Jesus entregue a Pilatos
1.Ao romper o dia, todos os principais sacerdotes e os anciãos do povo entraram em conselho contra Jesus, para o matarem;
2.e, amarrando-o, levaram-no e o entregaram ao governador Pilatos.
O suicídio de Judas
3.Então, Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo:
4.Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo.
5.Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se.
6.E os principais sacerdotes, tomando as moedas, disseram: Não é lícito deitá-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue.
7.E, tendo deliberado, compraram com elas o campo do oleiro, para cemitério de forasteiros.
8.Por isso, aquele campo tem sido chamado, até ao dia de hoje, Campo de Sangue.
9.Então, se cumpriu o que foi dito por intermédio do profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço em que foi estimado aquele a quem alguns dos filhos de Israel avaliaram;
10.e as deram pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor.
Jesus perante Pilatos
11.Jesus estava em pé ante o governador; e este o interrogou, dizendo: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes.
12.E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.
13.Então, lhe perguntou Pilatos: Não ouves quantas acusações te fazem?
14.Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador.
15.Ora, por ocasião da festa, costumava o governador soltar ao povo um dos presos, conforme eles quisessem.
16.Naquela ocasião, tinham eles um preso muito conhecido, chamado Barrabás.
17.Estando, pois, o povo reunido, perguntou-lhes Pilatos: A quem quereis que eu vos solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado Cristo?
18.Porque sabia que, por inveja, o tinham entregado.
19.E, estando ele no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas com esse justo; porque hoje, em sonho, muito sofri por seu respeito.
20.Mas os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus.
21.De novo, perguntou-lhes o governador: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam eles: Barrabás!
22.Replicou-lhes Pilatos: Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? Seja crucificado! Responderam todos.
23.Que mal fez ele? Perguntou Pilatos. Porém cada vez clamavam mais: Seja crucificado!
24.Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo; fique o caso convosco!
25.E o povo todo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!
26.Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para ser crucificado.
Jesus entregue aos soldados
27.Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram em torno dele toda a coorte.
28.Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto escarlate;
29.tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus!
30.E, cuspindo nele, tomaram o caniço e davam-lhe com ele na cabeça.
31.Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado.
Simão leva a cruz do Senhor
32.Ao saírem, encontraram um cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a carregar-lhe a cruz.
A crucificação
33.E, chegando a um lugar chamado Gólgota, que significa Lugar da Caveira,
34.deram-lhe a beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber.
35.Depois de o crucificarem, repartiram entre si as suas vestes, tirando a sorte.
36.E, assentados ali, o guardavam.
37.Por cima da sua cabeça puseram escrita a sua acusação: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS.
38.E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda.
39.Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo:
40.Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!
41.De igual modo, os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam:
42.Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele.
43.Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus.
44.E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele.
A morte de Jesus
45.Desde a hora sexta até à hora nona, houve trevas sobre toda a terra.
46.Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
47.E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Ele chama por Elias.
48.E, logo, um deles correu a buscar uma esponja e, tendo-a embebido de vinagre e colocado na ponta de um caniço, deu-lhe a beber.
49.Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem salvá-lo.
50.E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito.
51.Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas;
52.abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram;
53.e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos.
54.O centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto e tudo o que se passava, ficaram possuídos de grande temor e disseram: Verdadeiramente este era Filho de Deus.
55.Estavam ali muitas mulheres, observando de longe; eram as que vinham seguindo a Jesus desde a Galiléia, para o servirem;
56.entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mulher de Zebedeu.
O sepultamento de Jesus
57.Caindo a tarde, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus.
58.Este foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Então, Pilatos mandou que lho fosse entregue.
59.E José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo de linho
60.e o depositou no seu túmulo novo, que fizera abrir na rocha; e, rolando uma grande pedra para a entrada do sepulcro, se retirou.
61.Achavam-se ali, sentadas em frente da sepultura, Maria Madalena e a outra Maria.
A guarda do sepulcro
62.No dia seguinte, que é o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus e, dirigindo-se a Pilatos,
63.disseram-lhe: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse: Depois de três dias ressuscitarei.
64.Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, para não suceder que, vindo os discípulos, o roubem e depois digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e será o último embuste pior que o primeiro.
65.Disse-lhes Pilatos: Aí tendes uma escolta; ide e guardai o sepulcro como bem vos parecer.
66.Indo eles, montaram guarda ao sepulcro, selando a pedra e deixando ali a escolta.
A ressurreição de Jesus. Seu aparecimento às mulheres
1.No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
2.E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela.
3.O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve.
4.E os guardas tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos.
5.Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: Não temais; porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado.
6.Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia.
7.Ide, pois, depressa e dizei aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. É como vos digo!
8.E, retirando-se elas apressadamente do sepulcro, tomadas de medo e grande alegria, correram a anunciá-lo aos discípulos.
9.E eis que Jesus veio ao encontro delas e disse: Salve! E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés e o adoraram.
