Desafio dos 90 dias

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A parábola dos lavradores maus
1.Depois, entrou Jesus a falar-lhes por parábola: Um homem plantou uma vinha, cercou-a de uma sebe, construiu um lagar, edificou uma torre, arrendou-a a uns lavradores e ausentou-se do país.
2.No tempo da colheita, enviou um servo aos lavradores para que recebesse deles dos frutos da vinha;
3.eles, porém, o agarraram, espancaram e o despacharam vazio.
4.De novo, lhes enviou outro servo, e eles o esbordoaram na cabeça e o insultaram.
5.Ainda outro lhes mandou, e a este mataram. Muitos outros lhes enviou, dos quais espancaram uns e mataram outros.
6.Restava-lhe ainda um, seu filho amado; a este lhes enviou, por fim, dizendo: Respeitarão a meu filho.
7.Mas os tais lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo, e a herança será nossa.
8.E, agarrando-o, mataram-no e o atiraram para fora da vinha.
9.Que fará, pois, o dono da vinha? Virá, exterminará aqueles lavradores e passará a vinha a outros.
10.Ainda não lestes esta Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular;
11.isto procede do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos?
12.E procuravam prendê-lo, mas temiam o povo; porque compreenderam que contra eles proferira esta parábola. Então, desistindo, retiraram-se.
A questão do tributo
13.E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem em alguma palavra.
14.Chegando, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te importas com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens; antes, segundo a verdade, ensinas o caminho de Deus; é lícito pagar tributo a César ou não? Devemos ou não devemos pagar?
15.Mas Jesus, percebendo-lhes a hipocrisia, respondeu: Por que me experimentais? Trazei-me um denário para que eu o veja.
16.E eles lho trouxeram. Perguntou-lhes: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César.
17.Disse-lhes, então, Jesus: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E muito se admiraram dele.
Os saduceus e a ressurreição
18.Então, os saduceus, que dizem não haver ressurreição, aproximaram-se dele e lhe perguntaram, dizendo:
19.Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se morrer o irmão de alguém e deixar mulher sem filhos, seu irmão a tome como esposa e suscite descendência a seu irmão.
20.Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou e morreu sem deixar descendência;
21.o segundo desposou a viúva e morreu, também sem deixar descendência; e o terceiro, da mesma forma.
22.E, assim, os sete não deixaram descendência. Por fim, depois de todos, morreu também a mulher.
23.Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de qual deles será ela a esposa? Porque os sete a desposaram.
24.Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?
25.Pois, quando ressuscitarem de entre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento; porém, são como os anjos nos céus.
26.Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido no Livro de Moisés, no trecho referente à sarça, como Deus lhe falou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó?
27.Ora, ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. Laborais em grande erro.
O grande mandamento
28.Chegando um dos escribas, tendo ouvido a discussão entre eles, vendo como Jesus lhes houvera respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os mandamentos?
29.Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!
30.Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.
31.O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.
32.Disse-lhe o escriba: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que ele é o único, e não há outro senão ele,
33.e que amar a Deus de todo o coração e de todo o entendimento e de toda a força, e amar ao próximo como a si mesmo excede a todos os holocaustos e sacrifícios.
34.Vendo Jesus que ele havia respondido sabiamente, declarou-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém mais ousava interrogá-lo.
O Cristo, filho de Davi
35.Jesus, ensinando no templo, perguntou: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi?
36.O próprio Davi falou, pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés.
37.O mesmo Davi chama-lhe Senhor; como, pois, é ele seu filho? E a grande multidão o ouvia com prazer.
Jesus censura os escribas
38.E, ao ensinar, dizia ele: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes talares e das saudações nas praças;
39.e das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos primeiros lugares nos banquetes;
40.os quais devoram as casas das viúvas e, para o justificar, fazem longas orações; estes sofrerão juízo muito mais severo.
A oferta da viúva pobre
41.Assentado diante do gazofilácio, observava Jesus como o povo lançava ali o dinheiro. Ora, muitos ricos depositavam grandes quantias.
42.Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou duas pequenas moedas correspondentes a um quadrante.
43.E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes.
44.Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento.
O sermão profético
1.Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos: Mestre! Que pedras, que construções!
2.Mas Jesus lhe disse: Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada.
3.No monte das Oliveiras, defronte do templo, achava-se Jesus assentado, quando Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular:
4.Dize-nos quando sucederão estas coisas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para cumprir-se.
5.Então, Jesus passou a dizer-lhes: Vede que ninguém vos engane.
6.Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e enganarão a muitos.
7.Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos assusteis; é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim.
8.Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes. Estas coisas são o princípio das dores.
9.Estai vós de sobreaviso, porque vos entregarão aos tribunais e às sinagogas; sereis açoitados, e vos farão comparecer à presença de governadores e reis, por minha causa, para lhes servir de testemunho.
10.Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações.
11.Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo.
12.Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão.
13.Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.
14.Quando, pois, virdes o abominável da desolação situado onde não deve estar ( quem lê entenda ), então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes;
15.quem estiver em cima, no eirado, não desça nem entre para tirar da sua casa alguma coisa;
16.e o que estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa.
17.Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
18.Orai para que isso não suceda no inverno.
19.Porque aqueles dias serão de tamanha tribulação como nunca houve desde o princípio do mundo, que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá.
20.Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas, por causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias.
21.Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis;
22.pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos.
23.Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito.
24.Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade,
25.as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.
26.Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória.
27.E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da extremidade da terra até à extremidade do céu.
28.Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam, e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão.
29.Assim, também vós: quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está próximo, às portas.
30.Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.
31.Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.
32.Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai.
33.Estai de sobreaviso, vigiai e orai; porque não sabeis quando será o tempo.
34.É como um homem que, ausentando-se do país, deixa a sua casa, dá autoridade aos seus servos, a cada um a sua obrigação, e ao porteiro ordena que vigie.
35.Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã;
36.para que, vindo ele inesperadamente, não vos ache dormindo.
37.O que, porém, vos digo, digo a todos: vigiai!
O plano para tirar a vida de Jesus
1.Dali a dois dias, era a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos; e os principais sacerdotes e os escribas procuravam como o prenderiam, à traição, e o matariam.
2.Pois diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.
