Desafio dos 90 dias

72 / 90
A morte de João Batista
1.Por aquele tempo, ouviu o tetrarca Herodes a fama de Jesus
2.e disse aos que o serviam: Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos, e, por isso, nele operam forças miraculosas.
3.Porque Herodes, havendo prendido e atado a João, o metera no cárcere, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão;
4.pois João lhe dizia: Não te é lícito possuí-la.
5.E, querendo matá-lo, temia o povo, porque o tinham como profeta.
6.Ora, tendo chegado o dia natalício de Herodes, dançou a filha de Herodias diante de todos e agradou a Herodes.
7.Pelo que prometeu, com juramento, dar-lhe o que pedisse.
8.Então, ela, instigada por sua mãe, disse: Dá-me, aqui, num prato, a cabeça de João Batista.
9.Entristeceu-se o rei, mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, determinou que lha dessem;
10.e deu ordens e decapitou a João no cárcere.
11.Foi trazida a cabeça num prato e dada à jovem, que a levou a sua mãe.
12.Então, vieram os seus discípulos, levaram o corpo e o sepultaram; depois, foram e o anunciaram a Jesus.
A primeira multiplicação de pães e peixes
13.Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte; sabendo-o as multidões, vieram das cidades seguindo-o por terra.
14.Desembarcando, viu Jesus uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou os seus enfermos.
15.Ao cair da tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: O lugar é deserto, e vai adiantada a hora; despede, pois, as multidões para que, indo pelas aldeias, comprem para si o que comer.
16.Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, de comer.
17.Mas eles responderam: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.
18.Então, ele disse: Trazei-mos.
19.E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a relva, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou. Depois, tendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes, às multidões.
20.Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram recolheram ainda doze cestos cheios.
21.E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.
Jesus anda por sobre o mar
22.Logo a seguir, compeliu Jesus os discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões.
23.E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só.
24.Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário.
25.Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar.
26.E os discípulos, ao verem-no andando sobre as águas, ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma! E, tomados de medo, gritaram.
27.Mas Jesus imediatamente lhes disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!
28.Respondendo-lhe Pedro, disse: Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas.
29.E ele disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus.
30.Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a submergir, gritou: Salva-me, Senhor!
31.E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, por que duvidaste?
32.Subindo ambos para o barco, cessou o vento.
33.E os que estavam no barco o adoraram, dizendo: Verdadeiramente és Filho de Deus!
Jesus em Genesaré
34.Então, estando já no outro lado, chegaram a terra, em Genesaré.
35.Reconhecendo-o os homens daquela terra, mandaram avisar a toda a circunvizinhança e trouxeram-lhe todos os enfermos;
36.e lhe rogavam que ao menos pudessem tocar na orla da sua veste. E todos os que tocaram ficaram sãos.
Jesus e a tradição dos anciãos. O que contamina o homem
1.Então, vieram de Jerusalém a Jesus alguns fariseus e escribas e perguntaram:
2.Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem.
3.Ele, porém, lhes respondeu: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição?
4.Porque Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.
5.Mas vós dizeis: Se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: É oferta ao Senhor aquilo que poderias aproveitar de mim;
6.esse jamais honrará a seu pai ou a sua mãe. E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição.
7.Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo:
8.Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
9.E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.
10.E, tendo convocado a multidão, lhes disse: Ouvi e entendei:
11.não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem.
12.Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram?
13.Ele, porém, respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada.
14.Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco.
15.Então, lhe disse Pedro: Explica-nos a parábola.
16.Jesus, porém, disse: Também vós não entendeis ainda?
17.Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre e, depois, é lançado em lugar escuso?
18.Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem.
19.Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.
20.São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina.
A mulher cananeia
21.Partindo Jesus dali, retirou-se para os lados de Tiro e Sidom.
22.E eis que uma mulher cananéia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada.
23.Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós.
24.Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.
25.Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me!
26.Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
27.Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.
28.Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.
