A clemência de Deus, apesar da infidelidade do povo
1.Se um homem repudiar sua mulher, e ela o deixar e tomar outro marido, porventura, aquele tornará a ela? Não se poluiria com isso de todo aquela terra? Ora, tu te prostituíste com muitos amantes; mas, ainda assim, torna para mim, diz o SENHOR.
2.Levanta os olhos aos altos desnudos e vê; onde não te prostituíste? Nos caminhos te assentavas à espera deles como o arábio no deserto; assim, poluíste a terra com as tuas devassidões e com a tua malícia.
3.Pelo que foram retiradas as chuvas, e não houve chuva serôdia; mas tu tens a fronte de prostituta e não queres ter vergonha.
4.Não é fato que agora mesmo tu me invocas, dizendo: Pai meu, tu és o amigo da minha mocidade?
5.Conservarás para sempre a tua ira? Ou a reterás até ao fim? Sim, assim me falas, mas cometes maldade a mais não poder.
6.Disse mais o SENHOR nos dias do rei Josias: Viste o que fez a pérfida Israel? Foi a todo monte alto e debaixo de toda árvore frondosa e se deu ali a toda prostituição.
7.E, depois de ela ter feito tudo isso, eu pensei que ela voltaria para mim, mas não voltou. A sua pérfida irmã Judá viu isto.
8.Quando, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério, eu despedi a pérfida Israel e lhe dei carta de divórcio, vi que a falsa Judá, sua irmã, não temeu; mas ela mesma se foi e se deu à prostituição.
9.Sucedeu que, pelo ruidoso da sua prostituição, poluiu ela a terra; porque adulterou, adorando pedras e árvores.
10.Apesar de tudo isso, não voltou de todo o coração para mim a sua falsa irmã Judá, mas fingidamente, diz o SENHOR.
11.Disse-me o SENHOR: Já a pérfida Israel se mostrou mais justa do que a falsa Judá.
12.Vai, pois, e apregoa estas palavras para o lado do Norte e dize: Volta, ó pérfida Israel, diz o SENHOR, e não farei cair a minha ira sobre ti, porque eu sou compassivo, diz o SENHOR, e não manterei para sempre a minha ira.
13.Tão-somente reconhece a tua iniqüidade, reconhece que transgrediste contra o SENHOR, teu Deus, e te prostituíste com os estranhos debaixo de toda árvore frondosa e não deste ouvidos à minha voz, diz o SENHOR.
O povo exortado a arrepender-se
14.Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o SENHOR; porque eu sou o vosso esposo e vos tomarei, um de cada cidade e dois de cada família, e vos levarei a Sião.
15.Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência.
16.Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o SENHOR, nunca mais se exclamará: A arca da Aliança do SENHOR! Ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra.
17.Naquele tempo, chamarão a Jerusalém de Trono do SENHOR; nela se reunirão todas as nações em nome do SENHOR e já não andarão segundo a dureza do seu coração maligno.
18.Naqueles dias, andará a casa de Judá com a casa de Israel, e virão juntas da terra do Norte para a terra que dei em herança a vossos pais.
19.Mas eu a mim me perguntava: como te porei entre os filhos e te darei a terra desejável, a mais formosa herança das nações? E respondi: Pai me chamarás e de mim não te desviarás.
20.Deveras, como a mulher se aparta perfidamente do seu marido, assim com perfídia te houveste comigo, ó casa de Israel, diz o SENHOR.
21.Nos lugares altos, se ouviu uma voz, pranto e súplicas dos filhos de Israel; porquanto perverteram o seu caminho e se esqueceram do SENHOR, seu Deus.
22.Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões. Eis-nos aqui, vimos ter contigo; porque tu és o SENHOR, nosso Deus.
23.Na verdade, os outeiros não passam de ilusão, nem as orgias das montanhas; com efeito, no SENHOR, nosso Deus, está a salvação de Israel.
24.Mas a coisa vergonhosa devorou o labor de nossos pais, desde a nossa mocidade: as suas ovelhas e o seu gado, os seus filhos e as suas filhas.
25.Deitemo-nos em nossa vergonha, e cubra-nos a nossa ignomínia, porque temos pecado contra o SENHOR, nosso Deus, nós e nossos pais, desde a nossa mocidade até ao dia de hoje; e não demos ouvidos à voz do SENHOR, nosso Deus.
1.Se voltares, ó Israel, diz o SENHOR, volta para mim; se removeres as tuas abominações de diante de mim, não mais andarás vagueando;
2.se jurares pela vida do SENHOR, em verdade, em juízo e em justiça, então, nele serão benditas as nações e nele se glorificarão.
3.Porque assim diz o SENHOR aos homens de Judá e Jerusalém: Lavrai para vós outros campo novo e não semeeis entre espinhos.
4.Circuncidai-vos para o SENHOR, circuncidai o vosso coração, ó homens de Judá e moradores de Jerusalém, para que o meu furor não saia como fogo e arda, e não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras.
Vem do Norte o mal
5.Anunciai em Judá, fazei ouvir em Jerusalém e dizei: Tocai a trombeta na terra! Gritai em alta voz, dizendo: Ajuntai-vos, e entremos nas cidades fortificadas!
6.Arvorai a bandeira rumo a Sião, fugi e não vos detenhais; porque eu faço vir do Norte um mal, uma grande destruição.
7.Já um leão subiu da sua ramada, um destruidor das nações; ele já partiu, já deixou o seu lugar para fazer da tua terra uma desolação, a fim de que as tuas cidades sejam destruídas, e ninguém as habite.
8.Cingi-vos, pois, de cilício, lamentai e uivai; porque a ira ardente do SENHOR não se desviou de nós.
9.Sucederá naquele dia, diz o SENHOR, que o rei e os príncipes perderão a coragem, os sacerdotes ficarão pasmados, e os profetas, estupefatos.
10.Então, disse eu: Ah! SENHOR Deus! Verdadeiramente, enganaste a este povo e a Jerusalém, dizendo: Tereis paz; e eis que a espada lhe penetra até à alma.
11.Naquele tempo, se dirá a este povo e a Jerusalém: Vento abrasador dos altos desnudos do ermo assopra diretamente à filha do meu povo, não para padejar nem para alimpar.
12.Vento mais forte do que este virá ainda de minha parte, e, então, também eu pronunciarei a sentença contra eles.
13.Eis aí que sobe o destruidor como nuvens; os seus carros, como tempestade; os seus cavalos são mais ligeiros do que as águias. Ai de nós! Estamos arruinados!
