Desafio dos 90 dias

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A genealogia de Jesus Cristo
1.Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
2.Abraão gerou a Isaque; Isaque, a Jacó; Jacó, a Judá e a seus irmãos;
3.Judá gerou de Tamar a Perez e a Zera; Perez gerou a Esrom; Esrom, a Arão;
4.Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe, a Naassom; Naassom, a Salmom;
5.Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé;
6.Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias;
7.Salomão gerou a Roboão; Roboão, a Abias; Abias, a Asa;
8.Asa gerou a Josafá; Josafá, a Jorão; Jorão, a Uzias;
9.Uzias gerou a Jotão; Jotão, a Acaz; Acaz, a Ezequias;
10.Ezequias gerou a Manassés; Manassés, a Amom; Amom, a Josias;
11.Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos, no tempo do exílio na Babilônia.
12.Depois do exílio na Babilônia, Jeconias gerou a Salatiel; e Salatiel, a Zorobabel;
13.Zorobabel gerou a Abiúde; Abiúde, a Eliaquim; Eliaquim, a Azor;
14.Azor gerou a Sadoque; Sadoque, a Aquim; Aquim, a Eliúde;
15.Eliúde gerou a Eleazar; Eleazar, a Matã; Matã, a Jacó.
16.E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo.
17.De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze; desde Davi até ao exílio na Babilônia, catorze; e desde o exílio na Babilônia até Cristo, catorze.
O nascimento de Jesus Cristo
18.Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo.
19.Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente.
20.Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo.
21.Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.
22.Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta:
23.Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel ( que quer dizer: Deus conosco ).
24.Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher.
25.Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus.
A visita dos magos
1.Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém.
2.E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo.
3.Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes, e, com ele, toda a Jerusalém;
4.então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer.
5.Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta:
6.E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel.
7.Com isto, Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera.
8.E, enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide informar-vos cuidadosamente a respeito do menino; e, quando o tiverdes encontrado, avisai-me, para eu também ir adorá-lo.
9.Depois de ouvirem o rei, partiram; e eis que a estrela que viram no Oriente os precedia, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino.
10.E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo.
11.Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra.
12.Sendo por divina advertência prevenidos em sonho para não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra.
A fuga para o Egito
13.Tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José, em sonho, e disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar.
14.Dispondo-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito;
15.e lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: Do Egito chamei o meu Filho.
A matança dos inocentes
16.Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos.
17.Então, se cumpriu o que fora dito por intermédio do profeta Jeremias:
18.Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto, choro e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem.
A volta do Egito
19.Tendo Herodes morrido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse-lhe:
20.Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que atentavam contra a vida do menino.
21.Dispôs-se ele, tomou o menino e sua mãe e regressou para a terra de Israel.
22.Tendo, porém, ouvido que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; e, por divina advertência prevenido em sonho, retirou-se para as regiões da Galiléia.
23.E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno.
A pregação de João Batista
1.Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia:
2.Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.
3.Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.
4.Usava João vestes de pêlos de camelo e um cinto de couro; a sua alimentação eram gafanhotos e mel silvestre.
5.Então, saíam a ter com ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão;
6.e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.
7.Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?
8.Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento;
9.e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.
10.Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.
João dá testemunho de Cristo
11.Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
12.A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível.
O batismo de Jesus
13.Por esse tempo, dirigiu-se Jesus da Galiléia para o Jordão, a fim de que João o batizasse.
14.Ele, porém, o dissuadia, dizendo: Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?
15.Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por enquanto, porque, assim, nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o admitiu.
16.Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele.
17.E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.
A tentação de Jesus
1.A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
2.E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.
3.Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães.
4.Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.
5.Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo
6.e lhe disse: Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.
7.Respondeu-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus.
8.Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles
9.e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
10.Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.
11.Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram.
Jesus volta para a Galileia
12.Ouvindo, porém, Jesus que João fora preso, retirou-se para a Galiléia;
13.e, deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum, situada à beira-mar, nos confins de Zebulom e Naftali;
14.para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías:
15.Terra de Zebulom, terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios!