Jesus volta para o mar da Galileia e cura muitos enfermos
29.Partindo Jesus dali, foi para junto do mar da Galiléia; e, subindo ao monte, assentou-se ali.
30.E vieram a ele muitas multidões trazendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e outros muitos e os largaram junto aos pés de Jesus; e ele os curou.
31.De modo que o povo se maravilhou ao ver que os mudos falavam, os aleijados recobravam saúde, os coxos andavam e os cegos viam. Então, glorificavam ao Deus de Israel.
A segunda multiplicação de pães e peixes
32.E, chamando Jesus os seus discípulos, disse: Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanece comigo e não tem o que comer; e não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça pelo caminho.
33.Mas os discípulos lhe disseram: Onde haverá neste deserto tantos pães para fartar tão grande multidão?
34.Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães tendes? Responderam: Sete e alguns peixinhos.
35.Então, tendo mandado o povo assentar-se no chão,
36.tomou os sete pães e os peixes, e, dando graças, partiu, e deu aos discípulos, e estes, ao povo.
37.Todos comeram e se fartaram; e, do que sobejou, recolheram sete cestos cheios.
38.Ora, os que comeram eram quatro mil homens, além de mulheres e crianças.
39.E, tendo despedido as multidões, entrou Jesus no barco e foi para o território de Magadã.
Os fariseus e os saduceus pedem um sinal do céu
1.Aproximando-se os fariseus e os saduceus, tentando-o, pediram-lhe que lhes mostrasse um sinal vindo do céu.
2.Ele, porém, lhes respondeu: Chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado;
3.e, pela manhã: Hoje, haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?
4.Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. E, deixando-os, retirou-se.
O fermento dos fariseus e dos saduceus
5.Ora, tendo os discípulos passado para o outro lado, esqueceram-se de levar pão.
6.E Jesus lhes disse: Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus.
7.Eles, porém, discorriam entre si, dizendo: É porque não trouxemos pão.
8.Percebendo-o Jesus, disse: Por que discorreis entre vós, homens de pequena fé, sobre o não terdes pão?
9.Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens e de quantos cestos tomastes?
10.Nem dos sete pães para os quatro mil e de quantos cestos tomastes?
11.Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães? E sim: acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus.
12.Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus.
A confissão de Pedro
13.Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem?
14.E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas.
15.Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?
16.Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
17.Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.
18.Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
19.Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.
20.Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo.
Jesus prediz a sua morte e ressurreição
21.Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia.
22.E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá.
23.Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.
O discípulo de Cristo deve levar a sua cruz
24.Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.
25.Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.
26.Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?
27.Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras.
28.Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu reino.
A transfiguração
1.Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte.
2.E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.
3.E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.
4.Então, disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias.
5.Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi.
6.Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo.
7.Aproximando-se deles, tocou-lhes Jesus, dizendo: Erguei-vos e não temais!
8.Então, eles, levantando os olhos, a ninguém viram, senão Jesus.
A vinda de Elias
9.E, descendo eles do monte, ordenou-lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem ressuscite dentre os mortos.
10.Mas os discípulos o interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias venha primeiro?
11.Então, Jesus respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas.
12.Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do Homem há de padecer nas mãos deles.
13.Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista.
A cura de um jovem possesso
14.E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse:
15.Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água.
16.Apresentei-o a teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo.
17.Jesus exclamou: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino.
18.E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e, desde aquela hora, ficou o menino curado.
19.Então, os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo?
20.E ele lhes respondeu: Por causa da pequenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.
21.Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum.
De novo Jesus prediz a sua morte e ressurreição
22.Reunidos eles na Galiléia, disse-lhes Jesus: O Filho do Homem está para ser entregue nas mãos dos homens;
23.e estes o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará. Então, os discípulos se entristeceram grandemente.
Jesus paga imposto
24.Tendo eles chegado a Cafarnaum, dirigiram-se a Pedro os que cobravam o imposto das duas dracmas e perguntaram: Não paga o vosso Mestre as duas dracmas?
