Desafio dos 90 dias

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As instruções para os doze
1.Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas.
2.Também os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos.
3.E disse-lhes: Nada leveis para o caminho: nem bordão, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; nem deveis ter duas túnicas.
4.Na casa em que entrardes, ali permanecei e dali saireis.
5.E onde quer que não vos receberem, ao sairdes daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra eles.
6.Então, saindo, percorriam todas as aldeias, anunciando o evangelho e efetuando curas por toda parte.
Herodes e João Batista
7.Ora, o tetrarca Herodes soube de tudo o que se passava e ficou perplexo, porque alguns diziam: João ressuscitou dentre os mortos;
8.outros: Elias apareceu; e outros: Ressurgiu um dos antigos profetas.
9.Herodes, porém, disse: Eu mandei decapitar a João; quem é, pois, este a respeito do qual tenho ouvido tais coisas? E se esforçava por vê-lo.
A primeira multiplicação de pães e peixes
10.Ao regressarem, os apóstolos relataram a Jesus tudo o que tinham feito. E, levando-os consigo, retirou-se à parte para uma cidade chamada Betsaida.
11.Mas as multidões, ao saberem, seguiram-no. Acolhendo-as, falava-lhes a respeito do reino de Deus e socorria os que tinham necessidade de cura.
12.Mas o dia começava a declinar. Então, se aproximaram os doze e lhe disseram: Despede a multidão, para que, indo às aldeias e campos circunvizinhos, se hospedem e achem alimento; pois estamos aqui em lugar deserto.
13.Ele, porém, lhes disse: Dai-lhes vós mesmos de comer. Responderam eles: Não temos mais que cinco pães e dois peixes, salvo se nós mesmos formos comprar comida para todo este povo.
14.Porque estavam ali cerca de cinco mil homens. Então, disse aos seus discípulos: Fazei-os sentar-se em grupos de cinqüenta.
15.Eles atenderam, acomodando a todos.
16.E, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos para o céu, os abençoou, partiu e deu aos discípulos para que os distribuíssem entre o povo.
17.Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que ainda sobejaram foram recolhidos doze cestos.
A confissão de Pedro. Jesus prediz a própria morte
18.Estando ele orando à parte, achavam-se presentes os discípulos, a quem perguntou: Quem dizem as multidões que sou eu?
19.Responderam eles: João Batista, mas outros, Elias; e ainda outros dizem que ressurgiu um dos antigos profetas.
20.Mas vós, perguntou ele, quem dizeis que eu sou? Então, falou Pedro e disse: És o Cristo de Deus.
21.Ele, porém, advertindo-os, mandou que a ninguém declarassem tal coisa,
22.dizendo: É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e, no terceiro dia, ressuscite.
O discípulo de Jesus deve levar a sua cruz
23.Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.
24.Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará.
25.Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo?
26.Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos.
27.Verdadeiramente, vos digo: alguns há dos que aqui se encontram que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam o reino de Deus.
A transfiguração
28.Cerca de oito dias depois de proferidas estas palavras, tomando consigo a Pedro, João e Tiago, subiu ao monte com o propósito de orar.
29.E aconteceu que, enquanto ele orava, a aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura.
30.Eis que dois varões falavam com ele: Moisés e Elias,
31.os quais apareceram em glória e falavam da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém.
32.Pedro e seus companheiros achavam-se premidos de sono; mas, conservando-se acordados, viram a sua glória e os dois varões que com ele estavam.
33.Ao se retirarem estes de Jesus, disse-lhe Pedro: Mestre, bom é estarmos aqui; então, façamos três tendas: uma será tua, outra, de Moisés, e outra, de Elias, não sabendo, porém, o que dizia.
34.Enquanto assim falava, veio uma nuvem e os envolveu; e encheram-se de medo ao entrarem na nuvem.
35.E dela veio uma voz, dizendo: Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi.
36.Depois daquela voz, achou-se Jesus sozinho. Eles calaram-se e, naqueles dias, a ninguém contaram coisa alguma do que tinham visto.
A cura de um jovem possesso
37.No dia seguinte, ao descerem eles do monte, veio ao encontro de Jesus grande multidão.
38.E eis que, dentre a multidão, surgiu um homem, dizendo em alta voz: Mestre, suplico-te que vejas meu filho, porque é o único;
39.um espírito se apodera dele, e, de repente, o menino grita, e o espírito o atira por terra, convulsiona-o até espumar; e dificilmente o deixa, depois de o ter quebrantado.
40.Roguei aos teus discípulos que o expelissem, mas eles não puderam.
41.Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco e vos sofrerei? Traze o teu filho.
42.Quando se ia aproximando, o demônio o atirou no chão e o convulsionou; mas Jesus repreendeu o espírito imundo, curou o menino e o entregou a seu pai.
43.E todos ficaram maravilhados ante a majestade de Deus. Como todos se maravilhassem de quanto Jesus fazia, disse aos seus discípulos:
De novo prediz Jesus a sua morte
44.Fixai nos vossos ouvidos as seguintes palavras: o Filho do Homem está para ser entregue nas mãos dos homens.
45.Eles, porém, não entendiam isto, e foi-lhes encoberto para que o não compreendessem; e temiam interrogá-lo a este respeito.