Jesus ungido em Betânia
3.Estando ele em Betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro com preciosíssimo perfume de nardo puro; e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus.
4.Indignaram-se alguns entre si e diziam: Para que este desperdício de bálsamo?
5.Porque este perfume poderia ser vendido por mais de trezentos denários e dar-se aos pobres. E murmuravam contra ela.
6.Mas Jesus disse: Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo.
7.Porque os pobres, sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem, mas a mim nem sempre me tendes.
8.Ela fez o que pôde: antecipou-se a ungir-me para a sepultura.
9.Em verdade vos digo: onde for pregado em todo o mundo o evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.
O pacto da traição
10.E Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes, para lhes entregar Jesus.
11.Eles, ouvindo-o, alegraram-se e lhe prometeram dinheiro; nesse meio tempo, buscava ele uma boa ocasião para o entregar.
Os discípulos preparam a Páscoa
12.E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, quando se fazia o sacrifício do cordeiro pascal, disseram-lhe seus discípulos: Onde queres que vamos fazer os preparativos para comeres a Páscoa?
13.Então, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Ide à cidade, e vos sairá ao encontro um homem trazendo um cântaro de água;
14.segui-o e dizei ao dono da casa onde ele entrar que o Mestre pergunta: Onde é o meu aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?
15.E ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado e pronto; ali fazei os preparativos.
16.Saíram, pois, os discípulos, foram à cidade e, achando tudo como Jesus lhes tinha dito, prepararam a Páscoa.
O traidor é indicado
17.Ao cair da tarde, foi com os doze.
18.Quando estavam à mesa e comiam, disse Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós, o que come comigo, me trairá.
19.E eles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe, um após outro: Porventura, sou eu?
20.Respondeu-lhes: É um dos doze, o que mete comigo a mão no prato.
21.Pois o Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!
A Ceia do Senhor
22.E, enquanto comiam, tomou Jesus um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo.
23.A seguir, tomou Jesus um cálice e, tendo dado graças, o deu aos seus discípulos; e todos beberam dele.
24.Então, lhes disse: Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos.
25.Em verdade vos digo que jamais beberei do fruto da videira, até àquele dia em que o hei de beber, novo, no reino de Deus.
26.Tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
Pedro é avisado
27.Então, lhes disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.
28.Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia.
29.Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!
30.Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes.
31.Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.
Jesus no Getsêmani
32.Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar.
33.E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia.
34.E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai.
35.E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora.
36.E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.
37.Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar nem uma hora?
38.Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
39.Retirando-se de novo, orou repetindo as mesmas palavras.
40.Voltando, achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados; e não sabiam o que lhe responder.
41.E veio pela terceira vez e disse-lhes: Ainda dormis e repousais! Basta! Chegou a hora; o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.
42.Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.
Jesus é preso
43.E logo, falava ele ainda, quando chegou Judas, um dos doze, e com ele, vinda da parte dos principais sacerdotes, escribas e anciãos, uma turba com espadas e porretes.
44.Ora, o traidor tinha-lhes dado esta senha: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o e levai-o com segurança.
45.E, logo que chegou, aproximando-se, disse-lhe: Mestre! E o beijou.
46.Então, lhe deitaram as mãos e o prenderam.
47.Nisto, um dos circunstantes, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha.
48.Disse-lhes Jesus: Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador?
49.Todos os dias eu estava convosco no templo, ensinando, e não me prendestes; contudo, é para que se cumpram as Escrituras.
50.Então, deixando-o, todos fugiram.
Jesus seguido por um jovem
51.Seguia-o um jovem, coberto unicamente com um lençol, e lançaram-lhe a mão.
52.Mas ele, largando o lençol, fugiu desnudo.
Jesus perante o Sinédrio
53.E levaram Jesus ao sumo sacerdote, e reuniram-se todos os principais sacerdotes, os anciãos e os escribas.
54.Pedro seguira-o de longe até ao interior do pátio do sumo sacerdote e estava assentado entre os serventuários, aquentando-se ao fogo.
55.E os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho contra Jesus para o condenar à morte e não achavam.
56.Pois muitos testemunhavam falsamente contra Jesus, mas os depoimentos não eram coerentes.
57.E, levantando-se alguns, testificavam falsamente, dizendo:
58.Nós o ouvimos declarar: Eu destruirei este santuário edificado por mãos humanas e, em três dias, construirei outro, não por mãos humanas.
59.Nem assim o testemunho deles era coerente.
60.Levantando-se o sumo sacerdote, no meio, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti?
61.Ele, porém, guardou silêncio e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?
62.Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu.
63.Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais necessidade temos de testemunhas?
64.Ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o julgaram réu de morte.
65.Puseram-se alguns a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a dar-lhe murros e a dizer-lhe: Profetiza! E os guardas o tomaram a bofetadas.
Pedro nega a Jesus
66.Estando Pedro embaixo no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote
67.e, vendo a Pedro, que se aquentava, fixou-o e disse: Tu também estavas com Jesus, o Nazareno.
68.Mas ele o negou, dizendo: Não o conheço, nem compreendo o que dizes. E saiu para o alpendre. E o galo cantou.
69.E a criada, vendo-o, tornou a dizer aos circunstantes: Este é um deles.
70.Mas ele outra vez o negou. E, pouco depois, os que ali estavam disseram a Pedro: Verdadeiramente, és um deles, porque também tu és galileu.
71.Ele, porém, começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais!
72.E logo cantou o galo pela segunda vez. Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. E, caindo em si, desatou a chorar.
Jesus perante Pilatos
1.Logo pela manhã, entraram em conselho os principais sacerdotes com os anciãos, os escribas e todo o Sinédrio; e, amarrando a Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos.
2.Pilatos o interrogou: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes.
3.Então, os principais sacerdotes o acusavam de muitas coisas.
4.Tornou Pilatos a interrogá-lo: Nada respondes? Vê quantas acusações te fazem!
5.Jesus, porém, não respondeu palavra, a ponto de Pilatos muito se admirar.
6.Ora, por ocasião da festa, era costume soltar ao povo um dos presos, qualquer que eles pedissem.
7.Havia um, chamado Barrabás, preso com amotinadores, os quais em um tumulto haviam cometido homicídio.
