O plano para tirar a vida de Jesus
1.Estava próxima a Festa dos Pães Asmos, chamada Páscoa.
2.Preocupavam-se os principais sacerdotes e os escribas em como tirar a vida a Jesus; porque temiam o povo.
O pacto da traição
3.Ora, Satanás entrou em Judas, chamado Iscariotes, que era um dos doze.
4.Este foi entender-se com os principais sacerdotes e os capitães sobre como lhes entregaria a Jesus;
5.então, eles se alegraram e combinaram em lhe dar dinheiro.
6.Judas concordou e buscava uma boa ocasião de lho entregar sem tumulto.
Os discípulos preparam a Páscoa
7.Chegou o dia da Festa dos Pães Asmos, em que importava comemorar a Páscoa.
8.Jesus, pois, enviou Pedro e João, dizendo: Ide preparar-nos a Páscoa para que a comamos.
9.Eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos?
10.Então, lhes explicou Jesus: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem com um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar
11.e dizei ao dono da casa: O Mestre manda perguntar-te: Onde é o aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?
12.Ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado; ali fazei os preparativos.
13.E, indo, tudo encontraram como Jesus lhes dissera e prepararam a Páscoa.
A última Páscoa
14.Chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos.
15.E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do meu sofrimento.
16.Pois vos digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no reino de Deus.
17.E, tomando um cálice, havendo dado graças, disse: Recebei e reparti entre vós;
18.pois vos digo que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus.
A Ceia do Senhor
19.E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim.
20.Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.
21.Todavia, a mão do traidor está comigo à mesa.
22.Porque o Filho do Homem, na verdade, vai segundo o que está determinado, mas ai daquele por intermédio de quem ele está sendo traído!
23.Então, começaram a indagar entre si quem seria, dentre eles, o que estava para fazer isto.
Seja o maior como o menor
24.Suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior.
25.Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores.
26.Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve.
27.Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve.
28.Vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações.
29.Assim como meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio,
30.para que comais e bebais à minha mesa no meu reino; e vos assentareis em tronos para julgar as doze tribos de Israel.
Pedro é avisado
31.Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo!
32.Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos.
33.Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte.
34.Mas Jesus lhe disse: Afirmo-te, Pedro, que, hoje, três vezes negarás que me conheces, antes que o galo cante.
As duas espadas
35.A seguir, Jesus lhes perguntou: Quando vos mandei sem bolsa, sem alforje e sem sandálias, faltou-vos, porventura, alguma coisa? Nada, disseram eles.
36.Então, lhes disse: Agora, porém, quem tem bolsa, tome-a, como também o alforje; e o que não tem espada, venda a sua capa e compre uma.
37.Pois vos digo que importa que se cumpra em mim o que está escrito: Ele foi contado com os malfeitores. Porque o que a mim se refere está sendo cumprido.
38.Então, lhe disseram: Senhor, eis aqui duas espadas! Respondeu-lhes: Basta!
Jesus no Getsêmani
39.E, saindo, foi, como de costume, para o monte das Oliveiras; e os discípulos o acompanharam.
40.Chegando ao lugar escolhido, Jesus lhes disse: Orai, para que não entreis em tentação.
41.Ele, por sua vez, se afastou, cerca de um tiro de pedra, e, de joelhos, orava,
42.dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.
43.Então, lhe apareceu um anjo do céu que o confortava.
44.E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.
45.Levantando-se da oração, foi ter com os discípulos, e os achou dormindo de tristeza,
46.e disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.
Jesus é preso
47.Falava ele ainda, quando chegou uma multidão; e um dos doze, o chamado Judas, que vinha à frente deles, aproximou-se de Jesus para o beijar.
48.Jesus, porém, lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do Homem?
49.Os que estavam ao redor dele, vendo o que ia suceder, perguntaram: Senhor, feriremos à espada?
50.Um deles feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha direita.
51.Mas Jesus acudiu, dizendo: Deixai, basta. E, tocando-lhe a orelha, o curou.
52.Então, dirigindo-se Jesus aos principais sacerdotes, capitães do templo e anciãos que vieram prendê-lo, disse: Saístes com espadas e porretes como para deter um salteador?
53.Diariamente, estando eu convosco no templo, não pusestes as mãos sobre mim. Esta, porém, é a vossa hora e o poder das trevas.
Pedro nega a Jesus
54.Então, prendendo-o, o levaram e o introduziram na casa do sumo sacerdote. Pedro seguia de longe.
55.E, quando acenderam fogo no meio do pátio e juntos se assentaram, Pedro tomou lugar entre eles.
56.Entrementes, uma criada, vendo-o assentado perto do fogo, fitando-o, disse: Este também estava com ele.
57.Mas Pedro negava, dizendo: Mulher, não o conheço.
58.Pouco depois, vendo-o outro, disse: Também tu és dos tais. Pedro, porém, protestava: Homem, não sou.
59.E, tendo passado cerca de uma hora, outro afirmava, dizendo: Também este, verdadeiramente, estava com ele, porque também é galileu.
60.Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo.
61.Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo.
62.Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente.
Os guardas zombam de Jesus
63.Os que detinham Jesus zombavam dele, davam-lhe pancadas e,
64.vendando-lhe os olhos, diziam: Profetiza-nos: quem é que te bateu?
65.E muitas outras coisas diziam contra ele, blasfemando.
Jesus perante o Sinédrio
66.Logo que amanheceu, reuniu-se a assembléia dos anciãos do povo, tanto os principais sacerdotes como os escribas, e o conduziram ao Sinédrio, onde lhe disseram:
67.Se tu és o Cristo, dize-nos. Então, Jesus lhes respondeu: Se vo-lo disser, não o acreditareis;
68.também, se vos perguntar, de nenhum modo me respondereis.
