Iniciante

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O plano para tirar a vida de Jesus
1.Tendo Jesus acabado todos estes ensinamentos, disse a seus discípulos:
2.Sabeis que, daqui a dois dias, celebrar-se-á a Páscoa; e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado.
3.Então, os principais sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, chamado Caifás;
4.e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo.
5.Mas diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.
Jesus ungido em Betânia
6.Ora, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso,
7.aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa.
8.Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que este desperdício?
9.Pois este perfume podia ser vendido por muito dinheiro e dar-se aos pobres.
10.Mas Jesus, sabendo disto, disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Ela praticou boa ação para comigo.
11.Porque os pobres, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes;
12.pois, derramando este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento.
13.Em verdade vos digo: Onde for pregado em todo o mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.
O pacto da traição
14.Então, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, indo ter com os principais sacerdotes, propôs:
15.Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata.
16.E, desse momento em diante, buscava ele uma boa ocasião para o entregar.
Os discípulos preparam a Páscoa
17.No primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, vieram os discípulos a Jesus e lhe perguntaram: Onde queres que te façamos os preparativos para comeres a Páscoa?
18.E ele lhes respondeu: Ide à cidade ter com certo homem e dizei-lhe: O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos.
19.E eles fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa.
O traidor é indicado
20.Chegada a tarde, pôs-se ele à mesa com os doze discípulos.
21.E, enquanto comiam, declarou Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós me trairá.
22.E eles, muitíssimo contristados, começaram um por um a perguntar-lhe: Porventura, sou eu, Senhor?
23.E ele respondeu: O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá.
24.O Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!
25.Então, Judas, que o traía, perguntou: Acaso, sou eu, Mestre? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste.
A Ceia do Senhor
26.Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo.
27.A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos;
28.porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.
29.E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai.
30.E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
Pedro é avisado
31.Então, Jesus lhes disse: Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas.
32.Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia.
33.Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim.
34.Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes.
35.Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.
Jesus no Getsêmani
36.Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar;
37.e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se.
38.Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.
39.Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.
40.E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo?
41.Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
42.Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.
43.E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados.
44.Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.
45.Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores.
46.Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.
Jesus é preso
47.Falava ele ainda, e eis que chegou Judas, um dos doze, e, com ele, grande turba com espadas e porretes, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo.
48.Ora, o traidor lhes tinha dado este sinal: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o.
49.E logo, aproximando-se de Jesus, lhe disse: Salve, Mestre! E o beijou.
50.Jesus, porém, lhe disse: Amigo, para que vieste? Nisto, aproximando-se eles, deitaram as mãos em Jesus e o prenderam.
51.E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, sacou da espada e, golpeando o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe a orelha.
52.Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão.
53.Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?
54.Como, pois, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder?
55.Naquele momento, disse Jesus às multidões: Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador? Todos os dias, no templo, eu me assentava convosco ensinando, e não me prendestes.
56.Tudo isto, porém, aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então, os discípulos todos, deixando-o, fugiram.
Jesus perante o Sinédrio
57.E os que prenderam Jesus o levaram à casa de Caifás, o sumo sacerdote, onde se haviam reunido os escribas e os anciãos.
58.Mas Pedro o seguia de longe até ao pátio do sumo sacerdote e, tendo entrado, assentou-se entre os serventuários, para ver o fim.
59.Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte.
60.E não acharam, apesar de se terem apresentado muitas testemunhas falsas. Mas, afinal, compareceram duas, afirmando:
61.Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias.
62.E, levantando-se o sumo sacerdote, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti?
63.Jesus, porém, guardou silêncio. E o sumo sacerdote lhe disse: Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus.
64.Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste; entretanto, eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.
65.Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfêmia!
66.Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte.
67.Então, uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo:
68.Profetiza-nos, ó Cristo, quem é que te bateu!
Pedro nega a Jesus
69.Ora, estava Pedro assentado fora no pátio; e, aproximando-se uma criada, lhe disse: Também tu estavas com Jesus, o galileu.
70.Ele, porém, o negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes.
71.E, saindo para o alpendre, foi ele visto por outra criada, a qual disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno.
72.E ele negou outra vez, com juramento: Não conheço tal homem.
73.Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente, és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia.
74.Então, começou ele a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem! E imediatamente cantou o galo.
75.Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. E, saindo dali, chorou amargamente.