25.Sim, respondeu ele. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Simão, que te parece? De quem cobram os reis da terra impostos ou tributo: dos seus filhos ou dos estranhos?
26.Respondendo Pedro: Dos estranhos, Jesus lhe disse: Logo, estão isentos os filhos.
27.Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o; e, abrindo-lhe a boca, acharás um estáter. Toma-o e entrega-lhes por mim e por ti.
O maior no reino dos céus
1.Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, o maior no reino dos céus?
2.E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles.
3.E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.
4.Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.
5.E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe.
Os tropeços
6.Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar.
7.Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo!
8.Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno.
9.Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo.
A parábola da ovelha perdida
10.Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste.
11.Porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido.
12.Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará ele nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou?
13.E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer sentirá por causa desta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram.
14.Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos.
Como se deve tratar a um irmão culpado
15.Se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.
16.Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça.
17.E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano.
18.Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus.
19.Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus.
20.Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.
Quantas vezes se deve perdoar a um irmão
21.Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?
22.Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
A parábola do credor incompassivo
23.Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos.
24.E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.
25.Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga.
26.Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei.
27.E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida.
28.Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves.
29.Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei.
30.Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida.
31.Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera.
32.Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste;
33.não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti?
34.E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida.
35.Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.
Jesus atravessa o Jordão
1.E aconteceu que, concluindo Jesus estas palavras, deixou a Galiléia e foi para o território da Judéia, além do Jordão.
2.Seguiram-no muitas multidões, e curou-as ali.
A questão do divórcio
3.Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo?
4.Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher
5.e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?
6.De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
7.Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar?
8.Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio.
9.Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério.
10.Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar.
11.Jesus, porém, lhes respondeu: Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado.
12.Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita.
Jesus abençoa as crianças
13.Trouxeram-lhe, então, algumas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse; mas os discípulos os repreendiam.
14.Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus.
15.E, tendo-lhes imposto as mãos, retirou-se dali.
O jovem rico
16.E eis que alguém, aproximando-se, lhe perguntou: Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna?
17.Respondeu-lhe Jesus: Por que me perguntas acerca do que é bom? Bom só existe um. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.
18.E ele lhe perguntou: Quais? Respondeu Jesus: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho;
19.honra a teu pai e a tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo.
20.Replicou-lhe o jovem: Tudo isso tenho observado; que me falta ainda?
21.Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.
22.Tendo, porém, o jovem ouvido esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades.
O perigo das riquezas
23.Então, disse Jesus a seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus.
24.E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
25.Ouvindo isto, os discípulos ficaram grandemente maravilhados e disseram: Sendo assim, quem pode ser salvo?
26.Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível.
27.Então, lhe falou Pedro: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós?
28.Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.
29.E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe ou mulher, ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna.
30.Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros.
A parábola dos trabalhadores na vinha
1.Porque o reino dos céus é semelhante a um dono de casa que saiu de madrugada para assalariar trabalhadores para a sua vinha.
2.E, tendo ajustado com os trabalhadores a um denário por dia, mandou-os para a vinha.
3.Saindo pela terceira hora, viu, na praça, outros que estavam desocupados
4.e disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e vos darei o que for justo. Eles foram.
5.Tendo saído outra vez, perto da hora sexta e da nona, procedeu da mesma forma,
6.e, saindo por volta da hora undécima, encontrou outros que estavam desocupados e perguntou-lhes: Por que estivestes aqui desocupados o dia todo?
7.Responderam-lhe: Porque ninguém nos contratou. Então, lhes disse ele: Ide também vós para a vinha.
8.Ao cair da tarde, disse o senhor da vinha ao seu administrador: Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos, indo até aos primeiros.
9.Vindo os da hora undécima, recebeu cada um deles um denário.
10.Ao chegarem os primeiros, pensaram que receberiam mais; porém também estes receberam um denário cada um.
11.Mas, tendo-o recebido, murmuravam contra o dono da casa,
12.dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora; contudo, os igualaste a nós, que suportamos a fadiga e o calor do dia.
