cestos cheios.
38.Ora, os que comeram eram quatro mil homens, além de mulheres e crianças.
39.E, tendo despedido as multidões, entrou Jesus no barco e foi para o território de Magadã.
Almeida Revista e Atualizada, ARA © Copyright 1993
Sociedade Bíblica do Brasil.
Todos os direitos reservados.
Saiba mais sobre a Sociedade Bíblica do Brasil em sbb.org.br.
A Sociedade Bíblica do Brasil trabalha para que a Bíblia esteja, efetivamente, ao alcance de todos e seja lida por todos.
A SBB é uma entidade sem fins lucrativos, dedicada a promover o desenvolvimento integral do ser humano.
Você também pode ajudar a causa da Bíblia!