Desafio dos 90 dias

17 / 90
O casamento de Sansão
1.Desceu Sansão a Timna; vendo em Timna uma das filhas dos filisteus,
2.subiu, e declarou-o a seu pai e a sua mãe, e disse: Vi uma mulher em Timna, das filhas dos filisteus; tomai-ma, pois, por esposa.
3.Porém seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos ou entre todo o meu povo, para que vás tomar esposa dos filisteus, daqueles incircuncisos? Disse Sansão a seu pai: Toma-me esta, porque só desta me agrado.
4.Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isto vinha do SENHOR, pois este procurava ocasião contra os filisteus; porquanto, naquele tempo, os filisteus dominavam sobre Israel.
5.Desceu, pois, com seu pai e sua mãe a Timna; e, chegando às vinhas de Timna, eis que um leão novo, bramando, lhe saiu ao encontro.
6.Então, o Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou dele, que ele o rasgou como quem rasga um cabrito, sem nada ter na mão; todavia, nem a seu pai nem a sua mãe deu a saber o que fizera.
7.Desceu, e falou àquela mulher, e dela se agradou.
8.Depois de alguns dias, voltou ele para a tomar; e, apartando-se do caminho para ver o corpo do leão morto, eis que, neste, havia um enxame de abelhas com mel.
9.Tomou o favo nas mãos e se foi andando e comendo dele; e chegando a seu pai e a sua mãe, deu-lhes do mel, e comeram; porém não lhes deu a saber que do corpo do leão é que o tomara.
O enigma de Sansão
10.Descendo, pois, seu pai à casa daquela mulher, fez Sansão ali um banquete; porque assim o costumavam fazer os moços.
11.Sucedeu que, como o vissem, convidaram trinta companheiros para estarem com ele.
12.Disse-lhes, pois, Sansão: Dar-vos-ei um enigma a decifrar; se, nos sete dias das bodas, mo declarardes e descobrirdes, dar-vos-ei trinta camisas e trinta vestes festivais;
13.se mo não puderdes declarar, vós me dareis a mim as trinta camisas e as trinta vestes festivais. E eles lhe disseram: Dá-nos o teu enigma a decifrar, para que o ouçamos.
14.Então, lhes disse: Do comedor saiu comida, e do forte saiu doçura. E, em três dias, não puderam decifrar o enigma.
15.Ao sétimo dia, disseram à mulher de Sansão: Persuade a teu marido que nos declare o enigma, para que não queimemos a ti e a casa de teu pai. Convidastes-nos para vos apossardes do que é nosso, não é assim?
16.A mulher de Sansão chorou diante dele e disse: Tão-somente me aborreces e não me amas; pois deste aos meus patrícios um enigma a decifrar e ainda não mo declaraste a mim. E ele lhe disse: Nem a meu pai nem a minha mãe o declarei e to declararia a ti?
17.Ela chorava diante dele os sete dias em que celebravam as bodas; ao sétimo dia, lhe declarou, porquanto o importunava; então, ela declarou o enigma aos seus patrícios.
18.Disseram, pois, a Sansão os homens daquela cidade, ao sétimo dia, antes de se pôr o sol: Que coisa há mais doce do que o mel e mais forte do que o leão? E ele lhes citou o provérbio: Se vós não lavrásseis com a minha novilha, nunca teríeis descoberto o meu enigma.
19.Então, o Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou dele, que desceu aos asquelonitas, matou deles trinta homens, despojou-os e as suas vestes festivais deu aos que declararam o enigma; porém acendeu-se a sua ira, e ele subiu à casa de seu pai.
20.Ao companheiro de honra de Sansão foi dada por mulher a esposa deste.
Sansão põe fogo às searas dos filisteus
1.Passado algum tempo, nos dias da ceifa do trigo, Sansão, levando um cabrito, foi visitar a sua mulher, pois dizia: Entrarei na câmara de minha mulher. Porém o pai dela não o deixou entrar
2.e lhe disse: Por certo, pensava eu que de todo a aborrecias, de sorte que a dei ao teu companheiro; porém não é mais formosa do que ela a irmã que é mais nova? Toma-a, pois, em seu lugar.