69.Desde agora, estará sentado o Filho do Homem à direita do Todo-Poderoso Deus.
70.Então, disseram todos: Logo, tu és o Filho de Deus? E ele lhes respondeu: Vós dizeis que eu sou.
71.Clamaram, pois: Que necessidade mais temos de testemunho? Porque nós mesmos o ouvimos da sua própria boca.
Jesus perante Pilatos
1.Levantando-se toda a assembléia, levaram Jesus a Pilatos.
2.E ali passaram a acusá-lo, dizendo: Encontramos este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele o Cristo, o Rei.
3.Então, lhe perguntou Pilatos: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes.
4.Disse Pilatos aos principais sacerdotes e às multidões: Não vejo neste homem crime algum.
5.Insistiam, porém, cada vez mais, dizendo: Ele alvoroça o povo, ensinando por toda a Judéia, desde a Galiléia, onde começou, até aqui.
6.Tendo Pilatos ouvido isto, perguntou se aquele homem era galileu.
7.Ao saber que era da jurisdição de Herodes, estando este, naqueles dias, em Jerusalém, lho remeteu.
Jesus perante Herodes
8.Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; esperava também vê-lo fazer algum sinal.
9.E de muitos modos o interrogava; Jesus, porém, nada lhe respondia.
10.Os principais sacerdotes e os escribas ali presentes o acusavam com grande veemência.
11.Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-o com desprezo, e, escarnecendo dele, fê-lo vestir-se de um manto aparatoso, e o devolveu a Pilatos.
12.Naquele mesmo dia, Herodes e Pilatos se reconciliaram, pois, antes, viviam inimizados um com o outro.
Jesus outra vez perante Pilatos
13.Então, reunindo Pilatos os principais sacerdotes, as autoridades e o povo,
14.disse-lhes: Apresentastes-me este homem como agitador do povo; mas, tendo-o interrogado na vossa presença, nada verifiquei contra ele dos crimes de que o acusais.
15.Nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar. É, pois, claro que nada contra ele se verificou digno de morte.
16.Portanto, após castigá-lo, soltá-lo-ei.
17.E era-lhe forçoso soltar-lhes um detento por ocasião da festa.
18.Toda a multidão, porém, gritava: Fora com este! Solta-nos Barrabás!
19.Barrabás estava no cárcere por causa de uma sedição na cidade e também por homicídio.
20.Desejando Pilatos soltar a Jesus, insistiu ainda.
21.Eles, porém, mais gritavam: Crucifica-o! Crucifica-o!
22.Então, pela terceira vez, lhes perguntou: Que mal fez este? De fato, nada achei contra ele para condená-lo à morte; portanto, depois de o castigar, soltá-lo-ei.
23.Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E o seu clamor prevaleceu.
24.Então, Pilatos decidiu atender-lhes o pedido.
25.Soltou aquele que estava encarcerado por causa da sedição e do homicídio, a quem eles pediam; e, quanto a Jesus, entregou-o à vontade deles.
Simão leva a cruz de Jesus
26.E, como o conduzissem, constrangendo um cireneu, chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após Jesus.
Jesus rumo ao Calvário
27.Seguia-o numerosa multidão de povo, e também mulheres que batiam no peito e o lamentavam.
28.Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos!
29.Porque dias virão em que se dirá: Bem-aventuradas as estéreis, que não geraram, nem amamentaram.
30.Nesses dias, dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos!
31.Porque, se em lenho verde fazem isto, que será no lenho seco?
32.E também eram levados outros dois, que eram malfeitores, para serem executados com ele.
A crucificação
33.Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda.
34.Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes.
35.O povo estava ali e a tudo observava. Também as autoridades zombavam e diziam: Salvou os outros; a si mesmo se salve, se é, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido.
36.Igualmente os soldados o escarneciam e, aproximando-se, trouxeram-lhe vinagre, dizendo:
37.Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.
38.Também sobre ele estava esta epígrafe em letras gregas, romanas e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEUS.
Os dois malfeitores
39.Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.
40.Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença?
41.Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez.
42.E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.
43.Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
A morte de Jesus
44.Já era quase a hora sexta, e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra até à hora nona.
45.E rasgou-se pelo meio o véu do santuário.
46.Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.
47.Vendo o centurião o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Verdadeiramente, este homem era justo.
48.E todas as multidões reunidas para este espetáculo, vendo o que havia acontecido, retiraram-se a lamentar, batendo nos peitos.
49.Entretanto, todos os conhecidos de Jesus e as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia permaneceram a contemplar de longe estas coisas.
O sepultamento de Jesus
50.E eis que certo homem, chamado José, membro do Sinédrio, homem bom e justo
51.( que não tinha concordado com o desígnio e ação dos outros ), natural de Arimatéia, cidade dos judeus, e que esperava o reino de Deus,
52.tendo procurado a Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus,
53.e, tirando-o do madeiro, envolveu-o num lençol de linho, e o depositou num túmulo aberto em rocha, onde ainda ninguém havia sido sepultado.
54.Era o dia da preparação, e começava o sábado.
55.As mulheres que tinham vindo da Galiléia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado.
56.Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado, descansaram, segundo o mandamento.
A ressurreição de Jesus
1.Mas, no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado.
2.E encontraram a pedra removida do sepulcro;
3.mas, ao entrarem, não acharam o corpo do Senhor Jesus.
4.Aconteceu que, perplexas a esse respeito, apareceram-lhes dois varões com vestes resplandecentes.
5.Estando elas possuídas de temor, baixando os olhos para o chão, eles lhes falaram: Por que buscais entre os mortos ao que vive?
6.Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galiléia,
7.quando disse: Importa que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de pecadores, e seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia.