8.Vindo a multidão, começou a pedir que lhes fizesse como de costume.
9.E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que eu vos solte o rei dos judeus?
10.Pois ele bem percebia que por inveja os principais sacerdotes lho haviam entregado.
11.Mas estes incitaram a multidão no sentido de que lhes soltasse, de preferência, Barrabás.
12.Mas Pilatos lhes perguntou: Que farei, então, deste a quem chamais o rei dos judeus?
13.Eles, porém, clamavam: Crucifica-o!
14.Mas Pilatos lhes disse: Que mal fez ele? E eles gritavam cada vez mais: Crucifica-o!
15.Então, Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás; e, após mandar açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.
Jesus entregue aos soldados
16.Então, os soldados o levaram para dentro do palácio, que é o pretório, e reuniram todo o destacamento.
17.Vestiram-no de púrpura e, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça.
18.E o saudavam, dizendo: Salve, rei dos judeus!
19.Davam-lhe na cabeça com um caniço, cuspiam nele e, pondo-se de joelhos, o adoravam.
20.Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe a púrpura e o vestiram com as suas próprias vestes. Então, conduziram Jesus para fora, com o fim de o crucificarem.
Simão leva a cruz de Jesus
21.E obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar-lhe a cruz.
A crucificação
22.E levaram Jesus para o Gólgota, que quer dizer Lugar da Caveira.
23.Deram-lhe a beber vinho com mirra; ele, porém, não tomou.
24.Então, o crucificaram e repartiram entre si as vestes dele, lançando-lhes sorte, para ver o que levaria cada um.
25.Era a hora terceira quando o crucificaram.
26.E, por cima, estava, em epígrafe, a sua acusação: O REI DOS JUDEUS.
27.Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda.
28.E cumpriu-se a Escritura que diz: Com malfeitores foi contado.
29.Os que iam passando, blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo: Ah! Tu que destróis o santuário e, em três dias, o reedificas!
30.Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!
31.De igual modo, os principais sacerdotes com os escribas, escarnecendo, entre si diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se;
32.desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos. Também os que com ele foram crucificados o insultavam.
A morte de Jesus
33.Chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona.
34.À hora nona, clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? Que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
35.Alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Vede, chama por Elias!
36.E um deles correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de um caniço, deu-lhe de beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo!
37.Mas Jesus, dando um grande brado, expirou.
38.E o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo.
39.O centurião que estava em frente dele, vendo que assim expirara, disse: Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus.
40.Estavam também ali algumas mulheres, observando de longe; entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé;
41.as quais, quando Jesus estava na Galiléia, o acompanhavam e serviam; e, além destas, muitas outras que haviam subido com ele para Jerusalém.
O sepultamento de Jesus
42.Ao cair da tarde, por ser o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado,
43.vindo José de Arimatéia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, dirigiu-se resolutamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus.
44.Mas Pilatos admirou-se de que ele já tivesse morrido. E, tendo chamado o centurião, perguntou-lhe se havia muito que morrera.
45.Após certificar-se, pela informação do comandante, cedeu o corpo a José.
46.Este, baixando o corpo da cruz, envolveu-o em um lençol que comprara e o depositou em um túmulo que tinha sido aberto numa rocha; e rolou uma pedra para a entrada do túmulo.
47.Ora, Maria Madalena e Maria, mãe de José, observaram onde ele foi posto.
A ressurreição de Jesus
1.Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem embalsamá-lo.
2.E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo.
3.Diziam umas às outras: Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo?
4.E, olhando, viram que a pedra já estava removida; pois era muito grande.
5.Entrando no túmulo, viram um jovem assentado ao lado direito, vestido de branco, e ficaram surpreendidas e atemorizadas.
6.Ele, porém, lhes disse: Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; ele ressuscitou, não está mais aqui; vede o lugar onde o tinham posto.
7.Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galiléia; lá o vereis, como ele vos disse.
8.E, saindo elas, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e de assombro; e, de medo, nada disseram a ninguém.
Jesus aparece a Maria Madalena
9.Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios.
10.E, partindo ela, foi anunciá-lo àqueles que, tendo sido companheiros de Jesus, se achavam tristes e choravam.
11.Estes, ouvindo que ele vivia e que fora visto por ela, não acreditaram.
Jesus aparece a dois de seus discípulos
12.Depois disto, manifestou-se em outra forma a dois deles que estavam de caminho para o campo.
13.E, indo, eles o anunciaram aos demais, mas também a estes dois eles não deram crédito.
A ordem para a evangelização
14.Finalmente, apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinham visto já ressuscitado.
15.E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.
16.Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.
17.Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas;
18.pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.
A ascensão de Jesus
19.De fato, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à destra de Deus.
20.E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam.
Prefácio
1.Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram,
2.conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra,
3.igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem,
4.para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído.
Zacarias e Isabel
5.Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote chamado Zacarias, do turno de Abias. Sua mulher era das filhas de Arão e se chamava Isabel.
6.Ambos eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor.
7.E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, sendo eles avançados em dias.
Predições referentes a João Batista
8.Ora, aconteceu que, exercendo ele diante de Deus o sacerdócio na ordem do seu turno, coube-lhe por sorte,
9.segundo o costume sacerdotal, entrar no santuário do Senhor para queimar o incenso;
10.e, durante esse tempo, toda a multidão do povo permanecia da parte de fora, orando.
11.E eis que lhe apareceu um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do incenso.
12.Vendo-o, Zacarias turbou-se, e apoderou-se dele o temor.
13.Disse-lhe, porém, o anjo: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida; e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, a quem darás o nome de João.
14.Em ti haverá prazer e alegria, e muitos se regozijarão com o seu nascimento.
15.Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno.
16.E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus.
17.E irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado.
18.Então, perguntou Zacarias ao anjo: Como saberei isto? Pois eu sou velho, e minha mulher, avançada em dias.
19.Respondeu-lhe o anjo: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para falar-te e trazer-te estas boas-novas.
20.Todavia, ficarás mudo e não poderás falar até ao dia em que estas coisas venham a realizar-se; porquanto não acreditaste nas minhas palavras, as quais, a seu tempo, se cumprirão.
21.O povo estava esperando a Zacarias e admirava-se de que tanto se demorasse no santuário.