O maior no reino dos céus
46.Levantou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior.
47.Mas Jesus, sabendo o que se lhes passava no coração, tomou uma criança, colocou-a junto a si
48.e lhes disse: Quem receber esta criança em meu nome a mim me recebe; e quem receber a mim recebe aquele que me enviou; porque aquele que entre vós for o menor de todos, esse é que é grande.
Jesus ensina a tolerância e a caridade
49.Falou João e disse: Mestre, vimos certo homem que, em teu nome, expelia demônios e lho proibimos, porque não segue conosco.
50.Mas Jesus lhe disse: Não proibais; pois quem não é contra vós outros é por vós.
Os samaritanos não recebem Jesus
51.E aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém
52.e enviou mensageiros que o antecedessem. Indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos para lhe preparar pousada.
53.Mas não o receberam, porque o aspecto dele era de quem, decisivamente, ia para Jerusalém.
54.Vendo isto, os discípulos Tiago e João perguntaram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir?
55.Jesus, porém, voltando-se os repreendeu e disse: Vós não sabeis de que espírito sois.
56.Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E seguiram para outra aldeia.
Jesus põe à prova os que queriam segui-lo
57.Indo eles caminho fora, alguém lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que fores.
58.Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
59.A outro disse Jesus: Segue-me! Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai.
60.Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus.
61.Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa.
62.Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus.
A missão dos setenta
1.Depois disto, o Senhor designou outros setenta; e os enviou de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir.
2.E lhes fez a seguinte advertência: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
3.Ide! Eis que eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.
4.Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias; e a ninguém saudeis pelo caminho.
5.Ao entrardes numa casa, dizei antes de tudo: Paz seja nesta casa!
6.Se houver ali um filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; se não houver, ela voltará sobre vós.
7.Permanecei na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem; porque digno é o trabalhador do seu salário. Não andeis a mudar de casa em casa.
8.Quando entrardes numa cidade e ali vos receberem, comei do que vos for oferecido.
9.Curai os enfermos que nela houver e anunciai-lhes: A vós outros está próximo o reino de Deus.
10.Quando, porém, entrardes numa cidade e não vos receberem, saí pelas ruas e clamai:
11.Até o pó da vossa cidade, que se nos pegou aos pés, sacudimos contra vós outros. Não obstante, sabei que está próximo o reino de Deus.
12.Digo-vos que, naquele dia, haverá menos rigor para Sodoma do que para aquela cidade.
Ai das cidades impenitentes!
13.Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom, se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido, assentadas em pano de saco e cinza.
14.Contudo, no Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras.
15.Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno.
16.Quem vos der ouvidos ouve-me a mim; e quem vos rejeitar a mim me rejeita; quem, porém, me rejeitar rejeita aquele que me enviou.
O regresso dos setenta
17.Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome!
18.Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago.
19.Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano.
20.Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus.
Jesus, o Salvador dos humildes
21.Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.
22.Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai; e também ninguém sabe quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
23.E, voltando-se para os seus discípulos, disse-lhes particularmente: Bem-aventurados os olhos que vêem as coisas que vós vedes.
24.Pois eu vos afirmo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não o ouviram.
O bom samaritano
25.E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
26.Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas?
27.A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
28.Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás.
29.Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo?
30.Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto.
31.Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo.
32.Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo.
33.Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele.
34.E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele.
35.No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar.
36.Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?
37.Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo.
Marta e Maria
38.Indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa.
39.Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos.
40.Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então, se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me.
41.Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas.
42.Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.
A oração dominical
1.De uma feita, estava Jesus orando em certo lugar; quando terminou, um dos seus discípulos lhe pediu: Senhor, ensina-nos a orar como também João ensinou aos seus discípulos.
2.Então, ele os ensinou: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu reino;
3.o pão nosso cotidiano dá-nos de dia em dia;
4.perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo o que nos deve; e não nos deixes cair em tentação.
A parábola do amigo importuno
5.Disse-lhes ainda Jesus: Qual dentre vós, tendo um amigo, e este for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,
6.pois um meu amigo, chegando de viagem, procurou-me, e eu nada tenho que lhe oferecer.
7.E o outro lhe responda lá de dentro, dizendo: Não me importunes; a porta já está fechada, e os meus filhos comigo também já estão deitados. Não posso levantar-me para tos dar;
8.digo-vos que, se não se levantar para dar-lhos por ser seu amigo, todavia, o fará por causa da importunação e lhe dará tudo o de que tiver necessidade.
Jesus incita a orar
9.Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.
10.Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á.
11.Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra?
12.Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião?
13.Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?
A cura de um endemoninhado mudo. A blasfêmia dos fariseus. Jesus se defende
14.De outra feita, estava Jesus expelindo um demônio que era mudo. E aconteceu que, ao sair o demônio, o mudo passou a falar; e as multidões se admiravam.
15.Mas alguns dentre eles diziam: Ora, ele expele os demônios pelo poder de Belzebu, o maioral dos demônios.
16.E outros, tentando-o, pediam dele um sinal do céu.
17.E, sabendo ele o que se lhes passava pelo espírito, disse-lhes: Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e casa sobre casa cairá.