8.Então, se lembraram das suas palavras.
9.E, voltando do túmulo, anunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os mais que com eles estavam.
10.Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; também as demais que estavam com elas confirmaram estas coisas aos apóstolos.
11.Tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram nelas.
12.Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro. E, abaixando-se, nada mais viu, senão os lençóis de linho; e retirou-se para casa, maravilhado do que havia acontecido.
Os discípulos no caminho de Emaús
13.Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios.
14.E iam conversando a respeito de todas as coisas sucedidas.
15.Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles.
16.Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer.
17.Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos.
18.Um, porém, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias?
19.Ele lhes perguntou: Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo,
20.e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram.
21.Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam.
22.É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo;
23.e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive.
24.De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram.
25.Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!
26.Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?
27.E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.
28.Quando se aproximavam da aldeia para onde iam, fez ele menção de passar adiante.
29.Mas eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E entrou para ficar com eles.
30.E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu;
31.então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles.
32.E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?
33.E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os onze e outros com eles,
34.os quais diziam: O Senhor ressuscitou e já apareceu a Simão!
35.Então, os dois contaram o que lhes acontecera no caminho e como fora por eles reconhecido no partir do pão.
Jesus aparece aos discípulos
36.Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco!
37.Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito.
38.Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração?
39.Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.
40.Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.
41.E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Jesus lhes disse: Tendes aqui alguma coisa que comer?
42.Então, lhe apresentaram um pedaço de peixe assado e um favo de mel.
43.E ele comeu na presença deles.
Jesus explica as Escrituras
44.A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.
45.Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras;
46.e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia
47.e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém.
48.Vós sois testemunhas destas coisas.
49.Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.
A ascensão de Jesus
50.Então, os levou para Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou.
51.Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado para o céu.
52.Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo;
53.e estavam sempre no templo, louvando a Deus.
A encarnação do Verbo
1.No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
2.Ele estava no princípio com Deus.
3.Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.
4.A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.
5.A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.
6.Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João.
7.Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele.
8.Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz,
9.a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem.
10.O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu.
11.Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
12.Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome;
13.os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
14.E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.
O testemunho de João Batista
15.João testemunha a respeito dele e exclama: Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim.
16.Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça.
17.Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.
18.Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.
João Batista repete o seu testemunho
19.Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu?
20.Ele confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo.
21.Então, lhe perguntaram: Quem és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou. És tu o profeta? Respondeu: Não.
22.Disseram-lhe, pois: Declara-nos quem és, para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes a respeito de ti mesmo?
23.Então, ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.
24.Ora, os que haviam sido enviados eram de entre os fariseus.
25.E perguntaram-lhe: Então, por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?
26.Respondeu-lhes João: Eu batizo com água; mas, no meio de vós, está quem vós não conheceis,
27.o qual vem após mim, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias.
28.Estas coisas se passaram em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.
João Batista torna a repetir o seu testemunho
29.No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!
30.É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim.
31.Eu mesmo não o conhecia, mas, a fim de que ele fosse manifestado a Israel, vim, por isso, batizando com água.
O batismo de Jesus
32.E João testemunhou, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele.
33.Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo.
34.Pois eu, de fato, vi e tenho testificado que ele é o Filho de Deus.
Dois discípulos de João Batista seguem Jesus
35.No dia seguinte, estava João outra vez na companhia de dois dos seus discípulos
36.e, vendo Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus!
37.Os dois discípulos, ouvindo-o dizer isto, seguiram Jesus.
38.E Jesus, voltando-se e vendo que o seguiam, disse-lhes: Que buscais? Disseram-lhe: Rabi ( que quer dizer Mestre ), onde assistes?
39.Respondeu-lhes: Vinde e vede. Foram, pois, e viram onde Jesus estava morando; e ficaram com ele aquele dia, sendo mais ou menos a hora décima.
40.Era André, o irmão de Simão Pedro, um dos dois que tinham ouvido o testemunho de João e seguido Jesus.
41.Ele achou primeiro o seu próprio irmão, Simão, a quem disse: Achamos o Messias ( que quer dizer Cristo ),
42.e o levou a Jesus. Olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, o filho de João; tu serás chamado Cefas ( que quer dizer Pedro ).
Filipe e Natanael
43.No dia imediato, resolveu Jesus partir para a Galiléia e encontrou a Filipe, a quem disse: Segue-me.
44.Ora, Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro.
45.Filipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José.
46.Perguntou-lhe Natanael: De Nazaré pode sair alguma coisa boa? Respondeu-lhe Filipe: Vem e vê.
47.Jesus viu Natanael aproximar-se e disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!
48.Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira.
49.Então, exclamou Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!
50.Ao que Jesus lhe respondeu: Porque te disse que te vi debaixo da figueira, crês? Pois maiores coisas do que estas verás.
51.E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.
As bodas em Caná da Galileia
1.Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, achando-se ali a mãe de Jesus.
2.Jesus também foi convidado, com os seus discípulos, para o casamento.
3.Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm mais vinho.
4.Mas Jesus lhe disse: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.
5.Então, ela falou aos serventes: Fazei tudo o que ele vos disser.
6.Estavam ali seis talhas de pedra, que os judeus usavam para as purificações, e cada uma levava duas ou três metretas.
7.Jesus lhes disse: Enchei de água as talhas. E eles as encheram totalmente.
8.Então, lhes determinou: Tirai agora e levai ao mestre-sala. Eles o fizeram.
9.Tendo o mestre-sala provado a água transformada em vinho ( não sabendo donde viera, se bem que o sabiam os serventes que haviam tirado a água ), chamou o noivo
10.e lhe disse: Todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora.
11.Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.
12.Depois disto, desceu ele para Cafarnaum, com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.