22.Mas, saindo ele, não lhes podia falar; então, entenderam que tivera uma visão no santuário. E expressava-se por acenos e permanecia mudo.
23.Sucedeu que, terminados os dias de seu ministério, voltou para casa.
A felicidade de Isabel
24.Passados esses dias, Isabel, sua mulher, concebeu e ocultou-se por cinco meses, dizendo:
25.Assim me fez o Senhor, contemplando-me, para anular o meu opróbrio perante os homens.
Predito o nascimento de Jesus
26.No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
27.a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria.
28.E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo.
29.Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação.
30.Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus.
31.Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus.
32.Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai;
33.ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.
34.Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum?
35.Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.
36.E Isabel, tua parenta, igualmente concebeu um filho na sua velhice, sendo este já o sexto mês para aquela que diziam ser estéril.
37.Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas.
38.Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela.
Maria visita a Isabel
39.Naqueles dias, dispondo-se Maria, foi apressadamente à região montanhosa, a uma cidade de Judá,
40.entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel.
41.Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo.
42.E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre!
43.E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor?
44.Pois, logo que me chegou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criança estremeceu de alegria dentro de mim.
45.Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor.
O cântico de Maria
46.Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor,
47.e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador,
48.porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada,
49.porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo é o seu nome.
50.A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem.
51.Agiu com o seu braço valorosamente; dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos.
52.Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes.
53.Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.
54.Amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrar-se da sua misericórdia
55.a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre, como prometera aos nossos pais.
56.Maria permaneceu cerca de três meses com Isabel e voltou para casa.
O nascimento de João Batista
57.A Isabel cumpriu-se o tempo de dar à luz, e teve um filho.
58.Ouviram os seus vizinhos e parentes que o Senhor usara de grande misericórdia para com ela e participaram do seu regozijo.
59.Sucedeu que, no oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias.
60.De modo nenhum! Respondeu sua mãe. Pelo contrário, ele deve ser chamado João.
61.Disseram-lhe: Ninguém há na tua parentela que tenha este nome.
62.E perguntaram, por acenos, ao pai do menino que nome queria que lhe dessem.
63.Então, pedindo ele uma tabuinha, escreveu: João é o seu nome. E todos se admiraram.
64.Imediatamente, a boca se lhe abriu, e, desimpedida a língua, falava louvando a Deus.
65.Sucedeu que todos os seus vizinhos ficaram possuídos de temor, e por toda a região montanhosa da Judéia foram divulgadas estas coisas.
66.Todos os que as ouviram guardavam-nas no coração, dizendo: Que virá a ser, pois, este menino? E a mão do Senhor estava com ele.
O cântico de Zacarias
67.Zacarias, seu pai, cheio do Espírito Santo, profetizou, dizendo:
68.Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo,
69.e nos suscitou plena e poderosa salvação na casa de Davi, seu servo,
70.como prometera, desde a antiguidade, por boca dos seus santos profetas,
71.para nos libertar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam;
72.para usar de misericórdia com os nossos pais e lembrar-se da sua santa aliança
73.e do juramento que fez a Abraão, o nosso pai,
74.de conceder-nos que, livres das mãos de inimigos, o adorássemos sem temor,
75.em santidade e justiça perante ele, todos os nossos dias.
76.Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-lhe os caminhos,
77.para dar ao seu povo conhecimento da salvação, no redimi-lo dos seus pecados,
78.graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas,
79.para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz.
80.O menino crescia e se fortalecia em espírito. E viveu nos desertos até ao dia em que havia de manifestar-se a Israel.
O nascimento de Jesus Cristo
1.Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se.
2.Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria.
3.Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
4.José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi,
5.a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.
6.Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias,
7.e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.
Os anjos e os pastores
8.Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite.
9.E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor.
10.O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo:
11.é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
12.E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura.
13.E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo:
14.Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.
15.E, ausentando-se deles os anjos para o céu, diziam os pastores uns aos outros: Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer.
16.Foram apressadamente e acharam Maria e José e a criança deitada na manjedoura.
17.E, vendo-o, divulgaram o que lhes tinha sido dito a respeito deste menino.
18.Todos os que ouviram se admiraram das coisas referidas pelos pastores.
19.Maria, porém, guardava todas estas palavras, meditando-as no coração.
20.Voltaram, então, os pastores glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora anunciado.
A circuncisão de Jesus
21.Completados oito dias para ser circuncidado o menino, deram-lhe o nome de JESUS, como lhe chamara o anjo, antes de ser concebido.
A apresentação de Jesus no templo
22.Passados os dias da purificação deles segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor,
23.conforme o que está escrito na Lei do Senhor: Todo primogênito ao Senhor será consagrado;
24.e para oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida Lei: Um par de rolas ou dois pombinhos.
O cântico de Simeão
25.Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele.
26.Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor.
27.Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava,
28.Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo:
29.Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra;
30.porque os meus olhos já viram a tua salvação,
31.a qual preparaste diante de todos os povos:
32.luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel.
33.E estavam o pai e a mãe do menino admirados do que dele se dizia.
34.Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição
35.( também uma espada traspassará a tua própria alma ), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.
A profetisa Ana
36.Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara
37.e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações.
38.E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.
O menino Jesus em Nazaré
39.Cumpridas todas as ordenanças segundo a Lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, para a sua cidade de Nazaré.
40.Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele.
O menino Jesus no meio dos doutores
41.Ora, anualmente iam seus pais a Jerusalém, para a Festa da Páscoa.
42.Quando ele atingiu os doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa.
43.Terminados os dias da festa, ao regressarem, permaneceu o menino Jesus em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem.
44.Pensando, porém, estar ele entre os companheiros de viagem, foram caminho de um dia e, então, passaram a procurá-lo entre os parentes e os conhecidos;
45.e, não o tendo encontrado, voltaram a Jerusalém à sua procura.
46.Três dias depois, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.
47.E todos os que o ouviam muito se admiravam da sua inteligência e das suas respostas.
48.Logo que seus pais o viram, ficaram maravilhados; e sua mãe lhe disse: Filho, por que fizeste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura.
49.Ele lhes respondeu: Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?
50.Não compreenderam, porém, as palavras que lhes dissera.
51.E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso. Sua mãe, porém, guardava todas estas coisas no coração.