18.Se também Satanás estiver dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Isto, porque dizeis que eu expulso os demônios por Belzebu.
19.E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes.
20.Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente, é chegado o reino de Deus sobre vós.
21.Quando o valente, bem armado, guarda a sua própria casa, ficam em segurança todos os seus bens.
22.Sobrevindo, porém, um mais valente do que ele, vence-o, tira-lhe a armadura em que confiava e lhe divide os despojos.
23.Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.
A estratégia de Satanás
24.Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, procurando repouso; e, não o achando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí.
25.E, tendo voltado, a encontra varrida e ornamentada.
26.Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem se torna pior do que o primeiro.
A exclamação de uma mulher
27.Ora, aconteceu que, ao dizer Jesus estas palavras, uma mulher, que estava entre a multidão, exclamou e disse-lhe: Bem-aventurada aquela que te concebeu, e os seios que te amamentaram!
28.Ele, porém, respondeu: Antes, bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!
O sinal de Jonas
29.Como afluíssem as multidões, passou Jesus a dizer: Esta é geração perversa! Pede sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas.
30.Porque, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, o Filho do Homem o será para esta geração.
31.A rainha do Sul se levantará, no Juízo, com os homens desta geração e os condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão.
32.Ninivitas se levantarão, no Juízo, com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior do que Jonas.
A parábola da candeia
33.Ninguém, depois de acender uma candeia, a põe em lugar escondido, nem debaixo do alqueire, mas no velador, a fim de que os que entram vejam a luz.
34.São os teus olhos a lâmpada do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, se forem maus, o teu corpo ficará em trevas.
35.Repara, pois, que a luz que há em ti não sejam trevas.
36.Se, portanto, todo o teu corpo for luminoso, sem ter qualquer parte em trevas, será todo resplandecente como a candeia quando te ilumina em plena luz.
Jesus censura os fariseus
37.Ao falar Jesus estas palavras, um fariseu o convidou para ir comer com ele; então, entrando, tomou lugar à mesa.
38.O fariseu, porém, admirou-se ao ver que Jesus não se lavara primeiro, antes de comer.
39.O Senhor, porém, lhe disse: Vós, fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e perversidade.
40.Insensatos! Quem fez o exterior não é o mesmo que fez o interior?
41.Antes, dai esmola do que tiverdes, e tudo vos será limpo.
42.Mas ai de vós, fariseus! Porque dais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças e desprezais a justiça e o amor de Deus; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas.
43.Ai de vós, fariseus! Porque gostais da primeira cadeira nas sinagogas e das saudações nas praças.
44.Ai de vós que sois como as sepulturas invisíveis, sobre as quais os homens passam sem o saber!
Ai dos intérpretes da Lei!
45.Então, respondendo um dos intérpretes da Lei, disse a Jesus: Mestre, dizendo estas coisas, também nos ofendes a nós outros!
46.Mas ele respondeu: Ai de vós também, intérpretes da Lei! Porque sobrecarregais os homens com fardos superiores às suas forças, mas vós mesmos nem com um dedo os tocais.
47.Ai de vós! Porque edificais os túmulos dos profetas que vossos pais assassinaram.
48.Assim, sois testemunhas e aprovais com cumplicidade as obras dos vossos pais; porque eles mataram os profetas, e vós lhes edificais os túmulos.
49.Por isso, também disse a sabedoria de Deus: Enviar-lhes-ei profetas e apóstolos, e a alguns deles matarão e a outros perseguirão,
50.para que desta geração se peçam contas do sangue dos profetas, derramado desde a fundação do mundo;
51.desde o sangue de Abel até ao de Zacarias, que foi assassinado entre o altar e a casa de Deus. Sim, eu vos afirmo, contas serão pedidas a esta geração.
52.Ai de vós, intérpretes da Lei! Porque tomastes a chave da ciência; contudo, vós mesmos não entrastes e impedistes os que estavam entrando.
O plano para tirar a vida de Jesus
53.Saindo Jesus dali, passaram os escribas e fariseus a argüi-lo com veemência, procurando confundi-lo a respeito de muitos assuntos,
54.com o intuito de tirar das suas próprias palavras motivos para o acusar.
O fermento dos fariseus. Algumas admoestações
1.Posto que miríades de pessoas se aglomeraram, a ponto de uns aos outros se atropelarem, passou Jesus a dizer, antes de tudo, aos seus discípulos: Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.
2.Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido.
3.Porque tudo o que dissestes às escuras será ouvido em plena luz; e o que dissestes aos ouvidos no interior da casa será proclamado dos eirados.
4.Digo-vos, pois, amigos meus: não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer.
5.Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer.
6.Não se vendem cinco pardais por dois asses? Entretanto, nenhum deles está em esquecimento diante de Deus.
7.Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos pardais.
8.Digo-vos ainda: todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do Homem o confessará diante dos anjos de Deus;
9.mas o que me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus.
10.Todo aquele que proferir uma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; mas, para o que blasfemar contra o Espírito Santo, não haverá perdão.
11.Quando vos levarem às sinagogas e perante os governadores e as autoridades, não vos preocupeis quanto ao modo por que respondereis, nem quanto às coisas que tiverdes de falar.
12.Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer.