Jesus purifica o templo
13.Estando próxima a Páscoa dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém.
14.E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados;
15.tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas
16.e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.
17.Lembraram-se os seus discípulos de que está escrito: O zelo da tua casa me consumirá.
18.Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Que sinal nos mostras, para fazeres estas coisas?
19.Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei.
20.Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás?
21.Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo.
22.Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discípulos de que ele dissera isto; e creram na Escritura e na palavra de Jesus.
Muitos creem em Jesus
23.Estando ele em Jerusalém, durante a Festa da Páscoa, muitos, vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome;
24.mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos.
25.E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana.
Nicodemos visita a Jesus
1.Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus.
2.Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.
3.A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
4.Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?
5.Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.
6.O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.
7.Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.
8.O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.
9.Então, lhe perguntou Nicodemos: Como pode suceder isto? Acudiu Jesus:
10.Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?
11.Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto; contudo, não aceitais o nosso testemunho.
12.Se, tratando de coisas terrenas, não me credes, como crereis, se vos falar das celestiais?
13.Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem que está no céu.
14.E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado,
15.para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.
A missão do Filho
16.Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17.Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
18.Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
19.O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.
20.Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras.
21.Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.
Outro testemunho de João Batista
22.Depois disto, foi Jesus com seus discípulos para a terra da Judéia; ali permaneceu com eles e batizava.
23.Ora, João estava também batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e para lá concorria o povo e era batizado.
24.Pois João ainda não tinha sido encarcerado.
25.Ora, entre os discípulos de João e um judeu suscitou-se uma contenda com respeito à purificação.
26.E foram ter com João e lhe disseram: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, está batizando, e todos lhe saem ao encontro.
27.Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada.
28.Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor.
29.O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim.
30.Convém que ele cresça e que eu diminua.
O Filho em relação ao mundo
31.Quem vem das alturas certamente está acima de todos; quem vem da terra é terreno e fala da terra; quem veio do céu está acima de todos
32.e testifica o que tem visto e ouvido; contudo, ninguém aceita o seu testemunho.
33.Quem, todavia, lhe aceita o testemunho, por sua vez, certifica que Deus é verdadeiro.
34.Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida.
35.O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos.
36.Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.
A mulher de Samaria
1.Quando, pois, o Senhor veio a saber que os fariseus tinham ouvido dizer que ele, Jesus, fazia e batizava mais discípulos que João
2.( se bem que Jesus mesmo não batizava, e sim os seus discípulos ),
3.deixou a Judéia, retirando-se outra vez para a Galiléia.
4.E era-lhe necessário atravessar a província de Samaria.
5.Chegou, pois, a uma cidade samaritana, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José.
6.Estava ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem, assentara-se Jesus junto à fonte, por volta da hora sexta.
7.Nisto, veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.
8.Pois seus discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos.
9.Então, lhe disse a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana ( porque os judeus não se dão com os samaritanos )?
10.Replicou-lhe Jesus: Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.
11.Respondeu-lhe ela: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?
12.És tu, porventura, maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu, e, bem assim, seus filhos, e seu gado?
13.Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede;
14.aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.
15.Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede, nem precise vir aqui buscá-la.
16.Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá;
17.ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido;
18.porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.
A verdadeira adoração
19.Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta.
20.Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.
21.Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.
22.Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
23.Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.
24.Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.
25.Eu sei, respondeu a mulher, que há de vir o Messias, chamado Cristo; quando ele vier, nos anunciará todas as coisas.
26.Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo.
27.Neste ponto, chegaram os seus discípulos e se admiraram de que estivesse falando com uma mulher; todavia, nenhum lhe disse: Que perguntas? Ou: Por que falas com ela?
28.Quanto à mulher, deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens:
29.Vinde comigo e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura, o Cristo?!
30.Saíram, pois, da cidade e vieram ter com ele.
A ceifa e os ceifeiros
31.Nesse ínterim, os discípulos lhe rogavam, dizendo: Mestre, come!
32.Mas ele lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis.
33.Diziam, então, os discípulos uns aos outros: Ter-lhe-ia, porventura, alguém trazido o que comer?
34.Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.
35.Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa.
36.O ceifeiro recebe desde já a recompensa e entesoura o seu fruto para a vida eterna; e, dessarte, se alegram tanto o semeador como o ceifeiro.
37.Pois, no caso, é verdadeiro o ditado: Um é o semeador, e outro é o ceifeiro.
38.Eu vos enviei para ceifar o que não semeastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.
Muitos samaritanos creem em Jesus
39.Muitos samaritanos daquela cidade creram nele, em virtude do testemunho da mulher, que anunciara: Ele me disse tudo quanto tenho feito.
40.Vindo, pois, os samaritanos ter com Jesus, pediam-lhe que permanecesse com eles; e ficou ali dois dias.
41.Muitos outros creram nele, por causa da sua palavra,
42.e diziam à mulher: Já agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo.
Jesus volta à Galileia
43.Passados dois dias, partiu dali para a Galiléia.
44.Porque o mesmo Jesus testemunhou que um profeta não tem honras na sua própria terra.
45.Assim, quando chegou à Galiléia, os galileus o receberam, porque viram todas as coisas que ele fizera em Jerusalém, por ocasião da festa, à qual eles também tinham comparecido.
A cura do filho de um oficial do rei
46.Dirigiu-se, de novo, a Caná da Galiléia, onde da água fizera vinho. Ora, havia um oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum.
47.Tendo ouvido dizer que Jesus viera da Judéia para a Galiléia, foi ter com ele e lhe rogou que descesse para curar seu filho, que estava à morte.
48.Então, Jesus lhe disse: Se, porventura, não virdes sinais e prodígios, de modo nenhum crereis.
49.Rogou-lhe o oficial: Senhor, desce, antes que meu filho morra.