Jesus entregue a Pilatos
1.Ao romper o dia, todos os principais sacerdotes e os anciãos do povo entraram em conselho contra Jesus, para o matarem;
2.e, amarrando-o, levaram-no e o entregaram ao governador Pilatos.
O suicídio de Judas
3.Então, Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo:
4.Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo.
5.Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se.
6.E os principais sacerdotes, tomando as moedas, disseram: Não é lícito deitá-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue.
7.E, tendo deliberado, compraram com elas o campo do oleiro, para cemitério de forasteiros.
8.Por isso, aquele campo tem sido chamado, até ao dia de hoje, Campo de Sangue.
9.Então, se cumpriu o que foi dito por intermédio do profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço em que foi estimado aquele a quem alguns dos filhos de Israel avaliaram;
10.e as deram pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor.
Jesus perante Pilatos
11.Jesus estava em pé ante o governador; e este o interrogou, dizendo: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes.
12.E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.
13.Então, lhe perguntou Pilatos: Não ouves quantas acusações te fazem?
14.Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador.
15.Ora, por ocasião da festa, costumava o governador soltar ao povo um dos presos, conforme eles quisessem.
16.Naquela ocasião, tinham eles um preso muito conhecido, chamado Barrabás.
17.Estando, pois, o povo reunido, perguntou-lhes Pilatos: A quem quereis que eu vos solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado Cristo?
18.Porque sabia que, por inveja, o tinham entregado.
19.E, estando ele no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas com esse justo; porque hoje, em sonho, muito sofri por seu respeito.
20.Mas os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus.
21.De novo, perguntou-lhes o governador: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam eles: Barrabás!
22.Replicou-lhes Pilatos: Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? Seja crucificado! Responderam todos.
23.Que mal fez ele? Perguntou Pilatos. Porém cada vez clamavam mais: Seja crucificado!
24.Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo; fique o caso convosco!
25.E o povo todo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!
26.Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para ser crucificado.
Jesus entregue aos soldados
27.Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram em torno dele toda a coorte.
28.Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto escarlate;
29.tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus!
30.E, cuspindo nele, tomaram o caniço e davam-lhe com ele na cabeça.
31.Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado.
Simão leva a cruz do Senhor
32.Ao saírem, encontraram um cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a carregar-lhe a cruz.
A crucificação
33.E, chegando a um lugar chamado Gólgota, que significa Lugar da Caveira,
34.deram-lhe a beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber.
35.Depois de o crucificarem, repartiram entre si as suas vestes, tirando a sorte.
36.E, assentados ali, o guardavam.
37.Por cima da sua cabeça puseram escrita a sua acusação: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS.
38.E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda.
39.Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo:
40.Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!
41.De igual modo, os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam:
42.Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele.
43.Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus.
44.E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele.
A morte de Jesus
45.Desde a hora sexta até à hora nona, houve trevas sobre toda a terra.
46.Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
47.E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Ele chama por Elias.
48.E, logo, um deles correu a buscar uma esponja e, tendo-a embebido de vinagre e colocado na ponta de um caniço, deu-lhe a beber.
49.Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem salvá-lo.
50.E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito.
51.Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas;
52.abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram;
53.e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos.
54.O centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto e tudo o que se passava, ficaram possuídos de grande temor e disseram: Verdadeiramente este era Filho de Deus.
55.Estavam ali muitas mulheres, observando de longe; eram as que vinham seguindo a Jesus desde a Galiléia, para o servirem;
56.entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mulher de Zebedeu.
O sepultamento de Jesus
57.Caindo a tarde, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus.
58.Este foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Então, Pilatos mandou que lho fosse entregue.
59.E José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo de linho
60.e o depositou no seu túmulo novo, que fizera abrir na rocha; e, rolando uma grande pedra para a entrada do sepulcro, se retirou.
61.Achavam-se ali, sentadas em frente da sepultura, Maria Madalena e a outra Maria.
A guarda do sepulcro
62.No dia seguinte, que é o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus e, dirigindo-se a Pilatos,
63.disseram-lhe: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse: Depois de três dias ressuscitarei.
64.Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, para não suceder que, vindo os discípulos, o roubem e depois digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e será o último embuste pior que o primeiro.
65.Disse-lhes Pilatos: Aí tendes uma escolta; ide e guardai o sepulcro como bem vos parecer.