14.Lava o teu coração da malícia, ó Jerusalém, para que sejas salva! Até quando hospedarás contigo os teus maus pensamentos?
15.Uma voz se faz ouvir desde Dã e anuncia a calamidade desde a região montanhosa de Efraim!
16.Proclamai isto às nações, fazei-o ouvir contra Jerusalém: De uma terra longínqua vêm sitiadores e levantam a voz contra as cidades de Judá.
17.Como os guardas de um campo, eles cercam Jerusalém, porque ela se rebelou contra mim, diz o SENHOR.
18.O teu proceder e as tuas obras fizeram vir sobre ti estas coisas; a tua calamidade, que é amarga, atinge até o próprio coração.
19.Ah! Meu coração! Meu coração! Eu me contorço em dores. Oh! As paredes do meu coração! Meu coração se agita! Não posso calar-me, porque ouves, ó minha alma, o som da trombeta, o alarido de guerra.
20.Golpe sobre golpe se anuncia, pois a terra toda já está destruída; de súbito, foram destruídas as minhas tendas; num momento, as suas lonas.
21.Até quando terei de ver a bandeira, terei de ouvir a voz da trombeta?
22.Deveras, o meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios e não inteligentes; são sábios para o mal e não sabem fazer o bem.
23.Olhei para a terra, e ei-la sem forma e vazia; para os céus, e não tinham luz.
24.Olhei para os montes, e eis que tremiam, e todos os outeiros estremeciam.
25.Olhei, e eis que não havia homem nenhum, e todas as aves dos céus haviam fugido.
26.Olhei ainda, e eis que a terra fértil era um deserto, e todas as suas cidades estavam derribadas diante do SENHOR, diante do furor da sua ira.
27.Pois assim diz o SENHOR: Toda a terra será assolada; porém não a consumirei de todo.
28.Por isso, a terra pranteará, e os céus acima se enegrecerão; porque falei, resolvi e não me arrependo, nem me retrato.
29.Ao clamor dos cavaleiros e dos flecheiros, fogem todas as cidades, entram pelas selvas e sobem pelos penhascos; todas as cidades ficam desamparadas, e já ninguém habita nelas.
30.Agora, pois, ó assolada, por que fazes assim, e te vestes de escarlata, e te adornas com enfeites de ouro, e alargas os olhos com pinturas, se debalde te fazes bela? Os amantes te desprezam e procuram tirar-te a vida.
31.Pois ouço uma voz, como de parturiente, uma angústia como da primípara em suas dores; a voz da filha de Sião, ofegante, que estende as mãos, dizendo: Ai de mim agora! Porque a minha alma desfalece por causa dos assassinos.
Os pecados de Jerusalém e de Judá
1.Dai voltas às ruas de Jerusalém; vede agora, procurai saber, buscai pelas suas praças a ver se achais alguém, se há um homem que pratique a justiça ou busque a verdade; e eu lhe perdoarei a ela.
2.Embora digam: Tão certo como vive o SENHOR, certamente, juram falso.
3.Ah! SENHOR, não é para a fidelidade que atentam os teus olhos? Tu os feriste, e não lhes doeu; consumiste-os, e não quiseram receber a disciplina; endureceram o rosto mais do que uma rocha; não quiseram voltar.
4.Mas eu pensei: são apenas os pobres que são insensatos, pois não sabem o caminho do SENHOR, o direito do seu Deus.
5.Irei aos grandes e falarei com eles; porque eles sabem o caminho do SENHOR, o direito do seu Deus; mas estes, de comum acordo, quebraram o jugo e romperam as algemas.
6.Por isso, um leão do bosque os matará, um lobo dos desertos os assolará, um leopardo estará à espreita das suas cidades; qualquer que sair delas será despedaçado; porque as suas transgressões se multiplicaram, multiplicaram-se as suas perfídias.
7.Como, vendo isto, te perdoaria? Teus filhos me deixam a mim e juram pelos que não são deuses; depois de eu os ter fartado, adulteraram e em casa de meretrizes se ajuntaram em bandos;
8.como garanhões bem fartos, correm de um lado para outro, cada um rinchando à mulher do seu companheiro.
9.Deixaria eu de castigar estas coisas, diz o SENHOR, ou não me vingaria de nação como esta?
10.Subi vós aos terraços da vinha, destruí-a, porém não de todo; tirai-lhe as gavinhas, porque não são do SENHOR.
11.Porque perfidamente se houveram contra mim, a casa de Israel e a casa de Judá, diz o SENHOR.
12.Negaram ao SENHOR e disseram: Não é ele; e: Nenhum mal nos sobrevirá; não veremos espada nem fome.
13.Até os profetas não passam de vento, porque a palavra não está com eles, as suas ameaças se cumprirão contra eles mesmos.
14.Portanto, assim diz o SENHOR, o Deus dos Exércitos: Visto que proferiram eles tais palavras, eis que converterei em fogo as minhas palavras na tua boca e a este povo, em lenha, e eles serão consumidos.
15.Eis que trago sobre ti uma nação de longe, ó casa de Israel, diz o SENHOR; nação robusta, nação antiga, nação cuja língua ignoras; e não entendes o que ela fala.
16.A sua aljava é como uma sepultura aberta; todos os seus homens são valentes.
17.Comerão a tua sega e o teu pão, os teus filhos e as tuas filhas; comerão as tuas ovelhas e o teu gado; comerão a tua vide e a tua figueira; e com a espada derribarão as tuas cidades fortificadas, em que confias.
18.Contudo, ainda naqueles dias, diz o SENHOR, não vos destruirei de todo.
19.Quando disserem: Por que nos fez o SENHOR, nosso Deus, todas estas coisas? Então, lhes responderás: Como vós me deixastes e servistes a deuses estranhos na vossa terra, assim servireis a estrangeiros, em terra que não é vossa.
20.Anunciai isto na casa de Jacó e fazei-o ouvir em Judá, dizendo:
21.Ouvi agora isto, ó povo insensato e sem entendimento, que tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis.
22.Não temereis a mim? —diz o SENHOR; não tremereis diante de mim, que pus a areia para limite do mar, limite perpétuo, que ele não traspassará? Ainda que se levantem as suas ondas, não prevalecerão; ainda que bramem, não o traspassarão.
23.Mas este povo é de coração rebelde e contumaz; rebelaram-se e foram-se.