10.Então, Jesus lhes disse: Não temais! Ide avisar a meus irmãos que se dirijam à Galiléia e lá me verão.
Os judeus subornam os guardas
11.E, indo elas, eis que alguns da guarda foram à cidade e contaram aos principais sacerdotes tudo o que sucedera.
12.Reunindo-se eles em conselho com os anciãos, deram grande soma de dinheiro aos soldados,
13.recomendando-lhes que dissessem: Vieram de noite os discípulos dele e o roubaram enquanto dormíamos.
14.Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos e vos poremos em segurança.
15.Eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. Esta versão divulgou-se entre os judeus até ao dia de hoje.
Jesus aparece aos discípulos na Galileia
16.Seguiram os onze discípulos para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes designara.
17.E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.
A Grande Comissão
18.Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.
19.Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
20.ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.
1.Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.
João Batista
2.Conforme está escrito na profecia de Isaías: Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho;
3.voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas;
4.apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados.
5.Saíam a ter com ele toda a província da Judéia e todos os habitantes de Jerusalém; e, confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão.
6.As vestes de João eram feitas de pêlos de camelo; ele trazia um cinto de couro e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre.
João dá testemunho de Jesus
7.E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias.
8.Eu vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.
O batismo de Jesus
9.Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galiléia e por João foi batizado no rio Jordão.
10.Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba sobre ele.
11.Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.
A tentação de Jesus
12.E logo o Espírito o impeliu para o deserto,
13.onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam.
Jesus volta para a Galileia
14.Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus,
15.dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.
A vocação de discípulos
16.Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu os irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores.
17.Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.
18.Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram.
19.Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes.
20.E logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus.
A cura de um endemoninhado em Cafarnaum
21.Depois, entraram em Cafarnaum, e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga.
22.Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.
23.Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou:
24.Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus!
25.Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem.
26.Então, o espírito imundo, agitando-o violentamente e bradando em alta voz, saiu dele.
27.Todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!
28.Então, correu célere a fama de Jesus em todas as direções, por toda a circunvizinhança da Galiléia.
A cura da sogra de Pedro
29.E, saindo eles da sinagoga, foram, com Tiago e João, diretamente para a casa de Simão e André.
30.A sogra de Simão achava-se acamada, com febre; e logo lhe falaram a respeito dela.
31.Então, aproximando-se, tomou-a pela mão; e a febre a deixou, passando ela a servi-los.
Muitas outras curas
32.À tarde, ao cair do sol, trouxeram a Jesus todos os enfermos e endemoninhados.
33.Toda a cidade estava reunida à porta.
34.E ele curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem ele era.
Jesus se retira para orar
35.Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava.
36.Procuravam-no diligentemente Simão e os que com ele estavam.
37.Tendo-o encontrado, lhe disseram: Todos te buscam.
38.Jesus, porém, lhes disse: Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim.
39.Então, foi por toda a Galiléia, pregando nas sinagogas deles e expelindo os demônios.
A cura de um leproso
40.Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me.
41.Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo!
42.No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo.
43.Fazendo-lhe, então, veemente advertência, logo o despediu
44.e lhe disse: Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo.
45.Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas coisas e a divulgar a notícia, a ponto de não mais poder Jesus entrar publicamente em qualquer cidade, mas permanecia fora, em lugares ermos; e de toda parte vinham ter com ele.
A cura de um paralítico em Cafarnaum
1.Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa.
2.Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra.
3.Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens.
4.E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente.
5.Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados.
6.Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração:
7.Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?
8.E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?
9.Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?
10.Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados 266 — disse ao paralítico:
11.Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.
12.Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!
A vocação de Levi
13.De novo, saiu Jesus para junto do mar, e toda a multidão vinha ao seu encontro, e ele os ensinava.
14.Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.
Jesus come com pecadores
15.Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam.
16.Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores?
17.Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.
Do jejum
18.Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?
19.Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar.
20.Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão.
21.Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura.
22.Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.
Jesus é senhor do sábado
23.Ora, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as searas, e os discípulos, ao passarem, colhiam espigas.
24.Advertiram-no os fariseus: Vê! Por que fazem o que não é lícito aos sábados?
25.Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros?
26.Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais não é lícito comer, senão aos sacerdotes, e deu também aos que estavam com ele?
27.E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado;
28.de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado.
O homem da mão ressequida
1.De novo, entrou Jesus na sinagoga e estava ali um homem que tinha ressequida uma das mãos.
2.E estavam observando a Jesus para ver se o curaria em dia de sábado, a fim de o acusarem.
3.E disse Jesus ao homem da mão ressequida: Vem para o meio!
4.Então, lhes perguntou: É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou tirá-la? Mas eles ficaram em silêncio.
5.Olhando-os ao redor, indignado e condoído com a dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e a mão lhe foi restaurada.
6.Retirando-se os fariseus, conspiravam logo com os herodianos, contra ele, em como lhe tirariam a vida.