16.O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz.
17.Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.
A vocação de discípulos
18.Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores.
19.E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.
20.Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram.
21.Passando adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco em companhia de seu pai, consertando as redes; e chamou-os.
22.Então, eles, no mesmo instante, deixando o barco e seu pai, o seguiram.
Jesus prega por toda a Galileia e cura muitos enfermos
23.Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo.
24.E a sua fama correu por toda a Síria; trouxeram-lhe, então, todos os doentes, acometidos de várias enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunáticos e paralíticos. E ele os curou.
25.E da Galiléia, Decápolis, Jerusalém, Judéia e dalém do Jordão numerosas multidões o seguiam.
O sermão do monte
1.Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos;
2.e ele passou a ensiná-los, dizendo:
3.Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
4.Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
5.Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
6.Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.
7.Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
8.Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
9.Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
10.Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
11.Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós.
12.Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.
13.Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.
14.Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte;
15.nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa.
16.Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.
17.Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.
18.Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.
19.Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.
20.Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.
21.Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento.
22.Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.
23.Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
24.deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.
25.Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão.
26.Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo.
27.Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.
28.Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.
29.Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno.
30.E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.
31.Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.
32.Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.
33.Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos.
34.Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus;
35.nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei;
36.nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto.
37.Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.
38.Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente.
39.Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra;
40.e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa.
41.Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas.
42.Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.
43.Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo.
44.Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;
45.para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.
46.Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?
47.E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo?
48.Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.
1.Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste.
2.Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.
3.Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita;
4.para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
5.E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.
6.Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
7.E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.
8.Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais.
9.Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
10.venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;
11.o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;
12.e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;
13.e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!
14.Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará;
15.se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.
16.Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.
17.Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto,
18.com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
19.Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam;
20.mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam;
21.porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
22.São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso;
23.se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!
24.Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.
25.Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?
26.Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?
27.Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?
28.E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam.
29.Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
30.Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?
31.Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos?
32.Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas;
33.buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
34.Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.
1.Não julgueis, para que não sejais julgados.
2.Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.
3.Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?
4.Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?
5.Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.
6.Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem.
7.Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.
8.Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á.
9.Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra?
10.Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra?
11.Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?
12.Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.
13.Entrai pela porta estreita ( larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela ),
14.porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.
15.Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.
16.Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?
17.Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.
18.Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons.
19.Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.
20.Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.
21.Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22.Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?
23.Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.
24.Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha;
25.e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha.
26.E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia;
27.e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.
28.Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina;
29.porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.
A cura de um leproso
1.Ora, descendo ele do monte, grandes multidões o seguiram.
2.E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me.
3.E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra.
4.Disse-lhe, então, Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho ao povo.
A cura do criado de um centurião
5.Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, apresentou-se-lhe um centurião, implorando:
6.Senhor, o meu criado jaz em casa, de cama, paralítico, sofrendo horrivelmente.
7.Jesus lhe disse: Eu irei curá-lo.
8.Mas o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado.
9.Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz.
10.Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta.
11.Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus.
12.Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.
13.Então, disse Jesus ao centurião: Vai-te, e seja feito conforme a tua fé. E, naquela mesma hora, o servo foi curado.
A cura da sogra de Pedro
14.Tendo Jesus chegado à casa de Pedro, viu a sogra deste acamada e ardendo em febre.
15.Mas Jesus tomou-a pela mão, e a febre a deixou. Ela se levantou e passou a servi-lo.
Muitas outras curas
16.Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu os espíritos e curou todos os que estavam doentes;
17.para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças.
Jesus põe à prova os que querem segui-lo
18.Vendo Jesus muita gente ao seu redor, ordenou que passassem para a outra margem.
19.Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores.
20.Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
21.E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai.
22.Replicou-lhe, porém, Jesus: Segue-me, e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.
Jesus acalma uma tempestade
23.Então, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram.
24.E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia.
25.Mas os discípulos vieram acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos! Perecemos!
26.Perguntou-lhes, então, Jesus: Por que sois tímidos, homens de pequena fé? E, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança.
27.E maravilharam-se os homens, dizendo: Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?