24.Não dizem a eles mesmos: Temamos agora ao SENHOR, nosso Deus, que nos dá a seu tempo a chuva, a primeira e a última, que nos conserva as semanas determinadas da sega.
25.As vossas iniqüidades desviam estas coisas, e os vossos pecados afastam de vós o bem.
26.Porque entre o meu povo se acham perversos; cada um anda espiando, como espreitam os passarinheiros; como eles, dispõem armadilhas e prendem os homens.
27.Como a gaiola cheia de pássaros, são as suas casas cheias de fraude; por isso, se tornaram poderosos e enriqueceram.
28.Engordam, tornam-se nédios e ultrapassam até os feitos dos malignos; não defendem a causa, a causa dos órfãos, para que prospere; nem julgam o direito dos necessitados.
29.Não castigaria eu estas coisas? —diz o SENHOR; não me vingaria eu de nação como esta?
30.Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra:
31.os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém que fareis quando estas coisas chegarem ao seu fim?
Jerusalém será sitiada
1.Fugi, filhos de Benjamim, do meio de Jerusalém; tocai a trombeta em Tecoa e levantai o facho sobre Bete-Haquerém, porque do lado do Norte surge um grande mal, uma grande calamidade.
2.A formosa e delicada, a filha de Sião, eu deixarei em ruínas.
3.Contra ela virão pastores com os seus rebanhos; levantarão suas tendas em redor, e cada um apascentará no seu devido lugar.
4.Preparai a guerra contra ela, disponde-vos, e subamos ao meio-dia. Ai de nós, que já declina o dia, já se vão estendendo as sombras da tarde!
5.Disponde-vos, e subamos de noite e destruamos os seus castelos.
6.Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos: Cortai árvores e levantai tranqueiras contra Jerusalém. Esta é a cidade que há de ser punida; só opressão há no meio dela.
7.Como o poço conserva frescas as suas águas, assim ela, a sua malícia; violência e estrago se ouvem nela; enfermidade e feridas há diante de mim continuamente.
8.Aceita a disciplina, ó Jerusalém, para que eu não me aparte de ti; para que eu não te torne em assolação e terra não habitada.
As iniquidades de Jerusalém são a causa de sua queda
9.Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Diligentemente se rebuscarão os resíduos de Israel como uma vinha; vai metendo a mão, como o vindimador, por entre os sarmentos.
10.A quem falarei e testemunharei, para que ouçam? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos e não podem ouvir; eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa; não gostam dela.
11.Pelo que estou cheio da ira do SENHOR; estou cansado de a conter. Derramá-la-ei sobre as crianças pelas ruas e nas reuniões de todos os jovens; porque até o marido com a mulher serão presos, e o velho, com o decrépito.
12.As suas casas passarão a outrem, os campos e também as mulheres, porque estenderei a mão contra os habitantes desta terra, diz o SENHOR,
13.porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à ganância, e tanto o profeta como o sacerdote usam de falsidade.
14.Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.
15.Serão envergonhados, porque cometem abominação sem sentir por isso vergonha; nem sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto, cairão com os que caem; quando eu os castigar, tropeçarão, diz o SENHOR.
16.Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos.
17.Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos ao som da trombeta; mas eles dizem: Não escutaremos.
18.Portanto, ouvi, ó nações, e informa-te, ó congregação, do que se fará entre eles!
19.Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras e rejeitam a minha lei.
20.Para que, pois, me vem o incenso de Sabá e a melhor cana aromática de terras longínquas? Os vossos holocaustos não me são aprazíveis, e os vossos sacrifícios não me agradam.
21.Portanto, assim diz o SENHOR: Eis que ponho tropeços a este povo; neles cairão pais e filhos juntamente; o vizinho e o seu companheiro perecerão.
O inimigo do Norte
22.Assim diz o SENHOR: Eis que um povo vem da terra do Norte, e uma grande nação se levanta dos confins da terra.
23.Trazem arco e dardo; eles são cruéis e não usam de misericórdia; a sua voz ruge como o mar, e em cavalos vêm montados, como guerreiros em ordem de batalha contra ti, ó filha de Sião.
24.Ao ouvirmos a sua fama, afrouxam-se as nossas mãos, angústia nos toma e dores como de parturiente.
25.Não saias ao campo, nem andes pelo caminho, porque o inimigo tem espada, e há terror por todos os lados.
26.Ó filha do meu povo, cinge-te de cilício e revolve-te na cinza; pranteia como por filho único, pranto de amarguras; porque, de súbito, virá o destruidor sobre nós.
O trabalho inútil de Jeremias
27.Qual acrisolador te estabeleci entre o meu povo, qual fortaleza, para que venhas a conhecer o seu caminho e o examines.
28.Todos eles são os mais rebeldes e andam espalhando calúnias; são bronze e ferro, são todos corruptores.
29.O fole bufa, só chumbo resulta do seu fogo; em vão continua o depurador, porque os iníquos não são separados.
30.Prata de refugo lhes chamarão, porque o SENHOR os refugou.
O templo não protege a nação iníqua
1.Palavra que da parte do SENHOR foi dita a Jeremias:
2.Põe-te à porta da Casa do SENHOR, e proclama ali esta palavra, e dize: Ouvi a palavra do SENHOR, todos de Judá, vós, os que entrais por estas portas, para adorardes ao SENHOR.
3.Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Emendai os vossos caminhos e as vossas obras, e eu vos farei habitar neste lugar.
4.Não confieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este.
5.Mas, se deveras emendardes os vossos caminhos e as vossas obras, se deveras praticardes a justiça, cada um com o seu próximo;
6.se não oprimirdes o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após outros deuses para vosso próprio mal,
7.eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, desde os tempos antigos e para sempre.
8.Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam.
9.Que é isso? Furtais e matais, cometeis adultério e jurais falsamente, queimais incenso a Baal e andais após outros deuses que não conheceis,
10.e depois vindes, e vos pondes diante de mim nesta casa que se chama pelo meu nome, e dizeis: Estamos salvos; sim, só para continuardes a praticar estas abominações!
11.Será esta casa que se chama pelo meu nome um covil de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o SENHOR.
12.Mas ide agora ao meu lugar que estava em Siló, onde, no princípio, fiz habitar o meu nome, e vede o que lhe fiz, por causa da maldade do meu povo de Israel.
13.Agora, pois, visto que fazeis todas estas obras, diz o SENHOR, e eu vos falei, começando de madrugada, e não me ouvistes, chamei-vos, e não me respondestes,
14.farei também a esta casa que se chama pelo meu nome, na qual confiais, e a este lugar, que vos dei a vós outros e a vossos pais, como fiz a Siló.