66.Indo eles, montaram guarda ao sepulcro, selando a pedra e deixando ali a escolta.
A ressurreição de Jesus. Seu aparecimento às mulheres
1.No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
2.E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela.
3.O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve.
4.E os guardas tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos.
5.Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: Não temais; porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado.
6.Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia.
7.Ide, pois, depressa e dizei aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. É como vos digo!
8.E, retirando-se elas apressadamente do sepulcro, tomadas de medo e grande alegria, correram a anunciá-lo aos discípulos.
9.E eis que Jesus veio ao encontro delas e disse: Salve! E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés e o adoraram.
10.Então, Jesus lhes disse: Não temais! Ide avisar a meus irmãos que se dirijam à Galiléia e lá me verão.
Os judeus subornam os guardas
11.E, indo elas, eis que alguns da guarda foram à cidade e contaram aos principais sacerdotes tudo o que sucedera.
12.Reunindo-se eles em conselho com os anciãos, deram grande soma de dinheiro aos soldados,
13.recomendando-lhes que dissessem: Vieram de noite os discípulos dele e o roubaram enquanto dormíamos.
14.Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos e vos poremos em segurança.
15.Eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. Esta versão divulgou-se entre os judeus até ao dia de hoje.
Jesus aparece aos discípulos na Galileia
16.Seguiram os onze discípulos para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes designara.
17.E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.
A Grande Comissão
18.Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.
19.Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
20.ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.
Jesus perante Pilatos
1.Levantando-se toda a assembléia, levaram Jesus a Pilatos.
2.E ali passaram a acusá-lo, dizendo: Encontramos este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele o Cristo, o Rei.
3.Então, lhe perguntou Pilatos: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes.
4.Disse Pilatos aos principais sacerdotes e às multidões: Não vejo neste homem crime algum.
5.Insistiam, porém, cada vez mais, dizendo: Ele alvoroça o povo, ensinando por toda a Judéia, desde a Galiléia, onde começou, até aqui.
6.Tendo Pilatos ouvido isto, perguntou se aquele homem era galileu.
7.Ao saber que era da jurisdição de Herodes, estando este, naqueles dias, em Jerusalém, lho remeteu.
Jesus perante Herodes
8.Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; esperava também vê-lo fazer algum sinal.
9.E de muitos modos o interrogava; Jesus, porém, nada lhe respondia.
10.Os principais sacerdotes e os escribas ali presentes o acusavam com grande veemência.
11.Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-o com desprezo, e, escarnecendo dele, fê-lo vestir-se de um manto aparatoso, e o devolveu a Pilatos.
12.Naquele mesmo dia, Herodes e Pilatos se reconciliaram, pois, antes, viviam inimizados um com o outro.
Jesus outra vez perante Pilatos
13.Então, reunindo Pilatos os principais sacerdotes, as autoridades e o povo,
14.disse-lhes: Apresentastes-me este homem como agitador do povo; mas, tendo-o interrogado na vossa presença, nada verifiquei contra ele dos crimes de que o acusais.
15.Nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar. É, pois, claro que nada contra ele se verificou digno de morte.
16.Portanto, após castigá-lo, soltá-lo-ei.
17.E era-lhe forçoso soltar-lhes um detento por ocasião da festa.
18.Toda a multidão, porém, gritava: Fora com este! Solta-nos Barrabás!
19.Barrabás estava no cárcere por causa de uma sedição na cidade e também por homicídio.
20.Desejando Pilatos soltar a Jesus, insistiu ainda.
21.Eles, porém, mais gritavam: Crucifica-o! Crucifica-o!
22.Então, pela terceira vez, lhes perguntou: Que mal fez este? De fato, nada achei contra ele para condená-lo à morte; portanto, depois de o castigar, soltá-lo-ei.
23.Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E o seu clamor prevaleceu.
24.Então, Pilatos decidiu atender-lhes o pedido.
25.Soltou aquele que estava encarcerado por causa da sedição e do homicídio, a quem eles pediam; e, quanto a Jesus, entregou-o à vontade deles.
Simão leva a cruz de Jesus
26.E, como o conduzissem, constrangendo um cireneu, chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após Jesus.
Jesus rumo ao Calvário
27.Seguia-o numerosa multidão de povo, e também mulheres que batiam no peito e o lamentavam.
28.Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos!