A cura de dois endemoninhados gadarenos
28.Tendo ele chegado à outra margem, à terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho.
29.E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes de tempo?
30.Ora, andava pastando, não longe deles, uma grande manada de porcos.
31.Então, os demônios lhe rogavam: Se nos expeles, manda-nos para a manada de porcos.
32.Pois ide, ordenou-lhes Jesus. E eles, saindo, passaram para os porcos; e eis que toda a manada se precipitou, despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, e nas águas pereceram.
33.Fugiram os porqueiros e, chegando à cidade, contaram todas estas coisas e o que acontecera aos endemoninhados.
34.Então, a cidade toda saiu para encontrar-se com Jesus; e, vendo-o, lhe rogaram que se retirasse da terra deles.
A cura de um paralítico em Cafarnaum
1.Entrando Jesus num barco, passou para o outro lado e foi para a sua própria cidade.
2.E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados.
3.Mas alguns escribas diziam consigo: Este blasfema.
4.Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Por que cogitais o mal no vosso coração?
5.Pois qual é mais fácil? Dizer: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda?
6.Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados—disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.
7.E, levantando-se, partiu para sua casa.
8.Vendo isto, as multidões, possuídas de temor, glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.
A vocação de Mateus
9.Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.
Jesus come com pecadores
10.E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos.
11.Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?
12.Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.
13.Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento.
Do jejum
14.Vieram, depois, os discípulos de João e lhe perguntaram: Por que jejuamos nós, e os fariseus muitas vezes, e teus discípulos não jejuam?
15.Respondeu-lhes Jesus: Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar.
16.Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo tira parte da veste, e fica maior a rotura.
17.Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam.
O pedido de um chefe
18.Enquanto estas coisas lhes dizia, eis que um chefe, aproximando-se, o adorou e disse: Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem, impõe a mão sobre ela, e viverá.
A cura de uma mulher enferma
19.E Jesus, levantando-se, o seguia, e também os seus discípulos.
20.E eis que uma mulher, que durante doze anos vinha padecendo de uma hemorragia, veio por trás dele e lhe tocou na orla da veste;
21.porque dizia consigo mesma: Se eu apenas lhe tocar a veste, ficarei curada.
22.E Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou. E, desde aquele instante, a mulher ficou sã.
A ressurreição da filha de Jairo
23.Tendo Jesus chegado à casa do chefe e vendo os tocadores de flauta e o povo em alvoroço, disse:
24.Retirai-vos, porque não está morta a menina, mas dorme. E riam-se dele.
25.Mas, afastado o povo, entrou Jesus, tomou a menina pela mão, e ela se levantou.
26.E a fama deste acontecimento correu por toda aquela terra.
A cura de dois cegos
27.Partindo Jesus dali, seguiram-no dois cegos, clamando: Tem compaixão de nós, Filho de Davi!
28.Tendo ele entrado em casa, aproximaram-se os cegos, e Jesus lhes perguntou: Credes que eu posso fazer isso? Responderam-lhe: Sim, Senhor!
29.Então, lhes tocou os olhos, dizendo: Faça-se-vos conforme a vossa fé.
30.E abriram-se-lhes os olhos. Jesus, porém, os advertiu severamente, dizendo: Acautelai-vos de que ninguém o saiba.
31.Saindo eles, porém, divulgaram-lhe a fama por toda aquela terra.
A cura de um mudo endemoninhado. A blasfêmia dos fariseus
32.Ao retirarem-se eles, foi-lhe trazido um mudo endemoninhado.
33.E, expelido o demônio, falou o mudo; e as multidões se admiravam, dizendo: Jamais se viu tal coisa em Israel!
34.Mas os fariseus murmuravam: Pelo maioral dos demônios é que expele os demônios.
Jesus ia por toda parte fazendo o bem. A seara e os trabalhadores
35.E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades.
36.Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.
37.E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos.
38.Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
A escolha dos doze apóstolos
1.Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades.
2.Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão;
3.Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu;
4.Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.
5.A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos;
6.mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel;
7.e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus.