15.Lançar-vos-ei da minha presença, como arrojei a todos os vossos irmãos, a toda a posteridade de Efraim.
A intercessão do profeta não salvará o povo rebelde
16.Tu, pois, não intercedas por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me importunes, porque eu não te ouvirei.
17.Acaso, não vês tu o que andam fazendo nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém?
18.Os filhos apanham a lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha, para se fazerem bolos à Rainha dos Céus; e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira.
19.Acaso, é a mim que eles provocam à ira, diz o SENHOR, e não, antes, a si mesmos, para a sua própria vergonha?
20.Portanto, assim diz o SENHOR Deus: Eis que a minha ira e o meu furor se derramarão sobre este lugar, sobre os homens e sobre os animais, sobre as árvores do campo e sobre os frutos da terra; arderá e não se apagará.
A mera multiplicação dos sacrifícios é debalde
21.Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Ajuntai os vossos holocaustos aos vossos sacrifícios e comei carne.
22.Porque nada falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios.
23.Mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; andai em todo o caminho que eu vos ordeno, para que vos vá bem.
24.Mas não deram ouvidos, nem atenderam, porém andaram nos seus próprios conselhos e na dureza do seu coração maligno; andaram para trás e não para diante.
25.Desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito até hoje, enviei-vos todos os meus servos, os profetas, todos os dias; começando de madrugada, eu os enviei.
26.Mas não me destes ouvidos, nem me atendestes; endurecestes a cerviz e fizestes pior do que vossos pais.
27.Dir-lhes-ás, pois, todas estas palavras, mas não te darão ouvidos; chamá-los-ás, mas não te responderão.
28.Dir-lhes-ás: Esta é a nação que não atende à voz do SENHOR, seu Deus, e não aceita a disciplina; já pereceu, a verdade foi eliminada da sua boca.
Judá rejeitado por Deus
29.Corta os teus cabelos consagrados, ó Jerusalém, e põe-te a prantear sobre os altos desnudos; porque já o SENHOR rejeitou e desamparou a geração objeto do seu furor;
30.porque os filhos de Judá fizeram o que era mau perante mim, diz o SENHOR; puseram os seus ídolos abomináveis na casa que se chama pelo meu nome, para a contaminarem.
31.Edificaram os altos de Tofete, que está no vale do filho de Hinom, para queimarem a seus filhos e a suas filhas; o que nunca ordenei, nem me passou pela mente.
32.Portanto, eis que virão dias, diz o SENHOR, em que já não se chamará Tofete, nem vale do filho de Hinom, mas o vale da Matança; os mortos serão enterrados em Tofete por não haver outro lugar.
33.Os cadáveres deste povo servirão de pasto às aves dos céus e aos animais da terra; e ninguém haverá que os espante.
34.Farei cessar nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém a voz de folguedo e a de alegria, a voz de noivo e a de noiva; porque a terra se tornará em desolação.
1.Naquele tempo, diz o SENHOR, lançarão para fora das suas sepulturas os ossos dos reis e dos príncipes de Judá, os ossos dos sacerdotes e dos profetas e os ossos dos habitantes de Jerusalém;
2.espalhá-los-ão ao sol, e à lua, e a todo o exército do céu, a quem tinham amado, e a quem serviram, e após quem tinham ido, e a quem procuraram, e diante de quem se tinham prostrado; não serão recolhidos, nem sepultados; serão como esterco sobre a terra.
3.Escolherão antes a morte do que a vida todos os que restarem desta raça malvada que ficar nos lugares para onde os dispersei, diz o SENHOR dos Exércitos.
O castigo é inevitável
4.Dize-lhes mais: Assim diz o SENHOR: Quando caem os homens, não se tornam a levantar? Quando alguém se desvia do caminho, não torna a voltar?
5.Por que, pois, este povo de Jerusalém se desvia, apostatando continuamente? Persiste no engano e não quer voltar.
6.Eu escutei e ouvi; não falam o que é reto, ninguém há que se arrependa da sua maldade, dizendo: Que fiz eu? Cada um corre a sua carreira como um cavalo que arremete com ímpeto na batalha.
7.Até a cegonha no céu conhece as suas estações; a rola, a andorinha e o grou observam o tempo da sua arribação; mas o meu povo não conhece o juízo do SENHOR.
8.Como, pois, dizeis: Somos sábios, e a lei do SENHOR está conosco? Pois, com efeito, a falsa pena dos escribas a converteu em mentira.
9.Os sábios serão envergonhados, aterrorizados e presos; eis que rejeitaram a palavra do SENHOR; que sabedoria é essa que eles têm?
10.Portanto, darei suas mulheres a outros, e os seus campos, a novos possuidores; porque, desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à ganância, e tanto o profeta como o sacerdote usam de falsidade.
11.Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.
12.Serão envergonhados, porque cometem abominação sem sentir por isso vergonha; nem sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto, cairão com os que caem; quando eu os castigar, tropeçarão, diz o SENHOR.
13.Eu os consumirei de todo, diz o SENHOR; não haverá uvas na vide, nem figos na figueira, e a folha já está murcha; e já lhes designei os que passarão sobre eles.
14.Por que estamos ainda assentados aqui? Reuni-vos, e entremos nas cidades fortificadas e ali pereçamos; pois o SENHOR já nos decretou o perecimento e nos deu a beber água venenosa, porquanto pecamos contra o SENHOR.
15.Espera-se a paz, e nada há de bom; o tempo da cura, e eis o terror.
16.Desde Dã se ouve o resfolegar dos seus cavalos; toda a terra treme à voz dos rinchos dos seus garanhões; e vêm e devoram a terra e a sua abundância, a cidade e os que habitam nela.
17.Porque eis que envio para entre vós serpentes, áspides contra as quais não há encantamento, e vos morderão, diz o SENHOR.
A dor do profeta por causa da ruína do povo
18.Oh! Se eu pudesse consolar-me na minha tristeza! O meu coração desfalece dentro de mim.
19.Eis a voz do clamor da filha do meu povo de terra mui remota: Não está o SENHOR em Sião? Não está nela o seu Rei? Por que me provocaram à ira com as suas imagens de escultura, com os ídolos dos estrangeiros?
20.Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos.
21.Estou quebrantado pela ferida da filha do meu povo; estou de luto; o espanto se apoderou de mim.