13.Mas o proprietário, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário?
14.Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti.
15.Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?
16.Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.
Jesus ainda outra vez prediz sua morte e ressurreição
17.Estando Jesus para subir a Jerusalém, chamou à parte os doze e, em caminho, lhes disse:
18.Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte.
19.E o entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado; mas, ao terceiro dia, ressurgirá.
O pedido da mãe de Tiago e João
20.Então, se chegou a ele a mulher de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pediu-lhe um favor.
21.Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda.
22.Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.
23.Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai.
24.Ora, ouvindo isto os dez, indignaram-se contra os dois irmãos.
25.Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles.
26.Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;
27.e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo;
28.tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
A cura de dois cegos de Jericó
29.Saindo eles de Jericó, uma grande multidão o acompanhava.
30.E eis que dois cegos, assentados à beira do caminho, tendo ouvido que Jesus passava, clamaram: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de nós!
31.Mas a multidão os repreendia para que se calassem; eles, porém, gritavam cada vez mais: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós!
32.Então, parando Jesus, chamou-os e perguntou: Que quereis que eu vos faça?
33.Responderam: Senhor, que se nos abram os olhos.
34.Condoído, Jesus tocou-lhes os olhos, e imediatamente recuperaram a vista e o foram seguindo.
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém
1.Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, ao monte das Oliveiras, enviou Jesus dois discípulos, dizendo-lhes:
2.Ide à aldeia que aí está diante de vós e logo achareis presa uma jumenta e, com ela, um jumentinho. Desprendei-a e trazei-mos.
3.E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei-lhe que o Senhor precisa deles. E logo os enviará.
4.Ora, isto aconteceu para se cumprir o que foi dito por intermédio do profeta:
5.Dizei à filha de Sião: Eis aí te vem o teu Rei, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de animal de carga.
6.Indo os discípulos e tendo feito como Jesus lhes ordenara,
7.trouxeram a jumenta e o jumentinho. Então, puseram em cima deles as suas vestes, e sobre elas Jesus montou.
8.E a maior parte da multidão estendeu as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos de árvores, espalhando-os pela estrada.
9.E as multidões, tanto as que o precediam como as que o seguiam, clamavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!
10.E, entrando ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou, e perguntavam: Quem é este?
11.E as multidões clamavam: Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia!
A purificação do templo
12.Tendo Jesus entrado no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam; também derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas.
13.E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores.
Jesus efetua curas no templo
14.Vieram a ele, no templo, cegos e coxos, e ele os curou.
15.Mas, vendo os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que Jesus fazia e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi!, indignaram-se e perguntaram-lhe:
16.Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?
17.E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, onde pernoitou.
A figueira sem fruto
18.Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome;
19.e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente.
20.Vendo isto os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira!
21.Jesus, porém, lhes respondeu: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não somente fareis o que foi feito à figueira, mas até mesmo, se a este monte disserdes: Ergue-te e lança-te no mar, tal sucederá;
22.e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis.
A autoridade de Jesus e o batismo de João
23.Tendo Jesus chegado ao templo, estando já ensinando, acercaram-se dele os principais sacerdotes e os anciãos do povo, perguntando: Com que autoridade fazes estas coisas? E quem te deu essa autoridade?
24.E Jesus lhes respondeu: Eu também vos farei uma pergunta; se me responderdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas.
25.Donde era o batismo de João, do céu ou dos homens? E discorriam entre si: Se dissermos: do céu, ele nos dirá: Então, por que não acreditastes nele?
26.E, se dissermos: dos homens, é para temer o povo, porque todos consideram João como profeta.
27.Então, responderam a Jesus: Não sabemos. E ele, por sua vez: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.
A parábola dos dois filhos
28.E que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha.
29.Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi.
30.Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi.
31.Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus.
32.Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos e meretrizes creram. Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal, para acreditardes nele.
A parábola dos lavradores maus
33.Atentai noutra parábola. Havia um homem, dono de casa, que plantou uma vinha. Cercou-a de uma sebe, construiu nela um lagar, edificou-lhe uma torre e arrendou-a a uns lavradores. Depois, se ausentou do país.