Jesus reprova a avareza
13.Nesse ponto, um homem que estava no meio da multidão lhe falou: Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança.
14.Mas Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?
15.Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.
16.E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância.
17.E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos?
18.E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens.
19.Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te.
20.Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
21.Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus.
A ansiosa solicitude pela vida
22.A seguir, dirigiu-se Jesus a seus discípulos, dizendo: Por isso, eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir.
23.Porque a vida é mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes.
24.Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia, Deus os sustenta. Quanto mais valeis do que as aves!
25.Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?
26.Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras?
27.Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
28.Ora, se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais tratando-se de vós, homens de pequena fé!
29.Não andeis, pois, a indagar o que haveis de comer ou beber e não vos entregueis a inquietações.
30.Porque os gentios de todo o mundo é que procuram estas coisas; mas vosso Pai sabe que necessitais delas.
31.Buscai, antes de tudo, o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas.
32.Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino.
33.Vendei os vossos bens e dai esmola; fazei para vós outros bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, onde não chega o ladrão, nem a traça consome,
34.porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
A parábola do servo vigilante
35.Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias.
36.Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram.
37.Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá.
38.Quer ele venha na segunda vigília, quer na terceira, bem-aventurados serão eles, se assim os achar.
39.Sabei, porém, isto: se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa.
40.Ficai também vós apercebidos, porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.
41.Então, Pedro perguntou: Senhor, proferes esta parábola para nós ou também para todos?
42.Disse o Senhor: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo?
43.Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim.
44.Verdadeiramente, vos digo que lhe confiará todos os seus bens.
45.Mas, se aquele servo disser consigo mesmo: Meu senhor tarda em vir, e passar a espancar os criados e as criadas, a comer, a beber e a embriagar-se,
46.virá o senhor daquele servo, em dia em que não o espera e em hora que não sabe, e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os infiéis.
47.Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites.
48.Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.
Jesus traz fogo e dissensão à terra
49.Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder.
50.Tenho, porém, um batismo com o qual hei de ser batizado; e quanto me angustio até que o mesmo se realize!
51.Supondes que vim para dar paz à terra? Não, eu vo-lo afirmo; antes, divisão.
52.Porque, daqui em diante, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três.
53.Estarão divididos: pai contra filho, filho contra pai; mãe contra filha, filha contra mãe; sogra contra nora, e nora contra sogra.
Os sinais dos tempos
54.Disse também às multidões: Quando vedes aparecer uma nuvem no poente, logo dizeis que vem chuva, e assim acontece;
55.e, quando vedes soprar o vento sul, dizeis que haverá calor, e assim acontece.
56.Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu e, entretanto, não sabeis discernir esta época?
57.E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?
58.Quando fores com o teu adversário ao magistrado, esforça-te para te livrares desse adversário no caminho; para que não suceda que ele te arraste ao juiz, o juiz te entregue ao meirinho e o meirinho te recolha à prisão.
59.Digo-te que não sairás dali enquanto não pagares o último centavo.
A morte dos galileus e a queda da torre de Siloé
1.Naquela mesma ocasião, chegando alguns, falavam a Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam.
2.Ele, porém, lhes disse: Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas?
3.Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.
4.Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém?
5.Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.
A parábola da figueira estéril
6.Então, Jesus proferiu a seguinte parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou.
7.Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra?
8.Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume.
9.Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la.
A cura de uma enferma
10.Ora, ensinava Jesus no sábado numa das sinagogas.
11.E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se.
12.Vendo-a Jesus, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade;
13.e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus.
14.O chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados e não no sábado.
15.Disse-lhe, porém, o Senhor: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura, no sábado, o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber?
16.Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos?
17.Tendo ele dito estas palavras, todos os seus adversários se envergonharam. Entretanto, o povo se alegrava por todos os gloriosos feitos que Jesus realizava.
A parábola do grão de mostarda
18.E dizia: A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei?
19.É semelhante a um grão de mostarda que um homem plantou na sua horta; e cresceu e fez-se árvore; e as aves do céu aninharam-se nos seus ramos.
A parábola do fermento
20.Disse mais: A que compararei o reino de Deus?
21.É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.
A porta estreita
22.Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém.
23.E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos?
24.Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.
25.Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta, ele vos responderá: Não sei donde sois.
26.Então, direis: Comíamos e bebíamos na tua presença, e ensinavas em nossas ruas.
27.Mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais iniqüidades.
28.Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós, lançados fora.
29.Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e tomarão lugares à mesa no reino de Deus.
30.Contudo, há últimos que virão a ser primeiros, e primeiros que serão últimos.
A mensagem de Jesus a Herodes. O lamento sobre Jerusalém
31.Naquela mesma hora, alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te e vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te.
32.Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei.
33.Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém.
34.Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes!
35.Eis que a vossa casa vos ficará deserta. E em verdade vos digo que não mais me vereis até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!
A cura de um hidrópico
1.Aconteceu que, ao entrar ele num sábado na casa de um dos principais fariseus para comer pão, eis que o estavam observando.
2.Ora, diante dele se achava um homem hidrópico.
3.Então, Jesus, dirigindo-se aos intérpretes da Lei e aos fariseus, perguntou-lhes: É ou não é lícito curar no sábado?