22.Acaso, não há bálsamo em Gileade? Ou não há lá médico? Por que, pois, não se realizou a cura da filha do meu povo?
1.Prouvera a Deus a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos, em fonte de lágrimas! Então, choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo.
2.Prouvera a Deus eu tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes! Então, deixaria o meu povo e me apartaria dele, porque todos eles são adúlteros, são um bando de traidores;
3.curvam a língua, como se fosse o seu arco, para a mentira; fortalecem-se na terra, mas não para a verdade, porque avançam de malícia em malícia e não me conhecem, diz o SENHOR.
4.Guardai-vos cada um do seu amigo e de irmão nenhum vos fieis; porque todo irmão não faz mais do que enganar, e todo amigo anda caluniando.
5.Cada um zomba do seu próximo, e não falam a verdade; ensinam a sua língua a proferir mentiras; cansam-se de praticar a iniqüidade.
6.Vivem no meio da falsidade; pela falsidade recusam conhecer-me, diz o SENHOR.
Ameaças de ruína e exílio
7.Portanto, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis que eu os acrisolarei e os provarei; porque de que outra maneira procederia eu com a filha do meu povo?
8.Flecha mortífera é a língua deles; falam engano; com a boca fala cada um de paz com o seu companheiro, mas no seu interior lhe arma ciladas.
9.Acaso, por estas coisas não os castigaria? —diz o SENHOR; ou não me vingaria eu de nação tal como esta?
10.Pelos montes levantarei choro e pranto e pelas pastagens do deserto, lamentação; porque já estão queimadas, e ninguém passa por elas; já não se ouve ali o mugido de gado; tanto as aves dos céus como os animais fugiram e se foram.
11.Farei de Jerusalém montões de ruínas, morada de chacais; e das cidades de Judá farei uma assolação, de sorte que fiquem desabitadas.
12.Quem é o homem sábio, que entenda isto, e a quem falou a boca do SENHOR, homem que possa explicar por que razão pereceu a terra e se queimou como deserto, de sorte que ninguém passa por ela?
13.Respondeu o SENHOR: Porque deixaram a minha lei, que pus perante eles, e não deram ouvidos ao que eu disse, nem andaram nela.
14.Antes, andaram na dureza do seu coração e seguiram os baalins, como lhes ensinaram os seus pais.
15.Portanto, assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que alimentarei este povo com absinto e lhe darei a beber água venenosa.
16.Espalhá-los-ei entre nações que nem eles nem seus pais conheceram; e enviarei a espada após eles, até que eu venha a consumi-los.
17.Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai e chamai carpideiras, para que venham; mandai procurar mulheres hábeis, para que venham.
18.Apressem-se e levantem sobre nós o seu lamento, para que os nossos olhos se desfaçam em lágrimas, e as nossas pálpebras destilem água.
19.Porque uma voz de pranto se ouve de Sião: Como estamos arruinados! Estamos sobremodo envergonhados, porque deixamos a terra, e eles transtornaram as nossas moradas.
20.Ouvi, pois, vós, mulheres, a palavra do SENHOR, e os vossos ouvidos recebam a palavra da sua boca; ensinai o pranto a vossas filhas; e, cada uma à sua companheira, a lamentação.
21.Porque a morte subiu pelas nossas janelas e entrou em nossos palácios; exterminou das ruas as crianças e os jovens, das praças.
22.Fala: Assim diz o SENHOR: Os cadáveres dos homens jazerão como esterco sobre o campo e cairão como gavela atrás do segador, e não há quem a recolha.
Conhecer a Deus constitui a glória do homem
23.Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas;
24.mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.
25.Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que castigarei a todos os circuncidados juntamente com os incircuncisos:
26.ao Egito, e a Judá, e a Edom, e aos filhos de Amom, e a Moabe, e a todos os que cortam os cabelos nas têmporas e habitam no deserto; porque todas as nações são incircuncisas, e toda a casa de Israel é incircuncisa de coração.
Contraste entre o Senhor e os ídolos
1.Ouvi a palavra que o SENHOR vos fala a vós outros, ó casa de Israel.
2.Assim diz o SENHOR: Não aprendais o caminho dos gentios, nem vos espanteis com os sinais dos céus, porque com eles os gentios se atemorizam.
3.Porque os costumes dos povos são vaidade; pois cortam do bosque um madeiro, obra das mãos do artífice, com machado;
4.com prata e ouro o enfeitam, com pregos e martelos o fixam, para que não oscile.
5.Os ídolos são como um espantalho em pepinal e não podem falar; necessitam de quem os leve, porquanto não podem andar. Não tenhais receio deles, pois não podem fazer mal, e não está neles o fazer o bem.
6.Ninguém há semelhante a ti, ó SENHOR; tu és grande, e grande é o poder do teu nome.
7.Quem te não temeria a ti, ó Rei das nações? Pois isto é a ti devido; porquanto, entre todos os sábios das nações e em todo o seu reino, ninguém há semelhante a ti.
8.Mas eles todos se tornaram estúpidos e loucos; seu ensino é vão e morto como um pedaço de madeira.
9.Traz-se prata batida de Társis e ouro de Ufaz; os ídolos são obra de artífice e de mãos de ourives; azuis e púrpuras são as suas vestes; todos eles são obra de homens hábeis.
10.Mas o SENHOR é verdadeiramente Deus; ele é o Deus vivo e o Rei eterno; do seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação.
11.Assim lhes direis: Os deuses que não fizeram os céus e a terra desaparecerão da terra e de debaixo destes céus.
12.O SENHOR fez a terra pelo seu poder; estabeleceu o mundo por sua sabedoria e com a sua inteligência estendeu os céus.
13.Fazendo ele ribombar o trovão, logo há tumulto de águas no céu, e sobem os vapores das extremidades da terra; ele cria os relâmpagos para a chuva e dos seus depósitos faz sair o vento.
14.Todo homem se tornou estúpido e não tem saber; todo ourives é envergonhado pela imagem que ele mesmo esculpiu; pois as suas imagens são mentira, e nelas não há fôlego.
15.Vaidade são, obra ridícula; no tempo do seu castigo, virão a perecer.
16.Não é semelhante a estas Aquele que é a Porção de Jacó; porque ele é o Criador de todas as coisas, e Israel é a tribo da sua herança; SENHOR dos Exércitos é o seu nome.
Lamento sobre a desolação de Judá
17.Tira do chão a tua trouxa, ó filha de Sião, que moras em lugar sitiado.