Jesus se retira. A cura de muitos à beira-mar
7.Retirou-se Jesus com os seus discípulos para os lados do mar. Seguia-o da Galiléia uma grande multidão. Também da Judéia,
8.de Jerusalém, da Iduméia, dalém do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom uma grande multidão, sabendo quantas coisas Jesus fazia, veio ter com ele.
9.Então, recomendou a seus discípulos que sempre lhe tivessem pronto um barquinho, por causa da multidão, a fim de não o comprimirem.
10.Pois curava a muitos, de modo que todos os que padeciam de qualquer enfermidade se arrojavam a ele para o tocar.
11.Também os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e exclamavam: Tu és o Filho de Deus!
12.Mas Jesus lhes advertia severamente que o não expusessem à publicidade.
A escolha dos doze apóstolos. Os seus nomes
13.Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele.
14.Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar
15.e a exercer a autoridade de expelir demônios.
16.Eis os doze que designou: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro;
17.Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer: filhos do trovão;
18.André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelote,
19.e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.
A blasfêmia dos escribas
20.Então, ele foi para casa. Não obstante, a multidão afluiu de novo, de tal modo que nem podiam comer.
21.E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.
22.Os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: Ele está possesso de Belzebu. E: É pelo maioral dos demônios que expele os demônios.
23.Então, convocando-os Jesus, lhes disse, por meio de parábolas: Como pode Satanás expelir a Satanás?
24.Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir;
25.se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir.
26.Se, pois, Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode subsistir, mas perece.
27.Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa.
28.Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem.
29.Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno.
30.Isto, porque diziam: Está possesso de um espírito imundo.
A família de Jesus
31.Nisto, chegaram sua mãe e seus irmãos e, tendo ficado do lado de fora, mandaram chamá-lo.
32.Muita gente estava assentada ao redor dele e lhe disseram: Olha, tua mãe, teus irmãos e irmãs estão lá fora à tua procura.
33.Então, ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos?
34.E, correndo o olhar pelos que estavam assentados ao redor, disse: Eis minha mãe e meus irmãos.
35.Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.
A parábola do semeador
1.Voltou Jesus a ensinar à beira-mar. E reuniu-se numerosa multidão a ele, de modo que entrou num barco, onde se assentou, afastando-se da praia. E todo o povo estava à beira-mar, na praia.
2.Assim, lhes ensinava muitas coisas por parábolas, no decorrer do seu doutrinamento.
3.Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear.
4.E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram.
5.Outra caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra.
6.Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se.
7.Outra parte caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram, e não deu fruto.
8.Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu, produzindo a trinta, a sessenta e a cem por um.
9.E acrescentou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
A explicação da parábola
10.Quando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze o interrogaram a respeito das parábolas.
11.Ele lhes respondeu: A vós outros vos é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas,
12.para que, vendo, vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles.
13.Então, lhes perguntou: Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as parábolas?
14.O semeador semeia a palavra.
15.São estes os da beira do caminho, onde a palavra é semeada; e, enquanto a ouvem, logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles.
16.Semelhantemente, são estes os semeados em solo rochoso, os quais, ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria.
17.Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam.
18.Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra,
19.mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera.
20.Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, frutificando a trinta, a sessenta e a cem por um.
A parábola da candeia
21.Também lhes disse: Vem, porventura, a candeia para ser posta debaixo do alqueire ou da cama? Não vem, antes, para ser colocada no velador?
22.Pois nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado.
23.Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.
24.Então, lhes disse: Atentai no que ouvis. Com a medida com que tiverdes medido vos medirão também, e ainda se vos acrescentará.
25.Pois ao que tem se lhe dará; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
A parábola da semente
26.Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra;
27.depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como.
28.A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga.
29.E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.
A parábola do grão de mostarda
30.Disse mais: A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos?
31.É como um grão de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a terra;
32.mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças e deita grandes ramos, a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra.
Por que Jesus falou por parábolas
33.E com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade dos ouvintes.
34.E sem parábolas não lhes falava; tudo, porém, explicava em particular aos seus próprios discípulos.
Jesus acalma uma tempestade
35.Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem.
36.E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam.
37.Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água.
38.E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos?
39.E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança.
40.Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé?
41.E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?
A cura do endemoninhado geraseno
1.Entrementes, chegaram à outra margem do mar, à terra dos gerasenos.
2.Ao desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem possesso de espírito imundo,
3.o qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo;
4.porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram quebradas por ele, e os grilhões, despedaçados. E ninguém podia subjugá-lo.
5.Andava sempre, de noite e de dia, clamando por entre os sepulcros e pelos montes, ferindo-se com pedras.
6.Quando, de longe, viu Jesus, correu e o adorou,
7.exclamando com alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes!
8.Porque Jesus lhe dissera: Espírito imundo, sai desse homem!
9.E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos.
10.E rogou-lhe encarecidamente que os não mandasse para fora do país.
11.Ora, pastava ali pelo monte uma grande manada de porcos.
12.E os espíritos imundos rogaram a Jesus, dizendo: Manda-nos para os porcos, para que entremos neles.