34.Ao tempo da colheita, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os frutos que lhe tocavam.
35.E os lavradores, agarrando os servos, espancaram a um, mataram a outro e a outro apedrejaram.
36.Enviou ainda outros servos em maior número; e trataram-nos da mesma sorte.
37.E, por último, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: A meu filho respeitarão.
38.Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança.
39.E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e o mataram.
40.Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?
41.Responderam-lhe: Fará perecer horrivelmente a estes malvados e arrendará a vinha a outros lavradores que lhe remetam os frutos nos seus devidos tempos.
42.Perguntou-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?
43.Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos.
44.Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.
45.Os principais sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas parábolas, entenderam que era a respeito deles que Jesus falava;
46.e, conquanto buscassem prendê-lo, temeram as multidões, porque estas o consideravam como profeta.
A parábola das bodas
1.De novo, entrou Jesus a falar por parábolas, dizendo-lhes:
2.O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho.
3.Então, enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; mas estes não quiseram vir.
4.Enviou ainda outros servos, com esta ordem: Dizei aos convidados: Eis que já preparei o meu banquete; os meus bois e cevados já foram abatidos, e tudo está pronto; vinde para as bodas.
5.Eles, porém, não se importaram e se foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio;
6.e os outros, agarrando os servos, os maltrataram e mataram.
7.O rei ficou irado e, enviando as suas tropas, exterminou aqueles assassinos e lhes incendiou a cidade.
8.Então, disse aos seus servos: Está pronta a festa, mas os convidados não eram dignos.
9.Ide, pois, para as encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas a quantos encontrardes.
10.E, saindo aqueles servos pelas estradas, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala do banquete ficou repleta de convidados.
11.Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial
12.e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu.
13.Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.
14.Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.
A questão do tributo
15.Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam em alguma palavra.
16.E enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens.
17.Dize-nos, pois: que te parece? É lícito pagar tributo a César ou não?
18.Jesus, porém, conhecendo-lhes a malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas?
19.Mostrai-me a moeda do tributo. Trouxeram-lhe um denário.
20.E ele lhes perguntou: De quem é esta efígie e inscrição?
21.Responderam: De César. Então, lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
22.Ouvindo isto, se admiraram e, deixando-o, foram-se.
Os saduceus e a ressurreição
23.Naquele dia, aproximaram-se dele alguns saduceus, que dizem não haver ressurreição, e lhe perguntaram:
24.Mestre, Moisés disse: Se alguém morrer, não tendo filhos, seu irmão casará com a viúva e suscitará descendência ao falecido.
25.Ora, havia entre nós sete irmãos. O primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão;
26.o mesmo sucedeu com o segundo, com o terceiro, até ao sétimo;
27.depois de todos eles, morreu também a mulher.
28.Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa? Porque todos a desposaram.
29.Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus.
30.Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu.
31.E, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou:
32.Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos.
33.Ouvindo isto, as multidões se maravilhavam da sua doutrina.
O grande mandamento
34.Entretanto, os fariseus, sabendo que ele fizera calar os saduceus, reuniram-se em conselho.
35.E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou:
36.Mestre, qual é o grande mandamento na Lei?
37.Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.
38.Este é o grande e primeiro mandamento.
39.O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
40.Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.
O Cristo, Filho de Davi
41.Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus:
42.Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe eles: De Davi.
43.Replicou-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo:
44.Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés?
45.Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho?
46.E ninguém lhe podia responder palavra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas.
Jesus censura os escribas e os fariseus
1.Então, falou Jesus às multidões e aos seus discípulos:
2.Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus.
3.Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem.
4.Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.
5.Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas.
6.Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas,
7.as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens.
8.Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos.
9.A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus.
10.Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo.
11.Mas o maior dentre vós será vosso servo.
12.Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado.
Várias advertências de Jesus
13.Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!