18.Porque assim diz o SENHOR: Eis que desta vez arrojarei para fora os moradores da terra e os angustiarei, para que venham a senti-lo.
19.Ai de mim, por causa da minha ruína! É mui grave a minha ferida; então, eu disse: com efeito, é isto o meu sofrimento, e tenho de suportá-lo.
20.A minha tenda foi destruída, todas as cordas se romperam; os meus filhos se foram e já não existem; ninguém há que levante a minha tenda e lhe erga as lonas.
21.Porque os pastores se tornaram estúpidos e não buscaram ao SENHOR; por isso, não prosperaram, e todos os seus rebanhos se acham dispersos.
22.Eis aí um rumor! Eis que vem grande tumulto da terra do Norte, para fazer das cidades de Judá uma assolação, morada de chacais.
23.Eu sei, ó SENHOR, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos.
24.Castiga-me, ó SENHOR, mas em justa medida, não na tua ira, para que não me reduzas a nada.
25.Derrama a tua indignação sobre as nações que não te conhecem e sobre os povos que não invocam o teu nome; porque devoraram a Jacó, devoraram-no, consumiram-no e assolaram a sua morada.
A aliança é violada
1.Palavra que veio a Jeremias, da parte do SENHOR, dizendo:
2.Ouve as palavras desta aliança e fala aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém;
3.dize-lhes: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Maldito o homem que não atentar para as palavras desta aliança,
4.que ordenei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, da fornalha de ferro, dizendo: dai ouvidos à minha voz e fazei tudo segundo o que vos mando; assim, vós me sereis a mim por povo, e eu vos serei a vós outros por Deus;
5.para que confirme o juramento que fiz a vossos pais de lhes dar uma terra que manasse leite e mel, como se vê neste dia. Então, eu respondi e disse: amém, ó SENHOR!
6.Tornou-me o SENHOR: Apregoa todas estas palavras nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, dizendo: Ouvi as palavras desta aliança e cumpri-as.
7.Porque, deveras, adverti a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, até ao dia de hoje, testemunhando desde cedo cada dia, dizendo: dai ouvidos à minha voz.
8.Mas não atenderam, nem inclinaram o seu ouvido; antes, andaram, cada um, segundo a dureza do seu coração maligno; pelo que fiz cair sobre eles todas as ameaças desta aliança, a qual lhes ordenei que cumprissem, mas não cumpriram.
9.Disse-me ainda o SENHOR: Uma conspiração se achou entre os homens de Judá, entre os habitantes de Jerusalém.
10.Tornaram às maldades de seus primeiros pais, que recusaram ouvir as minhas palavras; andaram eles após outros deuses para os servir; a casa de Israel e a casa de Judá violaram a minha aliança, que eu fizera com seus pais.
11.Portanto, assim diz o SENHOR: Eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar; clamarão a mim, porém não os ouvirei.
12.Então, as cidades de Judá e os habitantes de Jerusalém irão aos deuses a quem eles queimaram incenso e a eles clamarão; porém estes, de nenhuma sorte, os livrarão do tempo do seu mal.
13.Porque, ó Judá, segundo o número das tuas cidades, são os teus deuses; segundo o número das ruas de Jerusalém, levantaste altares para vergonhosa coisa, isto é, para queimares incenso a Baal.
14.Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por eles clamor nem oração; porque não os ouvirei quando eles clamarem a mim, por causa do seu mal.
15.Que direito tem na minha casa a minha amada, ela que cometeu vilezas? Acaso, ó amada, votos e carnes sacrificadas poderão afastar de ti o mal? Então, saltarias de prazer.
16.O SENHOR te chamou de oliveira verde, formosa por seus deliciosos frutos; mas agora, à voz de grande tumulto, acendeu fogo ao redor dela e consumiu os seus ramos.
17.Porque o SENHOR dos Exércitos, que te plantou, pronunciou contra ti o mal, pela maldade que a casa de Israel e a casa de Judá para si mesmas fizeram, pois me provocaram à ira, queimando incenso a Baal.
Conspiração contra Jeremias
18.O SENHOR mo fez saber, e eu o soube; então, me fizeste ver as suas maquinações.
19.Eu era como manso cordeiro, que é levado ao matadouro; porque eu não sabia que tramavam projetos contra mim, dizendo: Destruamos a árvore com seu fruto; a ele cortemo-lo da terra dos viventes, e não haja mais memória do seu nome.
20.Mas, ó SENHOR dos Exércitos, justo Juiz, que provas o mais íntimo do coração, veja eu a tua vingança sobre eles; pois a ti revelei a minha causa.
21.Portanto, assim diz o SENHOR acerca dos homens de Anatote que procuram a tua morte e dizem: Não profetizes em o nome do SENHOR, para que não morras às nossas mãos.
22.Sim, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis que eu os punirei; os jovens morrerão à espada, os seus filhos e as suas filhas morrerão de fome.
23.E não haverá deles resto nenhum, porque farei vir o mal sobre os homens de Anatote, no ano da sua punição.
A queixa de Jeremias
1.Justo és, ó SENHOR, quando entro contigo num pleito; contudo, falarei contigo dos teus juízos. Por que prospera o caminho dos perversos, e vivem em paz todos os que procedem perfidamente?
2.Plantaste-os, e eles deitaram raízes; crescem, dão fruto; têm-te nos lábios, mas longe do coração.
3.Mas tu, ó SENHOR, me conheces, tu me vês e provas o que sente o meu coração para contigo. Arranca-os como as ovelhas para o matadouro e destina-os para o dia da matança.
4.Até quando estará de luto a terra, e se secará a erva de todo o campo? Por causa da maldade dos que habitam nela, perecem os animais e as aves; porquanto dizem: Ele não verá o nosso fim. A resposta de Deus
A resposta de Deus
5.Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão?
6.Porque até os teus irmãos e a casa de teu pai, eles próprios procedem perfidamente contigo; eles mesmos te perseguem com fortes gritos. Não te fies deles ainda que te digam coisas boas.
Deus castiga os devastadores do país
7.Desamparei a minha casa, abandonei a minha herança; a que mais eu amava entreguei na mão de seus inimigos.
8.A minha herança tornou-se-me como leão numa floresta; levantou a voz contra mim; por isso, eu a aborreci.
9.Acaso, é para mim a minha herança ave de rapina de várias cores contra a qual se ajuntam outras aves de rapina? Ide, pois, ajuntai todos os animais do campo, trazei-os para a devorarem.