50.Vai, disse-lhe Jesus; teu filho vive. O homem creu na palavra de Jesus e partiu.
51.Já ele descia, quando os seus servos lhe vieram ao encontro, anunciando-lhe que o seu filho vivia.
52.Então, indagou deles a que hora o seu filho se sentira melhor. Informaram: Ontem, à hora sétima a febre o deixou.
53.Com isto, reconheceu o pai ser aquela precisamente a hora em que Jesus lhe dissera: Teu filho vive; e creu ele e toda a sua casa.
54.Foi este o segundo sinal que fez Jesus, depois de vir da Judéia para a Galiléia.
A cura de um paralítico
1.Passadas estas coisas, havia uma festa dos judeus, e Jesus subiu para Jerusalém.
2.Ora, existe ali, junto à Porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, o qual tem cinco pavilhões.
3.Nestes, jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos, paralíticos
4.esperando que se movesse a água. Porquanto um anjo descia em certo tempo, agitando-a; e o primeiro que entrava no tanque, uma vez agitada a água, sarava de qualquer doença que tivesse.
5.Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos.
6.Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim há muito tempo, perguntou-lhe: Queres ser curado?
7.Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; pois, enquanto eu vou, desce outro antes de mim.
8.Então, lhe disse Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda.
9.Imediatamente, o homem se viu curado e, tomando o leito, pôs-se a andar. E aquele dia era sábado.
10.Por isso, disseram os judeus ao que fora curado: Hoje é sábado, e não te é lícito carregar o leito.
11.Ao que ele lhes respondeu: O mesmo que me curou me disse: Toma o teu leito e anda.
12.Perguntaram-lhe eles: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda?
13.Mas o que fora curado não sabia quem era; porque Jesus se havia retirado, por haver muita gente naquele lugar.
14.Mais tarde, Jesus o encontrou no templo e lhe disse: Olha que já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior.
15.O homem retirou-se e disse aos judeus que fora Jesus quem o havia curado.
16.E os judeus perseguiam Jesus, porque fazia estas coisas no sábado.
17.Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.
18.Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.
Jesus explica a sua missão
19.Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz.
20.Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra tudo o que faz, e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis.
21.Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer.
22.E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo julgamento,
23.a fim de que todos honrem o Filho do modo por que honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou.
24.Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.
25.Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão.
26.Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo.
27.E lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem.
28.Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão:
29.os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.
30.Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou.
31.Se eu testifico a respeito de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro.
32.Outro é o que testifica a meu respeito, e sei que é verdadeiro o testemunho que ele dá de mim.
33.Mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade.
34.Eu, porém, não aceito humano testemunho; digo-vos, entretanto, estas coisas para que sejais salvos.
35.Ele era a lâmpada que ardia e alumiava, e vós quisestes, por algum tempo, alegrar-vos com a sua luz.
36.Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me confiou para que eu as realizasse, essas que eu faço testemunham a meu respeito de que o Pai me enviou.
37.O Pai, que me enviou, esse mesmo é que tem dado testemunho de mim. Jamais tendes ouvido a sua voz, nem visto a sua forma.
38.Também não tendes a sua palavra permanente em vós, porque não credes naquele a quem ele enviou.
39.Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim.
40.Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida.
41.Eu não aceito glória que vem dos homens;
42.sei, entretanto, que não tendes em vós o amor de Deus.
43.Eu vim em nome de meu Pai, e não me recebeis; se outro vier em seu próprio nome, certamente, o recebereis.
44.Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros e, contudo, não procurais a glória que vem do Deus único?
45.Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes firmado a vossa confiança.
46.Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito.
47.Se, porém, não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?
A multiplicação de pães e peixes
1.Depois destas coisas, atravessou Jesus o mar da Galiléia, que é o de Tiberíades.
2.Seguia-o numerosa multidão, porque tinham visto os sinais que ele fazia na cura dos enfermos.
3.Então, subiu Jesus ao monte e assentou-se ali com os seus discípulos.
4.Ora, a Páscoa, festa dos judeus, estava próxima.
5.Então, Jesus, erguendo os olhos e vendo que grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pães para lhes dar a comer?
6.Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que estava para fazer.
7.Respondeu-lhe Filipe: Não lhes bastariam duzentos denários de pão, para receber cada um o seu pedaço.
8.Um de seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, informou a Jesus:
9.Está aí um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas isto que é para tanta gente?
10.Disse Jesus: Fazei o povo assentar-se; pois havia naquele lugar muita relva. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil.
11.Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os entre eles; e também igualmente os peixes, quanto queriam.
12.E, quando já estavam fartos, disse Jesus aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.
13.Assim, pois, o fizeram e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobraram aos que haviam comido.
14.Vendo, pois, os homens o sinal que Jesus fizera, disseram: Este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo.
15.Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte.
Jesus anda por sobre o mar
16.Ao descambar o dia, os seus discípulos desceram para o mar.
17.E, tomando um barco, passaram para o outro lado, rumo a Cafarnaum. Já se fazia escuro, e Jesus ainda não viera ter com eles.
18.E o mar começava a empolar-se, agitado por vento rijo que soprava.
19.Tendo navegado uns vinte e cinco a trinta estádios, eis que viram Jesus andando por sobre o mar, aproximando-se do barco; e ficaram possuídos de temor.
20.Mas Jesus lhes disse: Sou eu. Não temais!
21.Então, eles, de bom grado, o receberam, e logo o barco chegou ao seu destino.
Jesus, o pão da vida
22.No dia seguinte, a multidão que ficara do outro lado do mar notou que ali não havia senão um pequeno barco e que Jesus não embarcara nele com seus discípulos, tendo estes partido sós.
23.Entretanto, outros barquinhos chegaram de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, tendo o Senhor dado graças.