14.Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque devorais as casas das viúvas e, para o justificar, fazeis longas orações; por isso, sofrereis juízo muito mais severo!
15.Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!
16.Ai de vós, guias cegos, que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas, se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou!
17.Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro ou o santuário que santifica o ouro?
18.E dizeis: Quem jurar pelo altar, isso é nada; quem, porém, jurar pela oferta que está sobre o altar fica obrigado pelo que jurou.
19.Cegos! Pois qual é maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta?
20.Portanto, quem jurar pelo altar jura por ele e por tudo o que sobre ele está.
21.Quem jurar pelo santuário jura por ele e por aquele que nele habita;
22.e quem jurar pelo céu jura pelo trono de Deus e por aquele que no trono está sentado.
23.Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!
24.Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo!
25.Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança!
26.Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!
27.Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!
28.Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.
29.Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque edificais os sepulcros dos profetas, adornais os túmulos dos justos
30.e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido seus cúmplices no sangue dos profetas!
31.Assim, contra vós mesmos, testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.
32.Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.
33.Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?
34.Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade;
35.para que sobre vós recaia todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem matastes entre o santuário e o altar.
36.Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração.
O lamento sobre Jerusalém
37.Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!
38.Eis que a vossa casa vos ficará deserta.
39.Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não me vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!
O sermão profético
1.Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo.
2.Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.
3.No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século.
4.E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane.
5.Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos.
6.E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim.
7.Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares;
8.porém tudo isto é o princípio das dores.
9.Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome.
10.Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros;
11.levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.
12.E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.
13.Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.
14.E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.
15.Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo ( quem lê entenda ),
16.então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes;
17.quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa;
18.e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa.
19.Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
20.Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado;
21.porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais.
22.Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados.
23.Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis;
24.porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos.
25.Vede que vo-lo tenho predito.
26.Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis.
27.Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem.
28.Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres.
29.Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.
30.Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória.
31.E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.
32.Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão.
33.Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas.
34.Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.
35.Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.
36.Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai.
37.Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem.
38.Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca,
39.e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem.
40.Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro;
41.duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra.
42.Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.
43.Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa.
44.Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.
45.Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo?
46.Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim.
47.Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens.
48.Mas, se aquele servo, sendo mau, disser consigo mesmo: Meu senhor demora-se,
49.e passar a espancar os seus companheiros e a comer e beber com ébrios,
50.virá o senhor daquele servo em dia em que não o espera e em hora que não sabe
51.e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.
1.Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo.
2.Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes.
3.As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo;
4.no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas.
5.E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram.
6.Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro!
7.Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas.
8.E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando.
9.Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o.
10.E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta.
11.Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta!
12.Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço.
13.Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.
14.Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens.
15.A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu.
16.O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco.
17.Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois.
18.Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19.Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles.
20.Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei.
21.Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
22.E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei.
23.Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
24.Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste,
25.receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.
26.Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?
27.Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu.
28.Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez.
29.Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
30.E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.
31.Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória;
32.e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas;
33.e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda;
34.então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.
35.Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes;
36.estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me.
37.Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber?
38.E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos?
39.E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar?
40.O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
41.Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.
42.Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;
43.sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me.
44.E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos?
45.Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer.
46.E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.
O plano para tirar a vida de Jesus
1.Tendo Jesus acabado todos estes ensinamentos, disse a seus discípulos:
2.Sabeis que, daqui a dois dias, celebrar-se-á a Páscoa; e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado.
3.Então, os principais sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, chamado Caifás;
4.e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo.
5.Mas diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.
Jesus ungido em Betânia
6.Ora, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso,
7.aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa.
8.Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que este desperdício?
9.Pois este perfume podia ser vendido por muito dinheiro e dar-se aos pobres.
10.Mas Jesus, sabendo disto, disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Ela praticou boa ação para comigo.
11.Porque os pobres, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes;
12.pois, derramando este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento.
13.Em verdade vos digo: Onde for pregado em todo o mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.
O pacto da traição
14.Então, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, indo ter com os principais sacerdotes, propôs:
15.Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata.