29.Porque dias virão em que se dirá: Bem-aventuradas as estéreis, que não geraram, nem amamentaram.
30.Nesses dias, dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos!
31.Porque, se em lenho verde fazem isto, que será no lenho seco?
32.E também eram levados outros dois, que eram malfeitores, para serem executados com ele.
A crucificação
33.Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda.
34.Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes.
35.O povo estava ali e a tudo observava. Também as autoridades zombavam e diziam: Salvou os outros; a si mesmo se salve, se é, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido.
36.Igualmente os soldados o escarneciam e, aproximando-se, trouxeram-lhe vinagre, dizendo:
37.Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.
38.Também sobre ele estava esta epígrafe em letras gregas, romanas e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEUS.
Os dois malfeitores
39.Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.
40.Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença?
41.Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez.
42.E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.
43.Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
A morte de Jesus
44.Já era quase a hora sexta, e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra até à hora nona.
45.E rasgou-se pelo meio o véu do santuário.
46.Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.
47.Vendo o centurião o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Verdadeiramente, este homem era justo.
48.E todas as multidões reunidas para este espetáculo, vendo o que havia acontecido, retiraram-se a lamentar, batendo nos peitos.
49.Entretanto, todos os conhecidos de Jesus e as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia permaneceram a contemplar de longe estas coisas.
O sepultamento de Jesus
50.E eis que certo homem, chamado José, membro do Sinédrio, homem bom e justo
51.( que não tinha concordado com o desígnio e ação dos outros ), natural de Arimatéia, cidade dos judeus, e que esperava o reino de Deus,
52.tendo procurado a Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus,
53.e, tirando-o do madeiro, envolveu-o num lençol de linho, e o depositou num túmulo aberto em rocha, onde ainda ninguém havia sido sepultado.
54.Era o dia da preparação, e começava o sábado.
55.As mulheres que tinham vindo da Galiléia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado.
56.Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado, descansaram, segundo o mandamento.
A ressurreição de Jesus
1.Mas, no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado.
2.E encontraram a pedra removida do sepulcro;
3.mas, ao entrarem, não acharam o corpo do Senhor Jesus.
4.Aconteceu que, perplexas a esse respeito, apareceram-lhes dois varões com vestes resplandecentes.
5.Estando elas possuídas de temor, baixando os olhos para o chão, eles lhes falaram: Por que buscais entre os mortos ao que vive?
6.Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galiléia,
7.quando disse: Importa que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de pecadores, e seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia.
8.Então, se lembraram das suas palavras.
9.E, voltando do túmulo, anunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os mais que com eles estavam.
10.Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; também as demais que estavam com elas confirmaram estas coisas aos apóstolos.
11.Tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram nelas.
12.Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro. E, abaixando-se, nada mais viu, senão os lençóis de linho; e retirou-se para casa, maravilhado do que havia acontecido.
Os discípulos no caminho de Emaús
13.Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios.
14.E iam conversando a respeito de todas as coisas sucedidas.
15.Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles.
16.Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer.
17.Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos.
18.Um, porém, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias?
19.Ele lhes perguntou: Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo,
20.e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram.
21.Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam.
22.É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo;
23.e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive.
24.De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram.
25.Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!
26.Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?
27.E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.
28.Quando se aproximavam da aldeia para onde iam, fez ele menção de passar adiante.
29.Mas eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E entrou para ficar com eles.
30.E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu;
31.então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles.
32.E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?
33.E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os onze e outros com eles,
34.os quais diziam: O Senhor ressuscitou e já apareceu a Simão!
35.Então, os dois contaram o que lhes acontecera no caminho e como fora por eles reconhecido no partir do pão.
Jesus aparece aos discípulos
36.Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco!
37.Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito.
38.Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração?
39.Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.
40.Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.
41.E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Jesus lhes disse: Tendes aqui alguma coisa que comer?
42.Então, lhe apresentaram um pedaço de peixe assado e um favo de mel.
43.E ele comeu na presença deles.
Jesus explica as Escrituras
44.A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.
45.Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras;
46.e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia
47.e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém.
48.Vós sois testemunhas destas coisas.
49.Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.
A ascensão de Jesus
50.Então, os levou para Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou.
51.Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado para o céu.
52.Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo;
53.e estavam sempre no templo, louvando a Deus.
Almeida Revista e Atualizada, ARA © Copyright 1993
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