8.Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai.
9.Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos;
10.nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento.
11.E, em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, indagai quem neles é digno; e aí ficai até vos retirardes.
12.Ao entrardes na casa, saudai-a;
13.se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz.
14.Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés.
15.Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no Dia do Juízo, do que para aquela cidade.
16.Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas.
17.E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas;
18.por minha causa sereis levados à presença de governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios.
19.E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer,
20.visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós.
21.Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão.
22.Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.
23.Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do Homem.
24.O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor.
25.Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?
26.Portanto, não os temais; pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido.
27.O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eirados.
28.Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.
29.Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai.
30.E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados.
31.Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais.
32.Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus;
33.mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.
34.Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.
35.Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra.
36.Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa.
37.Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim;
38.e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim.
39.Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á.
40.Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe recebe aquele que me enviou.
41.Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo.
42.E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.
Jesus prega nas cidades
1.Ora, tendo acabado Jesus de dar estas instruções a seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles.
João envia mensageiros a Jesus
2.Quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe:
3.És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?
4.E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo:
5.os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho.
6.E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço.
Jesus dá testemunho de João
7.Então, em partindo eles, passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
8.Sim, que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que vestem roupas finas assistem nos palácios reais.
9.Mas para que saístes? Para ver um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta.
10.Este é de quem está escrito: Eis aí eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti.
11.Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele.
12.Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele.
13.Porque todos os Profetas e a Lei profetizaram até João.
14.E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir.
15.Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
16.Mas a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros:
17.Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes.
18.Pois veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio!
19.Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras.
Ai das cidades impenitentes!
20.Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido:
21.Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza.
22.E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras.
23.Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje.
24.Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.
Jesus, o Salvador dos humildes
25.Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.
26.Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.
27.Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Vinde a mim
28.Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.
29.Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.
30.Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.
Jesus é senhor do sábado
1.Por aquele tempo, em dia de sábado, passou Jesus pelas searas. Ora, estando os seus discípulos com fome, entraram a colher espigas e a comer.
2.Os fariseus, porém, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer em dia de sábado.
3.Mas Jesus lhes disse: Não lestes o que fez Davi quando ele e seus companheiros tiveram fome?
4.Como entrou na Casa de Deus, e comeram os pães da proposição, os quais não lhes era lícito comer, nem a ele nem aos que com ele estavam, mas exclusivamente aos sacerdotes?
5.Ou não lestes na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa? Pois eu vos digo:
6.aqui está quem é maior que o templo.
7.Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos, não teríeis condenado inocentes.
8.Porque o Filho do Homem é senhor do sábado.
O homem da mão ressequida
9.Tendo Jesus partido dali, entrou na sinagoga deles.
10.Achava-se ali um homem que tinha uma das mãos ressequida; e eles, então, com o intuito de acusá-lo, perguntaram a Jesus: É lícito curar no sábado?
11.Ao que lhes respondeu: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha, e, num sábado, esta cair numa cova, não fará todo o esforço, tirando-a dali?
12.Ora, quanto mais vale um homem que uma ovelha? Logo, é lícito, nos sábados, fazer o bem.
13.Então, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e ela ficou sã como a outra.
14.Retirando-se, porém, os fariseus, conspiravam contra ele, sobre como lhe tirariam a vida.
Jesus se retira
15.Mas Jesus, sabendo disto, afastou-se dali. Muitos o seguiram, e a todos ele curou,
16.advertindo-lhes, porém, que o não expusessem à publicidade,
17.para se cumprir o que foi dito por intermédio do profeta Isaías:
18.Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz. Farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará juízo aos gentios.
19.Não contenderá, nem gritará, nem alguém ouvirá nas praças a sua voz.
20.Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega, até que faça vencedor o juízo.
21.E, no seu nome, esperarão os gentios.
A cura de um endemoninhado cego e mudo. A blasfêmia dos fariseus. Jesus se defende
22.Então, lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o curou, passando o mudo a falar e a ver.
23.E toda a multidão se admirava e dizia: É este, porventura, o Filho de Davi?