24.Quando, pois, viu a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, tomaram os barcos e partiram para Cafarnaum à sua procura.
25.E, tendo-o encontrado no outro lado do mar, lhe perguntaram: Mestre, quando chegaste aqui?
26.Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes.
27.Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo.
28.Dirigiram-se, pois, a ele, perguntando: Que faremos para realizar as obras de Deus?
29.Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado.
30.Então, lhe disseram eles: Que sinal fazes para que o vejamos e creiamos em ti? Quais são os teus feitos?
31.Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer pão do céu.
32.Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu; o verdadeiro pão do céu é meu Pai quem vos dá.
33.Porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo.
34.Então, lhe disseram: Senhor, dá-nos sempre desse pão.
35.Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.
36.Porém eu já vos disse que, embora me tenhais visto, não credes.
37.Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.
38.Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou.
39.E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia.
40.De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
A murmuração dos judeus
41.Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.
42.E diziam: Não é este Jesus, o filho de José? Acaso, não lhe conhecemos o pai e a mãe? Como, pois, agora diz: Desci do céu?
43.Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós.
44.Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
45.Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim.
46.Não que alguém tenha visto o Pai, salvo aquele que vem de Deus; este o tem visto.
47.Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.
49.Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram.
50.Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça.
51.Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.
52.Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne?
53.Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos.
54.Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.
55.Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida.
56.Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele.
57.Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá.
58.Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente.
59.Estas coisas disse Jesus, quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum.
Os discípulos escandalizados
60.Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?
61.Mas Jesus, sabendo por si mesmo que eles murmuravam a respeito de suas palavras, interpelou-os: Isto vos escandaliza?
62.Que será, pois, se virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava?
63.O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.
64.Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair.
65.E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido.
Muitos discípulos se retiram
66.À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele.
67.Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?
68.Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna;
69.e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.
70.Replicou-lhes Jesus: Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo, um de vós é diabo.
71.Referia-se ele a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era quem estava para traí-lo, sendo um dos doze.
A incredulidade dos irmãos de Jesus
1.Passadas estas coisas, Jesus andava pela Galiléia, porque não desejava percorrer a Judéia, visto que os judeus procuravam matá-lo.
2.Ora, a festa dos judeus, chamada de Festa dos Tabernáculos, estava próxima.
3.Dirigiram-se, pois, a ele os seus irmãos e lhe disseram: Deixa este lugar e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes.
4.Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.
5.Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele.
6.Disse-lhes, pois, Jesus: O meu tempo ainda não chegou, mas o vosso sempre está presente.
7.Não pode o mundo odiar-vos, mas a mim me odeia, porque eu dou testemunho a seu respeito de que as suas obras são más.
8.Subi vós outros à festa; eu, por enquanto, não subo, porque o meu tempo ainda não está cumprido.
9.Disse-lhes Jesus estas coisas e continuou na Galiléia.
Jesus na Festa dos Tabernáculos
10.Mas, depois que seus irmãos subiram para a festa, então, subiu ele também, não publicamente, mas em oculto.
11.Ora, os judeus o procuravam na festa e perguntavam: Onde estará ele?
12.E havia grande murmuração a seu respeito entre as multidões. Uns diziam: Ele é bom. E outros: Não, antes, engana o povo.
13.Entretanto, ninguém falava dele abertamente, por ter medo dos judeus.
A controvérsia entre Jesus e os judeus
14.Corria já em meio a festa, e Jesus subiu ao templo e ensinava.
15.Então, os judeus se maravilhavam e diziam: Como sabe este letras, sem ter estudado?
16.Respondeu-lhes Jesus: O meu ensino não é meu, e sim daquele que me enviou.
17.Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo.
18.Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há injustiça.
19.Não vos deu Moisés a lei? Contudo, ninguém dentre vós a observa. Por que procurais matar-me?
20.Respondeu a multidão: Tens demônio. Quem é que procura matar-te?
21.Replicou-lhes Jesus: Um só feito realizei, e todos vos admirais.
22.Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão ( se bem que ela não vem dele, mas dos patriarcas ), no sábado circuncidais um homem.
23.E, se o homem pode ser circuncidado em dia de sábado, para que a lei de Moisés não seja violada, por que vos indignais contra mim, pelo fato de eu ter curado, num sábado, ao todo, um homem?
24.Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça.
Os guardas mandados para prender Jesus
25.Diziam alguns de Jerusalém: Não é este aquele a quem procuram matar?
26.Eis que ele fala abertamente, e nada lhe dizem. Porventura, reconhecem verdadeiramente as autoridades que este é, de fato, o Cristo?
27.Nós, todavia, sabemos donde este é; quando, porém, vier o Cristo, ninguém saberá donde ele é.
28.Jesus, pois, enquanto ensinava no templo, clamou, dizendo: Vós não somente me conheceis, mas também sabeis donde eu sou; e não vim porque eu, de mim mesmo, o quisesse, mas aquele que me enviou é verdadeiro, aquele a quem vós não conheceis.
29.Eu o conheço, porque venho da parte dele e fui por ele enviado.
30.Então, procuravam prendê-lo; mas ninguém lhe pôs a mão, porque ainda não era chegada a sua hora.
31.E, contudo, muitos de entre a multidão creram nele e diziam: Quando vier o Cristo, fará, porventura, maiores sinais do que este homem tem feito?
32.Os fariseus, ouvindo a multidão murmurar estas coisas a respeito dele, juntamente com os principais sacerdotes enviaram guardas para o prenderem.
33.Disse-lhes Jesus: Ainda por um pouco de tempo estou convosco e depois irei para junto daquele que me enviou.
34.Haveis de procurar-me e não me achareis; também aonde eu estou, vós não podeis ir.