13.Jesus o permitiu. Então, saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada, que era cerca de dois mil, precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram.
14.Os porqueiros fugiram e o anunciaram na cidade e pelos campos. Então, saiu o povo para ver o que sucedera.
Os gerasenos rejeitam a Jesus
15.Indo ter com Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram.
16.Os que haviam presenciado os fatos contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado e acerca dos porcos.
17.E entraram a rogar-lhe que se retirasse da terra deles.
18.Ao entrar Jesus no barco, suplicava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele.
19.Jesus, porém, não lho permitiu, mas ordenou-lhe: Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti.
20.Então, ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos se admiravam.
O pedido de Jairo
21.Tendo Jesus voltado no barco, para o outro lado, afluiu para ele grande multidão; e ele estava junto do mar.
22.Eis que se chegou a ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostrou-se a seus pés
23.e insistentemente lhe suplicou: Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá.
24.Jesus foi com ele. Grande multidão o seguia, comprimindo-o.
A cura de uma mulher enferma
25.Aconteceu que certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia
26.e muito padecera à mão de vários médicos, tendo despendido tudo quanto possuía, sem, contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, indo a pior,
27.tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão, tocou-lhe a veste.
28.Porque, dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada.
29.E logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada do seu flagelo.
30.Jesus, reconhecendo imediatamente que dele saíra poder, virando-se no meio da multidão, perguntou: Quem me tocou nas vestes?
31.Responderam-lhe seus discípulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: Quem me tocou?
32.Ele, porém, olhava ao redor para ver quem fizera isto.
33.Então, a mulher, atemorizada e tremendo, cônscia do que nela se operara, veio, prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade.
34.E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal.
A ressurreição da filha de Jairo
35.Falava ele ainda, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre?
36.Mas Jesus, sem acudir a tais palavras, disse ao chefe da sinagoga: Não temas, crê somente.
37.Contudo, não permitiu que alguém o acompanhasse, senão Pedro e os irmãos Tiago e João.
38.Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus o alvoroço, os que choravam e os que pranteavam muito.
39.Ao entrar, lhes disse: Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme.
40.E riam-se dele. Tendo ele, porém, mandado sair a todos, tomou o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava.
41.Tomando-a pela mão, disse: Talitá cumi!, que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te!
42.Imediatamente, a menina se levantou e pôs-se a andar; pois tinha doze anos. Então, ficaram todos sobremaneira admirados.
43.Mas Jesus ordenou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e mandou que dessem de comer à menina.
Jesus prega em Nazaré. É rejeitado pelos seus
1.Tendo Jesus partido dali, foi para a sua terra, e os seus discípulos o acompanharam.
2.Chegando o sábado, passou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se maravilhavam, dizendo: Donde vêm a este estas coisas? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos?
3.Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele.
4.Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terra, entre os seus parentes e na sua casa.
5.Não pôde fazer ali nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.
6.Admirou-se da incredulidade deles. Contudo, percorria as aldeias circunvizinhas, a ensinar.
As instruções para os doze
7.Chamou Jesus os doze e passou a enviá-los de dois a dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos.
8.Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, exceto um bordão; nem pão, nem alforje, nem dinheiro;
9.que fossem calçados de sandálias e não usassem duas túnicas.
10.E recomendou-lhes: Quando entrardes nalguma casa, permanecei aí até vos retirardes do lugar.
11.Se nalgum lugar não vos receberem nem vos ouvirem, ao sairdes dali, sacudi o pó dos pés, em testemunho contra eles.
12.Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse;
13.expeliam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo.
A morte de João Batista
14.Chegou isto aos ouvidos do rei Herodes, porque o nome de Jesus já se tornara notório; e alguns diziam: João Batista ressuscitou dentre os mortos, e, por isso, nele operam forças miraculosas.
15.Outros diziam: É Elias; ainda outros: É profeta como um dos profetas.
16.Herodes, porém, ouvindo isto, disse: É João, a quem eu mandei decapitar, que ressurgiu.
17.Porque o mesmo Herodes, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe ( porquanto Herodes se casara com ela ), mandara prender a João e atá-lo no cárcere.
18.Pois João lhe dizia: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão.
19.E Herodias o odiava, querendo matá-lo, e não podia.
20.Porque Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo, e o tinha em segurança. E, quando o ouvia, ficava perplexo, escutando-o de boa mente.
21.E, chegando um dia favorável, em que Herodes no seu aniversário natalício dera um banquete aos seus dignitários, aos oficiais militares e aos principais da Galiléia,
22.entrou a filha de Herodias e, dançando, agradou a Herodes e aos seus convivas. Então, disse o rei à jovem: Pede-me o que quiseres, e eu to darei.
23.E jurou-lhe: Se pedires mesmo que seja a metade do meu reino, eu ta darei.
24.Saindo ela, perguntou a sua mãe: Que pedirei? Esta respondeu: A cabeça de João Batista.