52.E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.
A pregação de João Batista
1.No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes, tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe, tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene,
2.sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto.
3.Ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados,
4.conforme está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.
5.Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; os caminhos tortuosos serão retificados, e os escabrosos, aplanados;
6.e toda carne verá a salvação de Deus.
7.Dizia ele, pois, às multidões que saíam para serem batizadas: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?
8.Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.
9.E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.
10.Então, as multidões o interrogavam, dizendo: Que havemos, pois, de fazer?
11.Respondeu-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo.
12.Foram também publicanos para serem batizados e perguntaram-lhe: Mestre, que havemos de fazer?
13.Respondeu-lhes: Não cobreis mais do que o estipulado.
14.Também soldados lhe perguntaram: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo.
João dá testemunho de Jesus
15.Estando o povo na expectativa, e discorrendo todos no seu íntimo a respeito de João, se não seria ele, porventura, o próprio Cristo,
16.disse João a todos: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
17.A sua pá, ele a tem na mão, para limpar completamente a sua eira e recolher o trigo no seu celeiro; porém queimará a palha em fogo inextinguível.
18.Assim, pois, com muitas outras exortações anunciava o evangelho ao povo;
19.mas Herodes, o tetrarca, sendo repreendido por ele, por causa de Herodias, mulher de seu irmão, e por todas as maldades que o mesmo Herodes havia feito,
20.acrescentou ainda sobre todas a de lançar João no cárcere.
O batismo de Jesus
21.E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu,
22.e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.
A genealogia de Jesus Cristo
23.Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu ministério. Era, como se cuidava, filho de José, filho de Eli;
24.Eli, filho de Matate, Matate, filho de Levi, Levi, filho de Melqui, este, filho de Janai, filho de José;
25.José, filho de Matatias, Matatias, filho de Amós, Amós, filho de Naum, este, filho de Esli, filho de Nagai;
26.Nagai, filho de Maate, Maate, filho de Matatias, Matatias, filho de Semei, este, filho de José, filho de Jodá;
27.Jodá, filho de Joanã, Joanã, filho de Resa, Resa, filho de Zorobabel, este, de Salatiel, filho de Neri;
28.Neri, filho de Melqui, Melqui, filho de Adi, Adi, filho de Cosã, este, de Elmadã, filho de Er;
29.Er, filho de Josué, Josué, filho de Eliézer, Eliézer, filho de Jorim, este, de Matate, filho de Levi;
30.Levi, filho de Simeão, Simeão, filho de Judá, Judá, filho de José, este, filho de Jonã, filho de Eliaquim;
31.Eliaquim, filho de Meleá, Meleá, filho de Mená, Mená, filho de Matatá, este, filho de Natã, filho de Davi;
32.Davi, filho de Jessé, Jessé, filho de Obede, Obede, filho de Boaz, este, filho de Salá, filho de Naassom;
33.Naassom, filho de Aminadabe, Aminadabe, filho de Admim, Admim, filho de Arni, Arni, filho de Esrom, este, filho de Perez, filho de Judá;
34.Judá, filho de Jacó, Jacó, filho de Isaque, Isaque, filho de Abraão, este, filho de Tera, filho de Naor;
35.Naor, filho de Serugue, Serugue, filho de Ragaú, Ragaú, filho de Faleque, este, filho de Éber, filho de Salá;
36.Salá, filho de Cainã, Cainã, filho de Arfaxade, Arfaxade, filho de Sem, este, filho de Noé, filho de Lameque;
37.Lameque, filho de Metusalém, Metusalém, filho de Enoque, Enoque, filho de Jarede, este, filho de Maalalel, filho de Cainã;
38.Cainã, filho de Enos, Enos, filho de Sete, e este, filho de Adão, filho de Deus.
A tentação de Jesus
1.Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto,
2.durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome.
3.Disse-lhe, então, o diabo: Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão.
4.Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem.
5.E, elevando-o, mostrou-lhe, num momento, todos os reinos do mundo.
6.Disse-lhe o diabo: Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser.
7.Portanto, se prostrado me adorares, toda será tua.
8.Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto.
9.Então, o levou a Jerusalém, e o colocou sobre o pináculo do templo, e disse: Se és o Filho de Deus, atira-te daqui abaixo;
10.porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem;
11.e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.
12.Respondeu-lhe Jesus: Dito está: Não tentarás o Senhor, teu Deus.
13.Passadas que foram as tentações de toda sorte, apartou-se dele o diabo, até momento oportuno.
Jesus volta para a Galileia e principia a sua missão
14.Então, Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galiléia, e a sua fama correu por toda a circunvizinhança.
15.E ensinava nas sinagogas, sendo glorificado por todos.
Jesus prega em Nazaré. É rejeitado pelos seus
16.Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler.
17.Então, lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito:
18.O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos,
19.e apregoar o ano aceitável do Senhor.
20.Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele.
21.Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir.
22.Todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que lhe saíam dos lábios, e perguntavam: Não é este o filho de José?
23.Disse-lhes Jesus: Sem dúvida, citar-me-eis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; tudo o que ouvimos ter-se dado em Cafarnaum, faze-o também aqui na tua terra.
24.E prosseguiu: De fato, vos afirmo que nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra.
25.Na verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por três anos e seis meses, reinando grande fome em toda a terra;
26.e a nenhuma delas foi Elias enviado, senão a uma viúva de Sarepta de Sidom.
27.Havia também muitos leprosos em Israel nos dias do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro.
28.Todos na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira.
29.E, levantando-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até ao cimo do monte sobre o qual estava edificada, para, de lá, o precipitarem abaixo.
30.Jesus, porém, passando por entre eles, retirou-se.
A cura de um endemoninhado em Cafarnaum
31.E desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e os ensinava no sábado.
32.E muito se maravilhavam da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade.
33.Achava-se na sinagoga um homem possesso de um espírito de demônio imundo, e bradou em alta voz:
34.Ah! Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus!
35.Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai deste homem. O demônio, depois de o ter lançado por terra no meio de todos, saiu dele sem lhe fazer mal.
36.Todos ficaram grandemente admirados e comentavam entre si, dizendo: Que palavra é esta, pois, com autoridade e poder, ordena aos espíritos imundos, e eles saem?