10.Muitos pastores destruíram a minha vinha e pisaram o meu quinhão; a porção que era o meu prazer, tornaram-na em deserto.
11.Em assolação a tornaram, e a mim clama no seu abandono; toda a terra está devastada, porque ninguém há que tome isso a peito.
12.Sobre todos os altos desnudos do deserto vieram destruidores; porque a espada do SENHOR devora de um a outro extremo da terra; não há paz para ninguém.
13.Semearam trigo e segaram espinhos; cansaram-se, mas sem proveito algum. Envergonhados sereis dos vossos frutos, por causa do brasume da ira do SENHOR.
As finalidades do castigo de Deus
14.Assim diz o SENHOR acerca de todos os meus maus vizinhos, que se apoderam da minha herança, que deixei ao meu povo de Israel: Eis que os arrancarei da sua terra e a casa de Judá arrancarei do meio deles.
15.E será que, depois de os haver arrancado, tornarei a compadecer-me deles e os farei voltar, cada um à sua herança, cada um à sua terra.
16.Se diligentemente aprenderem os caminhos do meu povo, jurando pelo meu nome: Tão certo como vive o SENHOR, como ensinaram o meu povo a jurar por Baal, então, serão edificados no meio do meu povo.
17.Mas, se não quiserem ouvir, arrancarei tal nação, arrancá-la-ei e a farei perecer, diz o SENHOR.
O cinto de linho
1.Assim me disse o SENHOR: Vai, compra um cinto de linho e põe-no sobre os lombos, mas não o metas na água.
2.Comprei o cinto, segundo a palavra do SENHOR, e o pus sobre os lombos.
3.Então, pela segunda vez me veio a palavra do SENHOR, dizendo:
4.Toma o cinto que compraste e que tens sobre os lombos; dispõe-te, vai ao Eufrates e esconde-o ali na fenda de uma rocha.
5.Fui e escondi-o junto ao Eufrates, como o SENHOR me havia ordenado.
6.Passados muitos dias, disse-me o SENHOR: Dispõe-te, vai ao Eufrates e toma o cinto que te ordenei escondesses ali.
7.Fui ao Eufrates, cavei e tomei o cinto do lugar onde o escondera; eis que o cinto se tinha apodrecido e para nada prestava.
8.Então, me veio a palavra do SENHOR, dizendo:
9.Assim diz o SENHOR: Deste modo farei também apodrecer a soberba de Judá e a muita soberba de Jerusalém.
10.Este povo maligno, que se recusa a ouvir as minhas palavras, que caminha segundo a dureza do seu coração e anda após outros deuses para os servir e adorar, será tal como este cinto, que para nada presta.
11.Porque, como o cinto se apega aos lombos do homem, assim eu fiz apegar-se a mim toda a casa de Israel e toda a casa de Judá, diz o SENHOR, para me serem por povo, e nome, e louvor, e glória; mas não deram ouvidos.
O jarro quebrado
12.Pelo que dize-lhes esta palavra: Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Todo jarro se encherá de vinho; e dir-te-ão: Não sabemos nós muito bem que todo jarro se encherá de vinho?
13.Mas tu dize-lhes: Assim diz o SENHOR: Eis que eu encherei de embriaguez a todos os habitantes desta terra, e aos reis que se assentam no trono de Davi, e aos sacerdotes, e aos profetas, e a todos os habitantes de Jerusalém.
14.Fá-los-ei em pedaços, atirando uns contra os outros, tanto os pais como os filhos, diz o SENHOR; não pouparei, não terei pena, nem terei deles compaixão, para que os não destrua.
Apelo e ameaças finais
15.Ouvi e atentai: não vos ensoberbeçais; porque o SENHOR falou.
16.Dai glória ao SENHOR, vosso Deus, antes que ele faça vir as trevas, e antes que tropecem vossos pés nos montes tenebrosos; antes que, esperando vós luz, ele a mude em sombra de morte e a reduza à escuridão.
17.Mas, se isto não ouvirdes, a minha alma chorará em segredo por causa da vossa soberba; chorarão os meus olhos amargamente e se desfarão em lágrimas, porquanto o rebanho do SENHOR foi levado cativo.
18.Dize ao rei e à rainha-mãe: Humilhai-vos, assentai-vos no chão; porque caiu da vossa cabeça a coroa da vossa glória.
19.As cidades do Sul estão fechadas, e ninguém há que as abra; todo o Judá foi levado para o exílio, todos cativos.
20.Levantai os olhos e vede os que vêm do Norte; onde está o rebanho que te foi confiado, o teu lindo rebanho?
21.Que dirás, quando ele puser por cabeça contra ti aqueles a quem ensinaste a ser amigos? Acaso, não se apoderarão de ti as dores, como à mulher que está de parto?
22.Quando disseres contigo mesmo: Por que me sobrevieram estas coisas? Então, sabe que pela multidão das tuas maldades se levantaram as tuas fraldas, e os teus calcanhares sofrem violência.
23.Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal.
24.Pelo que os espalharei como o restolho, restolho que é arrebatado pelo vento do deserto.
25.Esta será a tua sorte, a porção que te será medida por mim, diz o SENHOR; pois te esqueceste de mim e confiaste em mentiras.
26.Assim, também levantarei as tuas fraldas sobre o teu rosto; e aparecerão as tuas vergonhas.
27.Tenho visto as tuas abominações sobre os outeiros e no campo, a saber, os teus adultérios, os teus rinchos e a luxúria da tua prostituição. Ai de ti, Jerusalém! Até quando ainda não te purificarás?
Grande seca em Judá
1.Palavra do SENHOR que veio a Jeremias a respeito da grande seca.
2.Anda chorando Judá, as suas portas estão abandonadas e, de luto, se curvam até ao chão; e o clamor de Jerusalém vai subindo.
3.Os seus poderosos enviam os criados a buscar água; estes vão às cisternas e não acham água; voltam com seus cântaros vazios e, decepcionados e confusos, cobrem a cabeça.
4.Por não ter havido chuva sobre a terra, esta se acha deprimida; e, por isso, os lavradores, decepcionados, cobrem a cabeça.
5.Até as cervas no campo têm as suas crias e as abandonam, porquanto não há erva.
6.Os jumentos selvagens se põem nos desnudos altos e, ofegantes, sorvem o ar como chacais; os seus olhos desfalecem, porque não há erva.
Rejeitada a primeira intercessão de Jeremias
7.Posto que as nossas maldades testificam contra nós, ó SENHOR, age por amor do teu nome; porque as nossas rebeldias se multiplicaram; contra ti pecamos.