4.Eles, porém, nada disseram. E, tomando-o, o curou e o despediu.
5.A seguir, lhes perguntou: Qual de vós, se o filho ou o boi cair num poço, não o tirará logo, mesmo em dia de sábado?
6.A isto nada puderam responder.
Os primeiros lugares
7.Reparando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes uma parábola:
8.Quando por alguém fores convidado para um casamento, não procures o primeiro lugar; para não suceder que, havendo um convidado mais digno do que tu,
9.vindo aquele que te convidou e também a ele, te diga: Dá o lugar a este. Então, irás, envergonhado, ocupar o último lugar.
10.Pelo contrário, quando fores convidado, vai tomar o último lugar; para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, senta-te mais para cima. Ser-te-á isto uma honra diante de todos os mais convivas.
11.Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado.
12.Disse também ao que o havia convidado: Quando deres um jantar ou uma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem vizinhos ricos; para não suceder que eles, por sua vez, te convidem e sejas recompensado.
13.Antes, ao dares um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos;
14.e serás bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos.
A parábola da grande ceia
15.Ora, ouvindo tais palavras, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus.
16.Ele, porém, respondeu: Certo homem deu uma grande ceia e convidou muitos.
17.À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado.
18.Não obstante, todos, à uma, começaram a escusar-se. Disse o primeiro: Comprei um campo e preciso ir vê-lo; rogo-te que me tenhas por escusado.
19.Outro disse: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me tenhas por escusado.
20.E outro disse: Casei-me e, por isso, não posso ir.
21.Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.
22.Depois, lhe disse o servo: Senhor, feito está como mandaste, e ainda há lugar.
23.Respondeu-lhe o senhor: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que fique cheia a minha casa.
24.Porque vos declaro que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.
O serviço de Cristo exige abnegação
25.Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse:
26.Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.
27.E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo.
28.Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir?
29.Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele,
30.dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar.
31.Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil?
32.Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz.
33.Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.
Os discípulos, sal da terra
34.O sal é certamente bom; caso, porém, se torne insípido, como restaurar-lhe o sabor?
35.Nem presta para a terra, nem mesmo para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
Jesus recebe pecadores
1.Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir.
2.E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles.
A parábola da ovelha perdida
3.Então, lhes propôs Jesus esta parábola:
4.Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?
5.Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo.
6.E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.
7.Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.
A parábola da dracma perdida
8.Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la?
9.E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido.
10.Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.
A parábola do filho pródigo
11.Continuou: Certo homem tinha dois filhos;
12.o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres.
13.Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente.
14.Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade.
15.Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos.
16.Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada.
17.Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome!
18.Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti;
19.já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores.
20.E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou.
21.E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.
22.O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés;
23.trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos,
24.porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se.
25.Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.
26.Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo.
27.E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde.
28.Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo.
29.Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos;
30.vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado.
31.Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu.
32.Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.
A parábola do administrador infiel
1.Disse Jesus também aos discípulos: Havia um homem rico que tinha um administrador; e este lhe foi denunciado como quem estava a defraudar os seus bens.
2.Então, mandando-o chamar, lhe disse: Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes mais continuar nela.
3.Disse o administrador consigo mesmo: Que farei, pois o meu senhor me tira a administração? Trabalhar na terra não posso; também de mendigar tenho vergonha.
4.Eu sei o que farei, para que, quando for demitido da administração, me recebam em suas casas.
5.Tendo chamado cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu patrão?
6.Respondeu ele: Cem cados de azeite. Então, disse: Toma a tua conta, assenta-te depressa e escreve cinqüenta.
7.Depois, perguntou a outro: Tu, quanto deves? Respondeu ele: Cem coros de trigo. Disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta.
8.E elogiou o senhor o administrador infiel porque se houvera atiladamente, porque os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz.
9.E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos.
10.Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito.
11.Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza?
12.Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso?
13.Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.
Jesus reprova os fariseus
14.Os fariseus, que eram avarentos, ouviam tudo isto e o ridiculizavam.
15.Mas Jesus lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração; pois aquilo que é elevado entre homens é abominação diante de Deus.
16.A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele.
17.E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei.
Acerca do divórcio
18.Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério.
O rico e o mendigo
19.Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente.
20.Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele;
21.e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras.
22.Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado.
23.No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.
24.Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
25.Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos.
26.E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.
27.Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna,
28.porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento.
29.Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.
30.Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.
31.Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.
Os tropeços
1.Disse Jesus a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vêm!
2.Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos.
Quantas vezes se deve perdoar a um irmão
3.Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe.
4.Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe.
5.Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé.
6.Respondeu-lhes o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá.
7.Qual de vós, tendo um servo ocupado na lavoura ou em guardar o gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: Vem já e põe-te à mesa?
8.E que, antes, não lhe diga: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois, comerás tu e beberás?
9.Porventura, terá de agradecer ao servo porque este fez o que lhe havia ordenado?
10.Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer.
A cura de dez leprosos
11.De caminho para Jerusalém, passava Jesus pelo meio de Samaria e da Galiléia.
12.Ao entrar numa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos,
13.que ficaram de longe e lhe gritaram, dizendo: Jesus, Mestre, compadece-te de nós!
14.Ao vê-los, disse-lhes Jesus: Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. Aconteceu que, indo eles, foram purificados.