25.No mesmo instante, voltando apressadamente para junto do rei, disse: Quero que, sem demora, me dês num prato a cabeça de João Batista.
26.Entristeceu-se profundamente o rei; mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, não lha quis negar.
27.E, enviando logo o executor, mandou que lhe trouxessem a cabeça de João. Ele foi, e o decapitou no cárcere,
28.e, trazendo a cabeça num prato, a entregou à jovem, e esta, por sua vez, a sua mãe.
29.Os discípulos de João, logo que souberam disto, vieram, levaram-lhe o corpo e o depositaram no túmulo.
A primeira multiplicação de pães e peixes
30.Voltaram os apóstolos à presença de Jesus e lhe relataram tudo quanto haviam feito e ensinado.
31.E ele lhes disse: Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham.
32.Então, foram sós no barco para um lugar solitário.
33.Muitos, porém, os viram partir e, reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram antes deles.
34.Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas.
35.Em declinando a tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: É deserto este lugar, e já avançada a hora;
36.despede-os para que, passando pelos campos ao redor e pelas aldeias, comprem para si o que comer.
37.Porém ele lhes respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer. Disseram-lhe: Iremos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?
38.E ele lhes disse: Quantos pães tendes? Ide ver! E, sabendo-o eles, responderam: Cinco pães e dois peixes.
39.Então, Jesus lhes ordenou que todos se assentassem, em grupos, sobre a relva verde.
40.E o fizeram, repartindo-se em grupos de cem em cem e de cinqüenta em cinqüenta.
41.Tomando ele os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou; e, partindo os pães, deu-os aos discípulos para que os distribuíssem; e por todos repartiu também os dois peixes.
42.Todos comeram e se fartaram;
43.e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe.
44.Os que comeram dos pães eram cinco mil homens.
Jesus anda por sobre o mar
45.Logo a seguir, compeliu Jesus os seus discípulos a embarcar e passar adiante para o outro lado, a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão.
46.E, tendo-os despedido, subiu ao monte para orar.
47.Ao cair da tarde, estava o barco no meio do mar, e ele, sozinho em terra.
48.E, vendo-os em dificuldade a remar, porque o vento lhes era contrário, por volta da quarta vigília da noite, veio ter com eles, andando por sobre o mar; e queria tomar-lhes a dianteira.
49.Eles, porém, vendo-o andar sobre o mar, pensaram tratar-se de um fantasma e gritaram.
50.Pois todos ficaram aterrados à vista dele. Mas logo lhes falou e disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!
51.E subiu para o barco para estar com eles, e o vento cessou. Ficaram entre si atônitos,
52.porque não haviam compreendido o milagre dos pães; antes, o seu coração estava endurecido.
Jesus em Genesaré
53.Estando já no outro lado, chegaram a terra, em Genesaré, onde aportaram.
54.Saindo eles do barco, logo o povo reconheceu Jesus;
55.e, percorrendo toda aquela região, traziam em leitos os enfermos, para onde ouviam que ele estava.
56.Onde quer que ele entrasse nas aldeias, cidades ou campos, punham os enfermos nas praças, rogando-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua veste; e quantos a tocavam saíam curados.
Jesus e a tradição dos anciãos. O que contamina o homem
1.Ora, reuniram-se a Jesus os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém.
2.E, vendo que alguns dos discípulos dele comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar
3.( pois os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos;
4.quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem; e há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal e camas ),
5.interpelaram-no os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos de conformidade com a tradição dos anciãos, mas comem com as mãos por lavar?
6.Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
7.E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.
8.Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens.
9.E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição.
10.Pois Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.
11.Vós, porém, dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta para o Senhor,
12.então, o dispensais de fazer qualquer coisa em favor de seu pai ou de sua mãe,
13.invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes.
14.Convocando ele, de novo, a multidão, disse-lhes: Ouvi-me, todos, e entendei.
15.Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem é o que o contamina.
16.Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.
17.Quando entrou em casa, deixando a multidão, os seus discípulos o interrogaram acerca da parábola.
18.Então, lhes disse: Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar,
19.porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou ele puros todos os alimentos.
20.E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina.
21.Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios,
22.a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura.
23.Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem.
A mulher siro-fenícia
24.Levantando-se, partiu dali para as terras de Tiro e Sidom. Tendo entrado numa casa, queria que ninguém o soubesse; no entanto, não pôde ocultar-se,
25.porque uma mulher, cuja filhinha estava possessa de espírito imundo, tendo ouvido a respeito dele, veio e prostrou-se-lhe aos pés.
26.Esta mulher era grega, de origem siro-fenícia, e rogava-lhe que expelisse de sua filha o demônio.
27.Mas Jesus lhe disse: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
28.Ela, porém, lhe respondeu: Sim, Senhor; mas os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças.
29.Então, lhe disse: Por causa desta palavra, podes ir; o demônio já saiu de tua filha.
30.Voltando ela para casa, achou a menina sobre a cama, pois o demônio a deixara.