16.E, desse momento em diante, buscava ele uma boa ocasião para o entregar.
Os discípulos preparam a Páscoa
17.No primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, vieram os discípulos a Jesus e lhe perguntaram: Onde queres que te façamos os preparativos para comeres a Páscoa?
18.E ele lhes respondeu: Ide à cidade ter com certo homem e dizei-lhe: O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos.
19.E eles fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa.
O traidor é indicado
20.Chegada a tarde, pôs-se ele à mesa com os doze discípulos.
21.E, enquanto comiam, declarou Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós me trairá.
22.E eles, muitíssimo contristados, começaram um por um a perguntar-lhe: Porventura, sou eu, Senhor?
23.E ele respondeu: O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá.
24.O Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!
25.Então, Judas, que o traía, perguntou: Acaso, sou eu, Mestre? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste.
A Ceia do Senhor
26.Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo.
27.A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos;
28.porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.
29.E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai.
30.E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
Pedro é avisado
31.Então, Jesus lhes disse: Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas.
32.Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia.
33.Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim.
34.Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes.
35.Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.
Jesus no Getsêmani
36.Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar;
37.e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se.
38.Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.
39.Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.
40.E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo?
41.Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
42.Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.
43.E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados.
44.Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.
45.Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores.
46.Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.
Jesus é preso
47.Falava ele ainda, e eis que chegou Judas, um dos doze, e, com ele, grande turba com espadas e porretes, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo.
48.Ora, o traidor lhes tinha dado este sinal: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o.
49.E logo, aproximando-se de Jesus, lhe disse: Salve, Mestre! E o beijou.
50.Jesus, porém, lhe disse: Amigo, para que vieste? Nisto, aproximando-se eles, deitaram as mãos em Jesus e o prenderam.
51.E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, sacou da espada e, golpeando o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe a orelha.
52.Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão.
53.Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?
54.Como, pois, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder?
55.Naquele momento, disse Jesus às multidões: Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador? Todos os dias, no templo, eu me assentava convosco ensinando, e não me prendestes.
56.Tudo isto, porém, aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então, os discípulos todos, deixando-o, fugiram.
Jesus perante o Sinédrio
57.E os que prenderam Jesus o levaram à casa de Caifás, o sumo sacerdote, onde se haviam reunido os escribas e os anciãos.
58.Mas Pedro o seguia de longe até ao pátio do sumo sacerdote e, tendo entrado, assentou-se entre os serventuários, para ver o fim.
59.Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte.
60.E não acharam, apesar de se terem apresentado muitas testemunhas falsas. Mas, afinal, compareceram duas, afirmando:
61.Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias.
62.E, levantando-se o sumo sacerdote, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti?
63.Jesus, porém, guardou silêncio. E o sumo sacerdote lhe disse: Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus.
64.Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste; entretanto, eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.
65.Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfêmia!
66.Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte.
67.Então, uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo:
68.Profetiza-nos, ó Cristo, quem é que te bateu!
Pedro nega a Jesus
69.Ora, estava Pedro assentado fora no pátio; e, aproximando-se uma criada, lhe disse: Também tu estavas com Jesus, o galileu.
70.Ele, porém, o negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes.
71.E, saindo para o alpendre, foi ele visto por outra criada, a qual disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno.
72.E ele negou outra vez, com juramento: Não conheço tal homem.
73.Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente, és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia.
74.Então, começou ele a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem! E imediatamente cantou o galo.
75.Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. E, saindo dali, chorou amargamente.
Almeida Revista e Atualizada, ARA © Copyright 1993
Sociedade Bíblica do Brasil.
Todos os direitos reservados.
Saiba mais sobre a Sociedade Bíblica do Brasil em sbb.org.br.
A Sociedade Bíblica do Brasil trabalha para que a Bíblia esteja, efetivamente, ao alcance de todos e seja lida por todos.
A SBB é uma entidade sem fins lucrativos, dedicada a promover o desenvolvimento integral do ser humano.
Você também pode ajudar a causa da Bíblia!