15.Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz,
16.e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano.
17.Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?
18.Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?
19.E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.
A vinda do reino de Deus
20.Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência.
21.Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós.
22.A seguir, dirigiu-se aos discípulos: Virá o tempo em que desejareis ver um dos dias do Filho do Homem e não o vereis.
23.E vos dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Não vades nem os sigais;
24.porque assim como o relâmpago, fuzilando, brilha de uma à outra extremidade do céu, assim será, no seu dia, o Filho do Homem.
25.Mas importa que primeiro ele padeça muitas coisas e seja rejeitado por esta geração.
26.Assim como foi nos dias de Noé, será também nos dias do Filho do Homem:
27.comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e destruiu a todos.
28.O mesmo aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam;
29.mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre e destruiu a todos.
30.Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar.
31.Naquele dia, quem estiver no eirado e tiver os seus bens em casa não desça para tirá-los; e de igual modo quem estiver no campo não volte para trás.
32.Lembrai-vos da mulher de Ló.
33.Quem quiser preservar a sua vida perdê-la-á; e quem a perder de fato a salvará.
34.Digo-vos que, naquela noite, dois estarão numa cama; um será tomado, e deixado o outro;
35.duas mulheres estarão juntas moendo; uma será tomada, e deixada a outra.
36.Dois estarão no campo; um será tomado, e o outro, deixado.
37.Então, lhe perguntaram: Onde será isso, Senhor? Respondeu-lhes: Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão também os abutres.
A parábola do juiz iníquo
1.Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer:
2.Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava homem algum.
3.Havia também, naquela mesma cidade, uma viúva que vinha ter com ele, dizendo: Julga a minha causa contra o meu adversário.
4.Ele, por algum tempo, não a quis atender; mas, depois, disse consigo: Bem que eu não temo a Deus, nem respeito a homem algum;
5.todavia, como esta viúva me importuna, julgarei a sua causa, para não suceder que, por fim, venha a molestar-me.
6.Então, disse o Senhor: Considerai no que diz este juiz iníquo.
7.Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los?
8.Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?
A parábola do fariseu e o publicano
9.Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros:
10.Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano.
11.O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano;
12.jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.
13.O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!
14.Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.
Jesus abençoa as crianças
15.Traziam-lhe também as crianças, para que as tocasse; e os discípulos, vendo, os repreendiam.
16.Jesus, porém, chamando-as para junto de si, ordenou: Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus.
17.Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira alguma entrará nele.
O jovem rico
18.Certo homem de posição perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
19.Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus.
20.Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe.
21.Replicou ele: Tudo isso tenho observado desde a minha juventude.
22.Ouvindo-o Jesus, disse-lhe: Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me.
23.Mas, ouvindo ele estas palavras, ficou muito triste, porque era riquíssimo.
O perigo das riquezas
24.E Jesus, vendo-o assim triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!
25.Porque é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
26.E os que ouviram disseram: Sendo assim, quem pode ser salvo?
27.Mas ele respondeu: Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus.
28.E disse Pedro: Eis que nós deixamos nossa casa e te seguimos.
29.Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por causa do reino de Deus,
30.que não receba, no presente, muitas vezes mais e, no mundo por vir, a vida eterna.
Jesus outra vez prediz sua morte e ressurreição
31.Tomando consigo os doze, disse-lhes Jesus: Eis que subimos para Jerusalém, e vai cumprir-se ali tudo quanto está escrito por intermédio dos profetas, no tocante ao Filho do Homem;
32.pois será ele entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado e cuspido;
33.e, depois de o açoitarem, tirar-lhe-ão a vida; mas, ao terceiro dia, ressuscitará.
34.Eles, porém, nada compreenderam acerca destas coisas; e o sentido destas palavras era-lhes encoberto, de sorte que não percebiam o que ele dizia.
A cura do cego de Jericó
35.Aconteceu que, ao aproximar-se ele de Jericó, estava um cego assentado à beira do caminho, pedindo esmolas.
36.E, ouvindo o tropel da multidão que passava, perguntou o que era aquilo.
37.Anunciaram-lhe que passava Jesus, o Nazareno.
38.Então, ele clamou: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!
39.E os que iam na frente o repreendiam para que se calasse; ele, porém, cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim!
40.Então, parou Jesus e mandou que lho trouxessem. E, tendo ele chegado, perguntou-lhe:
41.Que queres que eu te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu torne a ver.
42.Então, Jesus lhe disse: Recupera a tua vista; a tua fé te salvou.
43.Imediatamente, tornou a ver e seguia-o glorificando a Deus. Também todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus.
Zaqueu, o publicano
1.Entrando em Jericó, atravessava Jesus a cidade.
2.Eis que um homem, chamado Zaqueu, maioral dos publicanos e rico,
3.procurava ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, por ser ele de pequena estatura.
4.Então, correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-lo, porque por ali havia de passar.
5.Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa.
6.Ele desceu a toda a pressa e o recebeu com alegria.
7.Todos os que viram isto murmuravam, dizendo que ele se hospedara com homem pecador.
8.Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais.
9.Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão.
10.Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.