A cura de um surdo e gago
31.De novo, se retirou das terras de Tiro e foi por Sidom até ao mar da Galiléia, através do território de Decápolis.
32.Então, lhe trouxeram um surdo e gago e lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele.
33.Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou a língua com saliva;
34.depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer: Abre-te!
35.Abriram-se-lhe os ouvidos, e logo se lhe soltou o empecilho da língua, e falava desembaraçadamente.
36.Mas lhes ordenou que a ninguém o dissessem; contudo, quanto mais recomendava, tanto mais eles o divulgavam.
37.Maravilhavam-se sobremaneira, dizendo: Tudo ele tem feito esplendidamente bem; não somente faz ouvir os surdos, como falar os mudos.
A segunda multiplicação de pães e peixes
1.Naqueles dias, quando outra vez se reuniu grande multidão, e não tendo eles o que comer, chamou Jesus os discípulos e lhes disse:
2.Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanecem comigo e não têm o que comer.
3.Se eu os despedir para suas casas, em jejum, desfalecerão pelo caminho; e alguns deles vieram de longe.
4.Mas os seus discípulos lhe responderam: Donde poderá alguém fartá-los de pão neste deserto?
5.E Jesus lhes perguntou: Quantos pães tendes? Responderam eles: Sete.
6.Ordenou ao povo que se assentasse no chão. E, tomando os sete pães, partiu-os, após ter dado graças, e os deu a seus discípulos, para que estes os distribuíssem, repartindo entre o povo.
7.Tinham também alguns peixinhos; e, abençoando-os, mandou que estes igualmente fossem distribuídos.
8.Comeram e se fartaram; e dos pedaços restantes recolheram sete cestos.
9.Eram cerca de quatro mil homens. Então, Jesus os despediu.
10.Logo a seguir, tendo embarcado juntamente com seus discípulos, partiu para as regiões de Dalmanuta.
Os fariseus pedem um sinal do céu
11.E, saindo os fariseus, puseram-se a discutir com ele; e, tentando-o, pediram-lhe um sinal do céu.
12.Jesus, porém, arrancou do íntimo do seu espírito um gemido e disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração não se lhe dará sinal algum.
13.E, deixando-os, tornou a embarcar e foi para o outro lado.
O fermento dos fariseus e o de Herodes
14.Ora, aconteceu que eles se esqueceram de levar pães e, no barco, não tinham consigo senão um só.
15.Preveniu-os Jesus, dizendo: Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes.
16.E eles discorriam entre si: É que não temos pão.
17.Jesus, percebendo-o, lhes perguntou: Por que discorreis sobre o não terdes pão? Ainda não considerastes, nem compreendestes? Tendes o coração endurecido?
18.Tendo olhos, não vedes? E, tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais
19.de quando parti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes? Responderam eles: Doze!
20.E de quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes? Responderam: Sete!
21.Ao que lhes disse Jesus: Não compreendeis ainda?
A cura de um cego em Betsaida
22.Então, chegaram a Betsaida; e lhe trouxeram um cego, rogando-lhe que o tocasse.
23.Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa?
24.Este, recobrando a vista, respondeu: Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando.
25.Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito.
26.E mandou-o Jesus embora para casa, recomendando-lhe: Não entres na aldeia.
A confissão de Pedro
27.Então, Jesus e os seus discípulos partiram para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e, no caminho, perguntou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu?
28.E responderam: João Batista; outros: Elias; mas outros: Algum dos profetas.
29.Então, lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Pedro lhe disse: Tu és o Cristo.
30.Advertiu-os Jesus de que a ninguém dissessem tal coisa a seu respeito.
Jesus prediz a sua morte e ressurreição
31.Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse.
32.E isto ele expunha claramente. Mas Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo.
33.Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro e disse: Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.
O discípulo de Jesus deve levar a sua cruz
34.Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.
35.Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á.
36.Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?
37.Que daria um homem em troca de sua alma?
38.Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.
1.Dizia-lhes ainda: Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus.
A transfiguração
2.Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João e levou-os sós, à parte, a um alto monte. Foi transfigurado diante deles;
3.as suas vestes tornaram-se resplandecentes e sobremodo brancas, como nenhum lavandeiro na terra as poderia alvejar.
4.Apareceu-lhes Elias com Moisés, e estavam falando com Jesus.
5.Então, Pedro, tomando a palavra, disse: Mestre, bom é estarmos aqui e que façamos três tendas: uma será tua, outra, para Moisés, e outra, para Elias.
6.Pois não sabia o que dizer, por estarem eles aterrados.
7.A seguir, veio uma nuvem que os envolveu; e dela uma voz dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi.
8.E, de relance, olhando ao redor, a ninguém mais viram com eles, senão Jesus.
A vinda de Elias
9.Ao descerem do monte, ordenou-lhes Jesus que não divulgassem as coisas que tinham visto, até o dia em que o Filho do Homem ressuscitasse dentre os mortos.