35.Disseram, pois, os judeus uns aos outros: Para onde irá este que não o possamos achar? Irá, porventura, para a Dispersão entre os gregos, com o fim de os ensinar?
36.Que significa, de fato, o que ele diz: Haveis de procurar-me e não me achareis; também aonde eu estou, vós não podeis ir?
Jesus, a fonte da água viva
37.No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.
38.Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
39.Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.
40.Então, os que dentre o povo tinham ouvido estas palavras diziam: Este é verdadeiramente o profeta;
41.outros diziam: Ele é o Cristo; outros, porém, perguntavam: Porventura, o Cristo virá da Galiléia?
42.Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi e da aldeia de Belém, donde era Davi?
43.Assim, houve uma dissensão entre o povo por causa dele;
44.alguns dentre eles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos.
Os guardas voltam sem Jesus
45.Voltaram, pois, os guardas à presença dos principais sacerdotes e fariseus, e estes lhes perguntaram: Por que não o trouxestes?
46.Responderam eles: Jamais alguém falou como este homem.
47.Replicaram-lhes, pois, os fariseus: Será que também vós fostes enganados?
48.Porventura, creu nele alguém dentre as autoridades ou algum dos fariseus?
49.Quanto a esta plebe que nada sabe da lei, é maldita.
50.Nicodemos, um deles, que antes fora ter com Jesus, perguntou-lhes:
51.Acaso, a nossa lei julga um homem, sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele fez?
52.Responderam eles: Dar-se-á o caso de que também tu és da Galiléia? Examina e verás que da Galiléia não se levanta profeta.
53.E cada um foi para sua casa.
A mulher adúltera
1.Jesus, entretanto, foi para o monte das Oliveiras.
2.De madrugada, voltou novamente para o templo, e todo o povo ia ter com ele; e, assentado, os ensinava.
3.Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos,
4.disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério.
5.E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?
6.Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo.
7.Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.
8.E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.
9.Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava.
10.Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?
11.Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.
Jesus, a luz do mundo
12.De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.
13.Então, lhe objetaram os fariseus: Tu dás testemunho de ti mesmo; logo, o teu testemunho não é verdadeiro.
14.Respondeu Jesus e disse-lhes: Posto que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei donde vim e para onde vou; mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou.
15.Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo.
16.Se eu julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, porém eu e aquele que me enviou.
17.Também na vossa lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro.
18.Eu testifico de mim mesmo, e o Pai, que me enviou, também testifica de mim.
19.Então, eles lhe perguntaram: Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Não me conheceis a mim nem a meu Pai; se conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai.
20.Proferiu ele estas palavras no lugar do gazofilácio, quando ensinava no templo; e ninguém o prendeu, porque não era ainda chegada a sua hora.
Jesus defende a sua missão e autoridade
21.De outra feita, lhes falou, dizendo: Vou retirar-me, e vós me procurareis, mas perecereis no vosso pecado; para onde eu vou vós não podeis ir.
22.Então, diziam os judeus: Terá ele, acaso, a intenção de suicidar-se? Porque diz: Para onde eu vou vós não podeis ir.
23.E prosseguiu: Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, eu deste mundo não sou.
24.Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque, se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados.
25.Então, lhe perguntaram: Quem és tu? Respondeu-lhes Jesus: Que é que desde o princípio vos tenho dito?
26.Muitas coisas tenho para dizer a vosso respeito e vos julgar; porém aquele que me enviou é verdadeiro, de modo que as coisas que dele tenho ouvido, essas digo ao mundo.
27.Eles, porém, não atinaram que lhes falava do Pai.
28.Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do Homem, então, sabereis que EU SOU e que nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou.
29.E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada.
30.Ditas estas coisas, muitos creram nele.
31.Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos;
32.e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
33.Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres?
34.Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado.
35.O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre.
36.Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.
37.Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não está em vós.
38.Eu falo das coisas que vi junto de meu Pai; vós, porém, fazeis o que vistes em vosso pai.
39.Então, lhe responderam: Nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão.
40.Mas agora procurais matar-me, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus; assim não procedeu Abraão.
41.Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe eles: Nós não somos bastardos; temos um pai, que é Deus.
42.Replicou-lhes Jesus: Se Deus fosse, de fato, vosso pai, certamente, me havíeis de amar; porque eu vim de Deus e aqui estou; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou.
43.Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra.
44.Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.
45.Mas, porque eu digo a verdade, não me credes.
46.Quem dentre vós me convence de pecado? Se vos digo a verdade, por que razão não me credes?
47.Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus.
48.Responderam, pois, os judeus e lhe disseram: Porventura, não temos razão em dizer que és samaritano e tens demônio?
49.Replicou Jesus: Eu não tenho demônio; pelo contrário, honro a meu Pai, e vós me desonrais.
50.Eu não procuro a minha própria glória; há quem a busque e julgue.
51.Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, não verá a morte, eternamente.
52.Disseram-lhe os judeus: Agora, estamos certos de que tens demônio. Abraão morreu, e também os profetas, e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, não provará a morte, eternamente.
53.És maior do que Abraão, o nosso pai, que morreu? Também os profetas morreram. Quem, pois, te fazes ser?
54.Respondeu Jesus: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória nada é; quem me glorifica é meu Pai, o qual vós dizeis que é vosso Deus.
55.Entretanto, vós não o tendes conhecido; eu, porém, o conheço. Se eu disser que não o conheço, serei como vós: mentiroso; mas eu o conheço e guardo a sua palavra.
56.Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver o meu dia, viu-o e regozijou-se.
57.Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos e viste Abraão?
58.Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU.
59.Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo.
A cura de um cego de nascença
1.Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença.
2.E os seus discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
3.Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus.
4.É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.
5.Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.