37.E a sua fama corria por todos os lugares da circunvizinhança.
A cura da sogra de Pedro
38.Deixando ele a sinagoga, foi para a casa de Simão. Ora, a sogra de Simão achava-se enferma, com febre muito alta; e rogaram-lhe por ela.
39.Inclinando-se ele para ela, repreendeu a febre, e esta a deixou; e logo se levantou, passando a servi-los.
Muitas outras curas
40.Ao pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de diferentes moléstias lhos traziam; e ele os curava, impondo as mãos sobre cada um.
41.Também de muitos saíam demônios, gritando e dizendo: Tu és o Filho de Deus! Ele, porém, os repreendia para que não falassem, pois sabiam ser ele o Cristo.
Jesus vai a um lugar deserto
42.Sendo dia, saiu e foi para um lugar deserto; as multidões o procuravam, e foram até junto dele, e instavam para que não os deixasse.
43.Ele, porém, lhes disse: É necessário que eu anuncie o evangelho do reino de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado.
44.E pregava nas sinagogas da Judéia.
A pesca maravilhosa
1.Aconteceu que, ao apertá-lo a multidão para ouvir a palavra de Deus, estava ele junto ao lago de Genesaré;
2.e viu dois barcos junto à praia do lago; mas os pescadores, havendo desembarcado, lavavam as redes.
3.Entrando em um dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da praia; e, assentando-se, ensinava do barco as multidões.
4.Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar.
5.Respondeu-lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes.
6.Isto fazendo, apanharam grande quantidade de peixes; e rompiam-se-lhes as redes.
7.Então, fizeram sinais aos companheiros do outro barco, para que fossem ajudá-los. E foram e encheram ambos os barcos, a ponto de quase irem a pique.
8.Vendo isto, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador.
9.Pois, à vista da pesca que fizeram, a admiração se apoderou dele e de todos os seus companheiros,
10.bem como de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus sócios. Disse Jesus a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens.
11.E, arrastando eles os barcos sobre a praia, deixando tudo, o seguiram.
A cura de um leproso
12.Aconteceu que, estando ele numa das cidades, veio à sua presença um homem coberto de lepra; ao ver a Jesus, prostrando-se com o rosto em terra, suplicou-lhe: Senhor, se quiseres, podes purificar-me.
13.E ele, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E, no mesmo instante, lhe desapareceu a lepra.
14.Ordenou-lhe Jesus que a ninguém o dissesse, mas vai, disse, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o sacrifício que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo.
15.Porém o que se dizia a seu respeito cada vez mais se divulgava, e grandes multidões afluíam para o ouvirem e serem curadas de suas enfermidades.
16.Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava.
A cura de um paralítico em Cafarnaum
17.Ora, aconteceu que, num daqueles dias, estava ele ensinando, e achavam-se ali assentados fariseus e mestres da Lei, vindos de todas as aldeias da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor estava com ele para curar.
18.Vieram, então, uns homens trazendo em um leito um paralítico; e procuravam introduzi-lo e pô-lo diante de Jesus.
19.E, não achando por onde introduzi-lo por causa da multidão, subindo ao eirado, o desceram no leito, por entre os ladrilhos, para o meio, diante de Jesus.
20.Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Homem, estão perdoados os teus pecados.
21.E os escribas e fariseus arrazoavam, dizendo: Quem é este que diz blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus?
22.Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse-lhes: Que arrazoais em vosso coração?
23.Qual é mais fácil, dizer: Estão perdoados os teus pecados ou: Levanta-te e anda?
24.Mas, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados—disse ao paralítico: Eu te ordeno: Levanta-te, toma o teu leito e vai para casa.
25.Imediatamente, se levantou diante deles e, tomando o leito em que permanecera deitado, voltou para casa, glorificando a Deus.
26.Todos ficaram atônitos, davam glória a Deus e, possuídos de temor, diziam: Hoje, vimos prodígios.
A vocação de Levi
27.Passadas estas coisas, saindo, viu um publicano, chamado Levi, assentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me!
28.Ele se levantou e, deixando tudo, o seguiu.
Jesus come com pecadores
29.Então, lhe ofereceu Levi um grande banquete em sua casa; e numerosos publicanos e outros estavam com eles à mesa.
30.Os fariseus e seus escribas murmuravam contra os discípulos de Jesus, perguntando: Por que comeis e bebeis com os publicanos e pecadores?
31.Respondeu-lhes Jesus: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.
32.Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento.
Do jejum
33.Disseram-lhe eles: Os discípulos de João e bem assim os dos fariseus freqüentemente jejuam e fazem orações; os teus, entretanto, comem e bebem.
34.Jesus, porém, lhes disse: Podeis fazer jejuar os convidados para o casamento, enquanto está com eles o noivo?
35.Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; naqueles dias, sim, jejuarão.
36.Também lhes disse uma parábola: Ninguém tira um pedaço de veste nova e o põe em veste velha; pois rasgará a nova, e o remendo da nova não se ajustará à velha.
37.E ninguém põe vinho novo em odres velhos, pois o vinho novo romperá os odres; entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão.
38.Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos e ambos se conservam.
39.E ninguém, tendo bebido o vinho velho, prefere o novo; porque diz: O velho é excelente.
Jesus é senhor do sábado
1.Aconteceu que, num sábado, passando Jesus pelas searas, os seus discípulos colhiam e comiam espigas, debulhando-as com as mãos.
2.E alguns dos fariseus lhes disseram: Por que fazeis o que não é lícito aos sábados?
3.Respondeu-lhes Jesus: Nem ao menos tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e seus companheiros?
4.Como entrou na casa de Deus, tomou, e comeu os pães da proposição, e os deu aos que com ele estavam, pães que não lhes era lícito comer, mas exclusivamente aos sacerdotes?
5.E acrescentou-lhes: O Filho do Homem é senhor do sábado.
O homem da mão ressequida
6.Sucedeu que, em outro sábado, entrou ele na sinagoga e ensinava. Ora, achava-se ali um homem cuja mão direita estava ressequida.
7.Os escribas e os fariseus observavam-no, procurando ver se ele faria uma cura no sábado, a fim de acharem de que o acusar.