10.Eles guardaram a recomendação, perguntando uns aos outros que seria o ressuscitar dentre os mortos.
11.E interrogaram-no, dizendo: Por que dizem os escribas ser necessário que Elias venha primeiro?
12.Então, ele lhes disse: Elias, vindo primeiro, restaurará todas as coisas; como, pois, está escrito sobre o Filho do Homem que sofrerá muito e será aviltado?
13.Eu, porém, vos digo que Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, como a seu respeito está escrito.
A cura de um jovem possesso
14.Quando eles se aproximaram dos discípulos, viram numerosa multidão ao redor e que os escribas discutiam com eles.
15.E logo toda a multidão, ao ver Jesus, tomada de surpresa, correu para ele e o saudava.
16.Então, ele interpelou os escribas: Que é que discutíeis com eles?
17.E um, dentre a multidão, respondeu: Mestre, trouxe-te o meu filho, possesso de um espírito mudo;
18.e este, onde quer que o apanha, lança-o por terra, e ele espuma, rilha os dentes e vai definhando. Roguei a teus discípulos que o expelissem, e eles não puderam.
19.Então, Jesus lhes disse: Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-mo.
20.E trouxeram-lho; quando ele viu a Jesus, o espírito imediatamente o agitou com violência, e, caindo ele por terra, revolvia-se espumando.
21.Perguntou Jesus ao pai do menino: Há quanto tempo isto lhe sucede? Desde a infância, respondeu;
22.e muitas vezes o tem lançado no fogo e na água, para o matar; mas, se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos.
23.Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes! Tudo é possível ao que crê.
24.E imediatamente o pai do menino exclamou com lágrimas: Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé!
25.Vendo Jesus que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai deste jovem e nunca mais tornes a ele.
26.E ele, clamando e agitando-o muito, saiu, deixando-o como se estivesse morto, a ponto de muitos dizerem: Morreu.
27.Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou.
28.Quando entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram em particular: Por que não pudemos nós expulsá-lo?
29.Respondeu-lhes: Esta casta não pode sair senão por meio de oração e jejum.
De novo Jesus prediz a sua morte e ressurreição
30.E, tendo partido dali, passavam pela Galiléia, e não queria que ninguém o soubesse;
31.porque ensinava os seus discípulos e lhes dizia: O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e o matarão; mas, três dias depois da sua morte, ressuscitará.
32.Eles, contudo, não compreendiam isto e temiam interrogá-lo.
O maior no reino dos céus
33.Tendo eles partido para Cafarnaum, estando ele em casa, interrogou os discípulos: De que é que discorríeis pelo caminho?
34.Mas eles guardaram silêncio; porque, pelo caminho, haviam discutido entre si sobre quem era o maior.
35.E ele, assentando-se, chamou os doze e lhes disse: Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos.
36.Trazendo uma criança, colocou-a no meio deles e, tomando-a nos braços, disse-lhes:
37.Qualquer que receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou.
Jesus ensina a tolerância e a caridade
38.Disse-lhe João: Mestre, vimos um homem que, em teu nome, expelia demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não seguia conosco.
39.Mas Jesus respondeu: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e, logo a seguir, possa falar mal de mim.
40.Pois quem não é contra nós é por nós.
41.Porquanto, aquele que vos der de beber um copo de água, em meu nome, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.
Os tropeços
42.E quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar.
43.E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível
44.onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.
45.E, se teu pé te faz tropeçar, corta-o; é melhor entrares na vida aleijado do que, tendo os dois pés, seres lançado no inferno
46.onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.
47.E, se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no inferno,
48.onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.
Os discípulos, o sal da terra
49.Porque cada um será salgado com fogo.
50.Bom é o sal; mas, se o sal vier a tornar-se insípido, como lhe restaurar o sabor? Tende sal em vós mesmos e paz uns com os outros.
Jesus atravessa o Jordão
1.Levantando-se Jesus, foi dali para o território da Judéia, além do Jordão. E outra vez as multidões se reuniram junto a ele, e, de novo, ele as ensinava, segundo o seu costume.
A questão do divórcio
2.E, aproximando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito ao marido repudiar sua mulher?
3.Ele lhes respondeu: Que vos ordenou Moisés?
4.Tornaram eles: Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar.
5.Mas Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito esse mandamento;
6.porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher.
7.Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe e unir-se-á a sua mulher,
8.e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne.
9.Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem.
10.Em casa, voltaram os discípulos a interrogá-lo sobre este assunto.
11.E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela.
12.E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério.
Jesus abençoa as crianças
13.Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam.
14.Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus.
15.Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele.
16.Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava.
O jovem rico
17.E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
18.Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus.
19.Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe.
20.Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude.
21.E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me.
22.Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades.
O perigo das riquezas
23.Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!
24.Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é para os que confiam nas riquezas entrar no reino de Deus!
25.É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
26.Eles ficaram sobremodo maravilhados, dizendo entre si: Então, quem pode ser salvo?
27.Jesus, porém, fitando neles o olhar, disse: Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.