6.Dito isso, cuspiu na terra e, tendo feito lodo com a saliva, aplicou-o aos olhos do cego,
7.dizendo-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé ( que quer dizer Enviado ). Ele foi, lavou-se e voltou vendo.
8.Então, os vizinhos e os que dantes o conheciam de vista, como mendigo, perguntavam: Não é este o que estava assentado pedindo esmolas?
9.Uns diziam: É ele. Outros: Não, mas se parece com ele. Ele mesmo, porém, dizia: Sou eu.
10.Perguntaram-lhe, pois: Como te foram abertos os olhos?
11.Respondeu ele: O homem chamado Jesus fez lodo, untou-me os olhos e disse-me: Vai ao tanque de Siloé e lava-te. Então, fui, lavei-me e estou vendo.
12.Disseram-lhe, pois: Onde está ele? Respondeu: Não sei.
Os fariseus interrogam o cego
13.Levaram, pois, aos fariseus o que dantes fora cego.
14.E era sábado o dia em que Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.
15.Então, os fariseus, por sua vez, lhe perguntaram como chegara a ver; ao que lhes respondeu: Aplicou lodo aos meus olhos, lavei-me e estou vendo.
16.Por isso, alguns dos fariseus diziam: Esse homem não é de Deus, porque não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tamanhos sinais? E houve dissensão entre eles.
17.De novo, perguntaram ao cego: Que dizes tu a respeito dele, visto que te abriu os olhos? Que é profeta, respondeu ele.
18.Não acreditaram os judeus que ele fora cego e que agora via, enquanto não lhe chamaram os pais
19.e os interrogaram: É este o vosso filho, de quem dizeis que nasceu cego? Como, pois, vê agora?
20.Então, os pais responderam: Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego;
21.mas não sabemos como vê agora; ou quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Perguntai a ele, idade tem; falará de si mesmo.
22.Isto disseram seus pais porque estavam com medo dos judeus; pois estes já haviam assentado que, se alguém confessasse ser Jesus o Cristo, fosse expulso da sinagoga.
23.Por isso, é que disseram os pais: Ele idade tem, interrogai-o.
24.Então, chamaram, pela segunda vez, o homem que fora cego e lhe disseram: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.
25.Ele retrucou: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego e agora vejo.
26.Perguntaram-lhe, pois: Que te fez ele? como te abriu os olhos?
27.Ele lhes respondeu: Já vo-lo disse, e não atendestes; por que quereis ouvir outra vez? Porventura, quereis vós também tornar-vos seus discípulos?
28.Então, o injuriaram e lhe disseram: Discípulo dele és tu; mas nós somos discípulos de Moisés.
29.Sabemos que Deus falou a Moisés; mas este nem sabemos donde é.
30.Respondeu-lhes o homem: Nisto é de estranhar que vós não saibais donde ele é, e, contudo, me abriu os olhos.
31.Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende.
32.Desde que há mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.
33.Se este homem não fosse de Deus, nada poderia ter feito.
34.Mas eles retrucaram: Tu és nascido todo em pecado e nos ensinas a nós? E o expulsaram.
Jesus revela-se ao cego
35.Ouvindo Jesus que o tinham expulsado, encontrando-o, lhe perguntou: Crês tu no Filho do Homem?
36.Ele respondeu e disse: Quem é, Senhor, para que eu nele creia?
37.E Jesus lhe disse: Já o tens visto, e é o que fala contigo.
38.Então, afirmou ele: Creio, Senhor; e o adorou.
39.Prosseguiu Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos.
40.Alguns dentre os fariseus que estavam perto dele perguntaram-lhe: Acaso, também nós somos cegos?
41.Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado.
Jesus, o bom pastor
1.Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador.
2.Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas.
3.Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora.
4.Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz;
5.mas de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.
6.Jesus lhes propôs esta parábola, mas eles não compreenderam o sentido daquilo que lhes falava.
7.Jesus, pois, lhes afirmou de novo: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas.
8.Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não lhes deram ouvido.
9.Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem.
10.O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.
11.Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.
12.O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa.
13.O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas.
14.Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim,
15.assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.
16.Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor.
17.Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir.
18.Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai.
Nova dissensão entre os judeus
19.Por causa dessas palavras, rompeu nova dissensão entre os judeus.
20.Muitos deles diziam: Ele tem demônio e enlouqueceu; por que o ouvis?
21.Outros diziam: Este modo de falar não é de endemoninhado; pode, porventura, um demônio abrir os olhos aos cegos?
A Festa da Dedicação. Jesus é interrogado
22.Celebrava-se em Jerusalém a Festa da Dedicação. Era inverno.
23.Jesus passeava no templo, no Pórtico de Salomão.
24.Rodearam-no, pois, os judeus e o interpelaram: Até quando nos deixarás a mente em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-o francamente.
25.Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito.
26.Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.
27.As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.
28.Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.
29.Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.
31.Novamente, pegaram os judeus em pedras para lhe atirar.
32.Disse-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte do Pai; por qual delas me apedrejais?
33.Responderam-lhe os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.
34.Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses?
35.Se ele chamou deuses àqueles a quem foi dirigida a palavra de Deus, e a Escritura não pode falhar,
36.então, daquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, dizeis: Tu blasfemas; porque declarei: sou Filho de Deus?
37.Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis;
38.mas, se faço, e não me credes, crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai.
39.Nesse ponto, procuravam, outra vez, prendê-lo; mas ele se livrou das suas mãos.
40.Novamente, se retirou para além do Jordão, para o lugar onde João batizava no princípio; e ali permaneceu.
41.E iam muitos ter com ele e diziam: Realmente, João não fez nenhum sinal, porém tudo quanto disse a respeito deste era verdade.
42.E muitos ali creram nele.
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