8.Mas ele, conhecendo-lhes os pensamentos, disse ao homem da mão ressequida: Levanta-te e vem para o meio; e ele, levantando-se, permaneceu de pé.
9.Então, disse Jesus a eles: Que vos parece? É lícito, no sábado, fazer o bem ou o mal? Salvar a vida ou deixá-la perecer?
10.E, fitando todos ao redor, disse ao homem: Estende a mão. Ele assim o fez, e a mão lhe foi restaurada.
11.Mas eles se encheram de furor e discutiam entre si quanto ao que fariam a Jesus.
A escolha dos doze apóstolos. Os seus nomes
12.Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus.
13.E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos:
14.Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu;
15.Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote;
16.Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou traidor.
Jesus cura muitos enfermos
17.E, descendo com eles, parou numa planura onde se encontravam muitos discípulos seus e grande multidão do povo, de toda a Judéia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sidom,
18.que vieram para o ouvirem e serem curados de suas enfermidades; também os atormentados por espíritos imundos eram curados.
19.E todos da multidão procuravam tocá-lo, porque dele saía poder; e curava todos.
As bem-aventuranças
20.Então, olhando ele para os seus discípulos, disse-lhes: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.
21.Bem-aventurados vós, os que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, os que agora chorais, porque haveis de rir.
22.Bem-aventurados sois quando os homens vos odiarem e quando vos expulsarem da sua companhia, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como indigno, por causa do Filho do Homem.
23.Regozijai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu; pois dessa forma procederam seus pais com os profetas.
Os ais
24.Mas ai de vós, os ricos! Porque tendes a vossa consolação.
25.Ai de vós, os que estais agora fartos! Porque vireis a ter fome. Ai de vós, os que agora rides! Porque haveis de lamentar e chorar.
26.Ai de vós, quando todos vos louvarem! Porque assim procederam seus pais com os falsos profetas.
Da vingança
27.Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam;
28.bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam.
29.Ao que te bate numa face, oferece-lhe também a outra; e, ao que tirar a tua capa, deixa-o levar também a túnica;
30.dá a todo o que te pede; e, se alguém levar o que é teu, não entres em demanda.
31.Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles.
Do amor ao próximo
32.Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam.
33.Se fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa? Até os pecadores fazem isso.
34.E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, qual é a vossa recompensa? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto.
35.Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus.
36.Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai.
O juízo temerário é proibido
37.Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados;
38.dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.
A parábola do cego que guia a outro cego
39.Propôs-lhes também uma parábola: Pode, porventura, um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco?
40.O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre.
41.Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?
42.Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.
Árvores e seus frutos
43.Não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto.
44.Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas.
45.O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.
Os dois fundamentos
46.Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?
47.Todo aquele que vem a mim, e ouve as minhas palavras, e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante.
48.É semelhante a um homem que, edificando uma casa, cavou, abriu profunda vala e lançou o alicerce sobre a rocha; e, vindo a enchente, arrojou-se o rio contra aquela casa e não a pôde abalar, por ter sido bem construída.
49.Mas o que ouve e não pratica é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre a terra sem alicerces, e, arrojando-se o rio contra ela, logo desabou; e aconteceu que foi grande a ruína daquela casa.
A cura do servo de um centurião
1.Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum.
2.E o servo de um centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte.
3.Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo.
4.Estes, chegando-se a Jesus, com instância lhe suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhe faças isto;
5.porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga.
6.Então, Jesus foi com eles. E, já perto da casa, o centurião enviou-lhe amigos para lhe dizer: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa.
7.Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado.
8.Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz.
9.Ouvidas estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta.
10.E, voltando para casa os que foram enviados, encontraram curado o servo.
A ressurreição do filho da viúva de Naim
11.Em dia subseqüente, dirigia-se Jesus a uma cidade chamada Naim, e iam com ele os seus discípulos e numerosa multidão.
12.Como se aproximasse da porta da cidade, eis que saía o enterro do filho único de uma viúva; e grande multidão da cidade ia com ela.
13.Vendo-a, o Senhor se compadeceu dela e lhe disse: Não chores!
14.Chegando-se, tocou o esquife e, parando os que o conduziam, disse: Jovem, eu te mando: levanta-te!
15.Sentou-se o que estivera morto e passou a falar; e Jesus o restituiu a sua mãe.
16.Todos ficaram possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: Grande profeta se levantou entre nós; e: Deus visitou o seu povo.
17.Esta notícia a respeito dele divulgou-se por toda a Judéia e por toda a circunvizinhança.
João envia mensageiros a Jesus
18.Todas estas coisas foram referidas a João pelos seus discípulos. E João, chamando dois deles,
19.enviou-os ao Senhor para perguntar: És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?
20.Quando os homens chegaram junto dele, disseram: João Batista enviou-nos para te perguntar: És tu aquele que estava para vir ou esperaremos outro?
21.Naquela mesma hora, curou Jesus muitos de moléstias, e de flagelos, e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos.
22.Então, Jesus lhes respondeu: Ide e anunciai a João o que vistes e ouvistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres, anuncia-se-lhes o evangelho.
23.E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço.
Jesus dá testemunho de João
24.Tendo-se retirado os mensageiros, passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
25.Que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Os que se vestem bem e vivem no luxo assistem nos palácios dos reis.
26.Sim, que saístes a ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta.
27.Este é aquele de quem está escrito: Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti.
28.E eu vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João; mas o menor no reino de Deus é maior do que ele.
29.Todo o povo que o ouviu e até os publicanos reconheceram a justiça de Deus, tendo sido batizados com o batismo de João;
30.mas os fariseus e os intérpretes da Lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus, não tendo sido batizados por ele.
31.A que, pois, compararei os homens da presente geração, e a que são eles semelhantes?
32.São semelhantes a meninos que, sentados na praça, gritam uns para os outros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não chorastes.
33.Pois veio João Batista, não comendo pão, nem bebendo vinho, e dizeis: Tem demônio!
34.Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!
35.Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.
A pecadora que ungiu os pés de Jesus
36.Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa.
37.E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento;
38.e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento.
39.Ao ver isto, o fariseu que o convidara disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora.
40.Dirigiu-se Jesus ao fariseu e lhe disse: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre.
41.Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinqüenta.
42.Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais?
43.Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem.
44.E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos.