A parábola das dez minas
11.Ouvindo eles estas coisas, Jesus propôs uma parábola, visto estar perto de Jerusalém e lhes parecer que o reino de Deus havia de manifestar-se imediatamente.
12.Então, disse: Certo homem nobre partiu para uma terra distante, com o fim de tomar posse de um reino e voltar.
13.Chamou dez servos seus, confiou-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até que eu volte.
14.Mas os seus concidadãos o odiavam e enviaram após ele uma embaixada, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós.
15.Quando ele voltou, depois de haver tomado posse do reino, mandou chamar os servos a quem dera o dinheiro, a fim de saber que negócio cada um teria conseguido.
16.Compareceu o primeiro e disse: Senhor, a tua mina rendeu dez.
17.Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades.
18.Veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco.
19.A este disse: Terás autoridade sobre cinco cidades.
20.Veio, então, outro, dizendo: Eis aqui, senhor, a tua mina, que eu guardei embrulhada num lenço.
21.Pois tive medo de ti, que és homem rigoroso; tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste.
22.Respondeu-lhe: Servo mau, por tua própria boca te condenarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tiro o que não pus e ceifo o que não semeei;
23.por que não puseste o meu dinheiro no banco? E, então, na minha vinda, o receberia com juros.
24.E disse aos que o assistiam: Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem as dez.
25.Eles ponderaram: Senhor, ele já tem dez.
26.Pois eu vos declaro: a todo o que tem dar-se-lhe-á; mas ao que não tem, o que tem lhe será tirado.
27.Quanto, porém, a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e executai-os na minha presença.
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém
28.E, dito isto, prosseguia Jesus subindo para Jerusalém.
29.Ora, aconteceu que, ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, junto ao monte das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos,
30.dizendo-lhes: Ide à aldeia fronteira e ali, ao entrardes, achareis preso um jumentinho que jamais homem algum montou; soltai-o e trazei-o.
31.Se alguém vos perguntar: Por que o soltais? Respondereis assim: Porque o Senhor precisa dele.
32.E, indo os que foram mandados, acharam segundo lhes dissera Jesus.
33.Quando eles estavam soltando o jumentinho, seus donos lhes disseram: Por que o soltais?
34.Responderam: Porque o Senhor precisa dele.
35.Então, o trouxeram e, pondo as suas vestes sobre ele, ajudaram Jesus a montar.
36.Indo ele, estendiam no caminho as suas vestes.
37.E, quando se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinham visto,
38.dizendo: Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas!
39.Ora, alguns dos fariseus lhe disseram em meio à multidão: Mestre, repreende os teus discípulos!
40.Mas ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão.
Jesus chora à vista de Jerusalém
41.Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou
42.e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos.
43.Pois sobre ti virão dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras e, por todos os lados, te apertarão o cerco;
44.e te arrasarão e aos teus filhos dentro de ti; não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste a oportunidade da tua visitação.
A purificação do templo
45.Depois, entrando no templo, expulsou os que ali vendiam,
46.dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa será casa de oração. Mas vós a transformastes em covil de salteadores.
O Mestre ensina no templo
47.Diariamente, Jesus ensinava no templo; mas os principais sacerdotes, os escribas e os maiorais do povo procuravam eliminá-lo;
48.contudo, não atinavam em como fazê-lo, porque todo o povo, ao ouvi-lo, ficava dominado por ele.
A autoridade de Jesus e o batismo de João
1.Aconteceu que, num daqueles dias, estando Jesus a ensinar o povo no templo e a evangelizar, sobrevieram os principais sacerdotes e os escribas, juntamente com os anciãos,
2.e o argüiram nestes termos: Dize-nos: com que autoridade fazes estas coisas? Ou quem te deu esta autoridade?
3.Respondeu-lhes: Também eu vos farei uma pergunta; dizei-me:
4.o batismo de João era dos céus ou dos homens?
5.Então, eles arrazoavam entre si: Se dissermos: do céu, ele dirá: Por que não acreditastes nele?
6.Mas, se dissermos: dos homens, o povo todo nos apedrejará; porque está convicto de ser João um profeta.
7.Por fim, responderam que não sabiam.
8.Então, Jesus lhes replicou: Pois nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.
A parábola dos lavradores maus
9.A seguir, passou Jesus a proferir ao povo esta parábola: Certo homem plantou uma vinha, arrendou-a a lavradores e ausentou-se do país por prazo considerável.
10.No devido tempo, mandou um servo aos lavradores para que lhe dessem do fruto da vinha; os lavradores, porém, depois de o espancarem, o despacharam vazio.
11.Em vista disso, enviou-lhes outro servo; mas eles também a este espancaram e, depois de o ultrajarem, o despacharam vazio.
12.Mandou ainda um terceiro; também a este, depois de o ferirem, expulsaram.
13.Então, disse o dono da vinha: Que farei? Enviarei o meu filho amado; talvez o respeitem.
14.Vendo-o, porém, os lavradores, arrazoavam entre si, dizendo: Este é o herdeiro; matemo-lo, para que a herança venha a ser nossa.
15.E, lançando-o fora da vinha, o mataram. Que lhes fará, pois, o dono da vinha?
16.Virá, exterminará aqueles lavradores e passará a vinha a outros. Ao ouvirem isto, disseram: Tal não aconteça!