28.Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos.
29.Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho,
30.que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna.
31.Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros.
Jesus ainda outra vez prediz sua morte e ressurreição
32.Estavam de caminho, subindo para Jerusalém, e Jesus ia adiante dos seus discípulos. Estes se admiravam e o seguiam tomados de apreensões. E Jesus, tornando a levar à parte os doze, passou a revelar-lhes as coisas que lhe deviam sobrevir, dizendo:
33.Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas; condená-lo-ão à morte e o entregarão aos gentios;
34.hão de escarnecê-lo, cuspir nele, açoitá-lo e matá-lo; mas, depois de três dias, ressuscitará.
O pedido de Tiago e João
35.Então, se aproximaram dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: Mestre, queremos que nos concedas o que te vamos pedir.
36.E ele lhes perguntou: Que quereis que vos faça?
37.Responderam-lhe: Permite-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda.
38.Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu bebo ou receber o batismo com que eu sou batizado?
39.Disseram-lhe: Podemos. Tornou-lhes Jesus: Bebereis o cálice que eu bebo e recebereis o batismo com que eu sou batizado;
40.quanto, porém, ao assentar-se à minha direita ou à minha esquerda, não me compete concedê-lo; porque é para aqueles a quem está preparado.
41.Ouvindo isto, indignaram-se os dez contra Tiago e João.
42.Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade.
43.Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;
44.e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos.
45.Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
A cura do cego de Jericó
46.E foram para Jericó. Quando ele saía de Jericó, juntamente com os discípulos e numerosa multidão, Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho
47.e, ouvindo que era Jesus, o Nazareno, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!
48.E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim!
49.Parou Jesus e disse: Chamai-o. Chamaram, então, o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama.
50.Lançando de si a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus.
51.Perguntou-lhe Jesus: Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver.
52.Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e seguia a Jesus estrada fora.
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém
1.Quando se aproximavam de Jerusalém, de Betfagé e Betânia, junto ao monte das Oliveiras, enviou Jesus dois dos seus discípulos
2.e disse-lhes: Ide à aldeia que aí está diante de vós e, logo ao entrar, achareis preso um jumentinho, o qual ainda ninguém montou; desprendei-o e trazei-o.
3.Se alguém vos perguntar: Por que fazeis isso? Respondei: O Senhor precisa dele e logo o mandará de volta para aqui.
4.Então, foram e acharam o jumentinho preso, junto ao portão, do lado de fora, na rua, e o desprenderam.
5.Alguns dos que ali estavam reclamaram: Que fazeis, soltando o jumentinho?
6.Eles, porém, responderam conforme as instruções de Jesus; então, os deixaram ir.
7.Levaram o jumentinho, sobre o qual puseram as suas vestes, e Jesus o montou.
8.E muitos estendiam as suas vestes no caminho, e outros, ramos que haviam cortado dos campos.
9.Tanto os que iam adiante dele como os que vinham depois clamavam: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!
10.Bendito o reino que vem, o reino de Davi, nosso pai! Hosana, nas maiores alturas!
11.E, quando entrou em Jerusalém, no templo, tendo observado tudo, como fosse já tarde, saiu para Betânia com os doze.
A figueira sem fruto
12.No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome.
13.E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos.
14.Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto.
A purificação do templo
15.E foram para Jerusalém. Entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali vendiam e compravam; derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas.
16.Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo;
17.também os ensinava e dizia: Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado em covil de salteadores.
18.E os principais sacerdotes e escribas ouviam estas coisas e procuravam um modo de lhe tirar a vida; pois o temiam, porque toda a multidão se maravilhava de sua doutrina.
19.Em vindo a tarde, saíram da cidade.
O poder da fé
20.E, passando eles pela manhã, viram que a figueira secara desde a raiz.
21.Então, Pedro, lembrando-se, falou: Mestre, eis que a figueira que amaldiçoaste secou.
22.Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus;
23.porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.
24.Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco.
25.E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.
26.Mas, se não perdoardes, também vosso Pai celestial não vos perdoará as vossas ofensas.
A autoridade de Jesus e o batismo de João
27.Então, regressaram para Jerusalém. E, andando ele pelo templo, vieram ao seu encontro os principais sacerdotes, os escribas e os anciãos
28.e lhe perguntaram: Com que autoridade fazes estas coisas? Ou quem te deu tal autoridade para as fazeres?
29.Jesus lhes respondeu: Eu vos farei uma pergunta; respondei-me, e eu vos direi com que autoridade faço estas coisas.
30.O batismo de João era do céu ou dos homens? Respondei!
31.E eles discorriam entre si: Se dissermos: Do céu, dirá: Então, por que não acreditastes nele?
32.Se, porém, dissermos: dos homens, é de temer o povo. Porque todos consideravam a João como profeta.
33.Então, responderam a Jesus: Não sabemos. E Jesus, por sua vez, lhes disse: Nem eu tampouco vos digo com que autoridade faço estas coisas.
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