45.Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés.
46.Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés.
47.Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.
48.Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados.
49.Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados?
50.Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.
As mulheres que assistiam Jesus
1.Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele,
2.e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios;
3.e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens.
A parábola do semeador
4.Afluindo uma grande multidão e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus por parábola:
5.Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.
6.Outra caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade.
7.Outra caiu no meio dos espinhos; e estes, ao crescerem com ela, a sufocaram.
8.Outra, afinal, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cento por um. Dizendo isto, clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
A explicação da parábola
9.E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta?
10.Respondeu-lhes Jesus: A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; aos demais, fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam; e, ouvindo, não entendam.
11.Este é o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus.
12.A que caiu à beira do caminho são os que a ouviram; vem, a seguir, o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra, para não suceder que, crendo, sejam salvos.
13.A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, crêem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam.
14.A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com os cuidados, riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer.
15.A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança.
A parábola da candeia
16.Ninguém, depois de acender uma candeia, a cobre com um vaso ou a põe debaixo de uma cama; pelo contrário, coloca-a sobre um velador, a fim de que os que entram vejam a luz.
17.Nada há oculto, que não haja de manifestar-se, nem escondido, que não venha a ser conhecido e revelado.
18.Vede, pois, como ouvis; porque ao que tiver, se lhe dará; e ao que não tiver, até aquilo que julga ter lhe será tirado.
A família de Jesus
19.Vieram ter com ele sua mãe e seus irmãos e não podiam aproximar-se por causa da concorrência de povo.
20.E lhe comunicaram: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-te.
21.Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam.
Jesus acalma uma tempestade
22.Aconteceu que, num daqueles dias, entrou ele num barco em companhia dos seus discípulos e disse-lhes: Passemos para a outra margem do lago; e partiram.
23.Enquanto navegavam, ele adormeceu. E sobreveio uma tempestade de vento no lago, correndo eles o perigo de soçobrar.
24.Chegando-se a ele, despertaram-no dizendo: Mestre, Mestre, estamos perecendo! Despertando-se Jesus, repreendeu o vento e a fúria da água. Tudo cessou, e veio a bonança.
25.Então, lhes disse: Onde está a vossa fé? Eles, possuídos de temor e admiração, diziam uns aos outros: Quem é este que até aos ventos e às ondas repreende, e lhe obedecem?
A cura do endemoninhado geraseno
26.Então, rumaram para a terra dos gerasenos, fronteira da Galiléia.
27.Logo ao desembarcar, veio da cidade ao seu encontro um homem possesso de demônios que, havia muito, não se vestia, nem habitava em casa alguma, porém vivia nos sepulcros.
28.E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando e dizendo em alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes.
29.Porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem, pois muitas vezes se apoderara dele. E, embora procurassem conservá-lo preso com cadeias e grilhões, tudo despedaçava e era impelido pelo demônio para o deserto.
30.Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião, porque tinham entrado nele muitos demônios.
31.Rogavam-lhe que não os mandasse sair para o abismo.
32.Ora, andava ali, pastando no monte, uma grande manada de porcos; rogaram-lhe que lhes permitisse entrar naqueles porcos. E Jesus o permitiu.
33.Tendo os demônios saído do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do lago, e se afogou.
34.Os porqueiros, vendo o que acontecera, fugiram e foram anunciá-lo na cidade e pelos campos.
Os gerasenos rejeitam Jesus
35.Então, saiu o povo para ver o que se passara, e foram ter com Jesus. De fato, acharam o homem de quem saíram os demônios, vestido, em perfeito juízo, assentado aos pés de Jesus; e ficaram dominados de terror.
36.E algumas pessoas que tinham presenciado os fatos contaram-lhes também como fora salvo o endemoninhado.
37.Todo o povo da circunvizinhança dos gerasenos rogou-lhe que se retirasse deles, pois estavam possuídos de grande medo. E Jesus, tomando de novo o barco, voltou.
38.O homem de quem tinham saído os demônios rogou-lhe que o deixasse estar com ele; Jesus, porém, o despediu, dizendo:
39.Volta para casa e conta aos teus tudo o que Deus fez por ti. Então, foi ele anunciando por toda a cidade todas as coisas que Jesus lhe tinha feito.
O pedido de Jairo
40.Ao regressar Jesus, a multidão o recebeu com alegria, porque todos o estavam esperando.
41.Eis que veio um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga, e, prostrando-se aos pés de Jesus, lhe suplicou que chegasse até a sua casa.
42.Pois tinha uma filha única de uns doze anos, que estava à morte. Enquanto ele ia, as multidões o apertavam.
A cura de uma mulher enferma
43.Certa mulher que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia, e a quem ninguém tinha podido curar e que gastara com os médicos todos os seus haveres,
44.veio por trás dele e lhe tocou na orla da veste, e logo se lhe estancou a hemorragia.
45.Mas Jesus disse: Quem me tocou? Como todos negassem, Pedro com seus companheiros disse: Mestre, as multidões te apertam e te oprimem e dizes: Quem me tocou?.
46.Contudo, Jesus insistiu: Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder.
47.Vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se trêmula e, prostrando-se diante dele, declarou, à vista de todo o povo, a causa por que lhe havia tocado e como imediatamente fora curada.
48.Então, lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz.
A ressurreição da filha de Jairo
49.Falava ele ainda, quando veio uma pessoa da casa do chefe da sinagoga, dizendo: Tua filha já está morta, não incomodes mais o Mestre.
50.Mas Jesus, ouvindo isto, lhe disse: Não temas, crê somente, e ela será salva.
51.Tendo chegado à casa, a ninguém permitiu que entrasse com ele, senão Pedro, João, Tiago e bem assim o pai e a mãe da menina.
52.E todos choravam e a pranteavam. Mas ele disse: Não choreis; ela não está morta, mas dorme.
53.E riam-se dele, porque sabiam que ela estava morta.
54.Entretanto, ele, tomando-a pela mão, disse-lhe, em voz alta: Menina, levanta-te!
55.Voltou-lhe o espírito, ela imediatamente se levantou, e ele mandou que lhe dessem de comer.
56.Seus pais ficaram maravilhados, mas ele lhes advertiu que a ninguém contassem o que havia acontecido.
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