17.Mas Jesus, fitando-os, disse: Que quer dizer, pois, o que está escrito: A pedra que os construtores rejeitaram, esta veio a ser a principal pedra, angular?
18.Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.
A questão do tributo
19.Naquela mesma hora, os escribas e os principais sacerdotes procuravam lançar-lhe as mãos, pois perceberam que, em referência a eles, dissera esta parábola; mas temiam o povo.
20.Observando-o, subornaram emissários que se fingiam de justos para verem se o apanhavam em alguma palavra, a fim de entregá-lo à jurisdição e à autoridade do governador.
21.Então, o consultaram, dizendo: Mestre, sabemos que falas e ensinas retamente e não te deixas levar de respeitos humanos, porém ensinas o caminho de Deus segundo a verdade;
22.é lícito pagar tributo a César ou não?
23.Mas Jesus, percebendo-lhes o ardil, respondeu:
24.Mostrai-me um denário. De quem é a efígie e a inscrição? Prontamente disseram: De César. Então, lhes recomendou Jesus:
25.Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
26.Não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e, admirados da sua resposta, calaram-se.
Os saduceus e a ressurreição
27.Chegando alguns dos saduceus, homens que dizem não haver ressurreição,
28.perguntaram-lhe: Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se morrer o irmão de alguém, sendo aquele casado e não deixando filhos, seu irmão deve casar com a viúva e suscitar descendência ao falecido.
29.Ora, havia sete irmãos: o primeiro casou e morreu sem filhos;
30.o segundo e o terceiro também desposaram a viúva;
31.igualmente os sete não tiveram filhos e morreram.
32.Por fim, morreu também a mulher.
33.Esta mulher, pois, no dia da ressurreição, de qual deles será esposa? Porque os sete a desposaram.
34.Então, lhes acrescentou Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento;
35.mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento.
36.Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.
37.E que os mortos hão de ressuscitar, Moisés o indicou no trecho referente à sarça, quando chama ao Senhor o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.
38.Ora, Deus não é Deus de mortos, e sim de vivos; porque para ele todos vivem.
39.Então, disseram alguns dos escribas: Mestre, respondeste bem!
40.Dali por diante, não ousaram mais interrogá-lo.
O Cristo, filho de Davi
41.Mas Jesus lhes perguntou: Como podem dizer que o Cristo é filho de Davi?
42.Visto como o próprio Davi afirma no livro dos Salmos: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,
43.até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés.
44.Assim, pois, Davi lhe chama Senhor, e como pode ser ele seu filho?
Jesus censura os escribas
45.Ouvindo-o todo o povo, recomendou Jesus a seus discípulos:
46.Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes talares e muito apreciam as saudações nas praças, as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes;
47.os quais devoram as casas das viúvas e, para o justificar, fazem longas orações; estes sofrerão juízo muito mais severo.
A oferta da viúva pobre
1.Estando Jesus a observar, viu os ricos lançarem suas ofertas no gazofilácio.
2.Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas;
3.e disse: Verdadeiramente, vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos.
4.Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento.
A destruição do templo
5.Falavam alguns a respeito do templo, como estava ornado de belas pedras e de dádivas;
6.então, disse Jesus: Vedes estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada.
O princípio das dores
7.Perguntaram-lhe: Mestre, quando sucederá isto? E que sinal haverá de quando estas coisas estiverem para se cumprir?
8.Respondeu ele: Vede que não sejais enganados; porque muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu! E também: Chegou a hora! Não os sigais.
9.Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não vos assusteis; pois é necessário que primeiro aconteçam estas coisas, mas o fim não será logo.
10.Então, lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino, contra reino;
11.haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares, coisas espantosas e também grandes sinais do céu.
12.Antes, porém, de todas estas coisas, lançarão mão de vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome;
13.e isto vos acontecerá para que deis testemunho.
14.Assentai, pois, em vosso coração de não vos preocupardes com o que haveis de responder;
15.porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem.
16.E sereis entregues até por vossos pais, irmãos, parentes e amigos; e matarão alguns dentre vós.
17.De todos sereis odiados por causa do meu nome.
18.Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça.
19.É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma.
Jerusalém sitiada
20.Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação.
21.Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem nela.
22.Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito.
23.Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo.
24.Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles.
A vinda do Filho do Homem
25.Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas;
26.haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados.
27.Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória.
28.Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima.
A parábola da figueira. Exortação à vigilância
29.Ainda lhes propôs uma parábola, dizendo: Vede a figueira e todas as árvores.
30.Quando começam a brotar, vendo-o, sabeis, por vós mesmos, que o verão está próximo.
31.Assim também, quando virdes acontecerem estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus.
32.Em verdade vos digo que não passará esta geração, sem que tudo isto aconteça.
33.Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.
34.Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as conseqüências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço.
35.Pois há de sobrevir a todos os que vivem sobre a face de toda a terra.
36.Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem.
O povo vai ter com Jesus para o ouvir
37.Jesus ensinava todos os dias no templo, mas à noite, saindo, ia pousar no monte chamado das Oliveiras.
38.E todo o povo madrugava para ir ter com ele no templo, a fim de ouvi-lo.
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