8.Ó Esperança de Israel e Redentor seu no tempo da angústia, por que serias como estrangeiro na terra e como viandante que se desvia para passar a noite?
9.Por que serias como homem surpreendido, como valente que não pode salvar? Mas tu, ó SENHOR, estás em nosso meio, e somos chamados pelo teu nome; não nos desampares.
10.Assim diz o SENHOR sobre este povo: Gostam de andar errantes e não detêm os pés; por isso, o SENHOR não se agrada deles, mas se lembrará da maldade deles e lhes punirá o pecado.
11.Disse-me ainda o SENHOR: Não rogues por este povo para o bem dele.
12.Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor e, quando trouxerem holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei deles; antes, eu os consumirei pela espada, pela fome e pela peste.
Rejeitada a segunda intercessão de Jeremias
13.Então, disse eu: Ah! SENHOR Deus, eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, nem tereis fome; mas vos darei verdadeira paz neste lugar.
14.Disse-me o SENHOR: Os profetas profetizam mentiras em meu nome, nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, adivinhação, vaidade e o engano do seu íntimo são o que eles vos profetizam.
15.Portanto, assim diz o SENHOR acerca dos profetas que, profetizando em meu nome, sem que eu os tenha mandado, dizem que nem espada, nem fome haverá nesta terra: À espada e à fome serão consumidos esses profetas.
16.O povo a quem eles profetizam será lançado nas ruas de Jerusalém, por causa da fome e da espada; não haverá quem os sepulte, a ele, a suas mulheres, a seus filhos e a suas filhas; porque derramarei sobre eles a sua maldade.
17.Portanto, lhes dirás esta palavra: Os meus olhos derramem lágrimas, de noite e de dia, e não cessem; porque a virgem, filha do meu povo, está profundamente golpeada, de ferida mui dolorosa.
18.Se eu saio ao campo, eis aí os mortos à espada; se entro na cidade, estão ali os debilitados pela fome; até os profetas e os sacerdotes vagueiam pela terra e não sabem para onde vão.
Rejeitada, em absoluto, a terceira intercessão de Jeremias
19.Acaso, já de todo rejeitaste a Judá? Ou aborrece a tua alma a Sião? Por que nos feriste, e não há cura para nós? Aguardamos a paz, e nada há de bom; o tempo da cura, e eis o terror.
20.Conhecemos, ó SENHOR, a nossa maldade e a iniqüidade de nossos pais; porque temos pecado contra ti.
21.Não nos rejeites, por amor do teu nome; não cubras de opróbrio o trono da tua glória; lembra-te e não anules a tua aliança conosco.
22.Acaso, haverá entre os ídolos dos gentios algum que faça chover? Ou podem os céus de si mesmos dar chuvas? Não és tu somente, ó SENHOR, nosso Deus, o que fazes isto? Portanto, em ti esperamos, pois tu fazes todas estas coisas.
1.Disse-me, porém, o SENHOR: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, meu coração não se inclinaria para este povo; lança-os de diante de mim, e saiam.
2.Quando te perguntarem: Para onde iremos? Dir-lhes-ás: Assim diz o SENHOR: O que é para a morte, para a morte; o que é para a espada, para a espada; o que é para a fome, para a fome; e o que é para o cativeiro, para o cativeiro.
3.Porque os punirei com quatro sortes de castigos, diz o SENHOR: com espada para matar, com cães para os arrastarem e com as aves dos céus e as feras do campo para os devorarem e destruírem.
4.Entregá-los-ei para que sejam um espetáculo horrendo para todos os reinos da terra; por causa de Manassés, filho de Ezequias, rei de Judá, por tudo quanto fez em Jerusalém.
5.Pois quem se compadeceria de ti, ó Jerusalém? Ou quem se entristeceria por ti? Ou quem se desviaria a perguntar pelo teu bem-estar?
6.Tu me rejeitaste, diz o SENHOR, voltaste para trás; por isso, levantarei a mão contra ti e te destruirei; estou cansado de ter compaixão.
7.Cirandei-os com a pá nas portas da terra; desfilhei e destruí o meu povo, mas não deixaram os seus caminhos.
8.As suas viúvas se multiplicaram mais do que as areias dos mares; eu trouxe ao meio-dia um destruidor sobre a mãe de jovens; fiz cair de repente sobre ela angústia e pavor.
9.Aquela que tinha sete filhos desmaiou como para expirar a alma; pôs-se-lhe o sol quando ainda era dia; ela ficou envergonhada e confundida, e os que ficaram dela, eu os entregarei à espada, diante dos seus inimigos, diz o SENHOR.
O Senhor conforta ao seu profeta
10.Ai de mim, minha mãe! Pois me deste à luz homem de rixa e homem de contendas para toda a terra! Nunca lhes emprestei com usura, nem eles me emprestaram a mim com usura; todavia, cada um deles me amaldiçoa.
11.Disse o SENHOR: Na verdade, eu te fortalecerei para o bem e farei que o inimigo te dirija súplicas no tempo da calamidade e no tempo da aflição.
12.Pode alguém quebrar o ferro, o ferro do Norte, ou o bronze?
13.Os teus bens e os teus tesouros entregarei gratuitamente ao saque, por todos os teus pecados e em todos os teus territórios.
14.Levar-te-ei com os teus inimigos para a terra que não conheces; porque o fogo se acendeu em minha ira e sobre vós arderá.
15.Tu, ó SENHOR, o sabes; lembra-te de mim, ampara-me e vinga-me dos meus perseguidores; não me deixes ser arrebatado, por causa da tua longanimidade; sabe que por amor de ti tenho sofrido afrontas.
16.Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos.
17.Nunca me assentei na roda dos que se alegram, nem me regozijei; oprimido por tua mão, eu me assentei solitário, pois já estou de posse das tuas ameaças.
18.Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói e não admite cura? Serias tu para mim como ilusório ribeiro, como águas que enganam?
19.Portanto, assim diz o SENHOR: Se tu te arrependeres, eu te farei voltar e estarás diante de mim; se apartares o precioso do vil, serás a minha boca; e eles se tornarão a ti, mas tu não passarás para o lado deles.
20.Eu te porei contra este povo como forte muro de bronze; eles pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque eu sou contigo para te salvar, para te livrar deles, diz o SENHOR;
21.Arrebatar-te-ei das mãos dos iníquos, livrar-te-ei das garras dos violentos.
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