24.Mas os fariseus, ouvindo isto, murmuravam: Este não expele demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios.
25.Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.
26.Se Satanás expele a Satanás, dividido está contra si mesmo; como, pois, subsistirá o seu reino?
27.E, se eu expulso demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes.
28.Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.
29.Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? E, então, lhe saqueará a casa.
30.Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.
31.Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.
32.Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir.
Árvores e seus frutos
33.Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom ou a árvore má e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.
34.Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração.
35.O homem bom tira do tesouro bom coisas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira coisas más.
36.Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo;
37.porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado.
O sinal de Jonas
38.Então, alguns escribas e fariseus replicaram: Mestre, queremos ver de tua parte algum sinal.
39.Ele, porém, respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas.
40.Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.
41.Ninivitas se levantarão, no Juízo, com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior do que Jonas.
42.A rainha do Sul se levantará, no Juízo, com esta geração e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão.
A estratégia de Satanás
43.Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra.
44.Por isso, diz: Voltarei para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada.
45.Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa.
A família de Jesus
46.Falava ainda Jesus ao povo, e eis que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe.
47.E alguém lhe disse: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar-te.
48.Porém ele respondeu ao que lhe trouxera o aviso: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?
49.E, estendendo a mão para os discípulos, disse: Eis minha mãe e meus irmãos.
50.Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe.
A parábola do semeador
1.Naquele mesmo dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à beira-mar;
2.e grandes multidões se reuniram perto dele, de modo que entrou num barco e se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia.
3.E de muitas coisas lhes falou por parábolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear.
4.E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram.
5.Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra.
6.Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se.
7.Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram.
8.Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um.
9.Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
A explicação da parábola
10.Então, se aproximaram os discípulos e lhe perguntaram: Por que lhes falas por parábolas?
11.Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido.
12.Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
13.Por isso, lhes falo por parábolas; porque, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem, nem entendem.
14.De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis.
15.Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados.
16.Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem.
17.Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não ouviram.
18.Atendei vós, pois, à parábola do semeador.
19.A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
20.O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria;
21.mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.
22.O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.
23.Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um.
A parábola do joio
24.Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo;
25.mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se.
26.E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio.
27.Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?
28.Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio?
29.Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo.
30.Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.
A parábola do grão de mostarda
31.Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo;
32.o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos.
A parábola do fermento
33.Disse-lhes outra parábola: O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.
Por que Jesus falou por parábolas
34.Todas estas coisas disse Jesus às multidões por parábolas e sem parábolas nada lhes dizia;
35.para que se cumprisse o que foi dito por intermédio do profeta: Abrirei em parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a criação do mundo.
A explicação da parábola do joio
36.Então, despedindo as multidões, foi Jesus para casa. E, chegando-se a ele os seus discípulos, disseram: Explica-nos a parábola do joio do campo.
37.E ele respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem;
38.o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno;
39.o inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos.
40.Pois, assim como o joio é colhido e lançado ao fogo, assim será na consumação do século.
41.Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade
42.e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.
43.Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
A parábola do tesouro escondido
44.O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo.
A parábola da pérola
45.O reino dos céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas;
46.e, tendo achado uma pérola de grande valor, vende tudo o que possui e a compra.
A parábola da rede
47.O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie.
48.E, quando já está cheia, os pescadores arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e os ruins deitam fora.
49.Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos,
50.e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.
Coisas novas e velhas
51.Entendestes todas estas coisas? Responderam-lhe: Sim!
52.Então, lhes disse: Por isso, todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas.
Jesus prega em Nazaré. É rejeitado pelos seus
53.Tendo Jesus proferido estas parábolas, retirou-se dali.
54.E, chegando à sua terra, ensinava-os na sinagoga, de tal sorte que se maravilhavam e diziam: Donde lhe vêm esta sabedoria e estes poderes miraculosos?
55.Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas?
56.Não vivem entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto?
57.E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terra e na sua casa.
58.E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.
Almeida Revista e Atualizada, ARA © Copyright 1993
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