3.Então, Sansão lhe respondeu: Desta feita sou inocente para com os filisteus, quando lhes fizer algum mal.
4.E saiu e tomou trezentas raposas; e, tomando fachos, as virou cauda com cauda e lhes atou um facho no meio delas.
5.Tendo ele chegado fogo aos tições, largou-as na seara dos filisteus e, assim, incendiou tanto os molhos como o cereal por ceifar, e as vinhas, e os olivais.
6.Perguntaram os filisteus: Quem fez isto? Responderam: Sansão, o genro do timnita, porque lhe tomou a mulher e a deu a seu companheiro. Então, subiram os filisteus e queimaram a ela e o seu pai.
7.Disse-lhes Sansão: Se assim procedeis, não desistirei enquanto não me vingar.
8.E feriu-os com grande carnificina; e desceu e habitou na fenda da rocha de Etã.
Os homens de Judá amarram Sansão
9.Então, os filisteus subiram, e acamparam-se contra Judá, e estenderam-se por Leí.
10.Perguntaram-lhes os homens de Judá: Por que subistes contra nós? Responderam: Subimos para amarrar Sansão, para lhe fazer a ele como ele nos fez a nós.
11.Então, três mil homens de Judá desceram até à fenda da rocha de Etã e disseram a Sansão: Não sabias tu que os filisteus dominam sobre nós? Por que, pois, nos fizeste isto? Ele lhes respondeu: Assim como me fizeram a mim, eu lhes fiz a eles.
12.Descemos, replicaram eles, para te amarrar, para te entregar nas mãos dos filisteus. Sansão lhes disse: Jurai-me que vós mesmos não me acometereis.
13.Eles lhe disseram: Não, mas somente te amarraremos e te entregaremos nas suas mãos; porém de maneira nenhuma te mataremos. E amarraram-no com duas cordas novas e fizeram-no subir da rocha.
Sansão fere mil homens com uma queixada de jumento
14.Chegando ele a Leí, os filisteus lhe saíram ao encontro, jubilando; porém o Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou dele, que as cordas que tinha nos braços se tornaram como fios de linho queimados, e as suas amarraduras se desfizeram das suas mãos.
15.Achou uma queixada de jumento, ainda fresca, à mão, e tomou-a, e feriu com ela mil homens.
16.E disse: Com uma queixada de jumento um montão, outro montão; com uma queixada de jumento feri mil homens.
17.Tendo ele acabado de falar, lançou da sua mão a queixada. Chamou-se aquele lugar Ramate-Leí.
18.Sentindo grande sede, clamou ao SENHOR e disse: Por intermédio do teu servo deste esta grande salvação; morrerei eu, agora, de sede e cairei nas mãos destes incircuncisos?
19.Então, o SENHOR fendeu a cavidade que estava em Leí, e dela saiu água; tendo Sansão bebido, recobrou alento e reviveu; daí chamar-se aquele lugar En-Hacoré até ao dia de hoje.
20.Sansão julgou a Israel, nos dias dos filisteus, vinte anos.
Sansão em Gaza
1.Sansão foi a Gaza, e viu ali uma prostituta, e coabitou com ela.
2.Foi dito aos gazitas: Sansão chegou aqui. Cercaram-no, pois, e toda a noite o esperaram, às escondidas, na porta da cidade; e, toda a noite, estiveram em silêncio, pois diziam: Esperaremos até ao raiar do dia; então, daremos cabo dele.
3.Porém Sansão esteve deitado até à meia-noite; então, se levantou, e pegou ambas as folhas da porta da cidade com suas ombreiras, e, juntamente com a tranca, as tomou, pondo-as sobre os ombros; e levou-as para cima, até ao cimo do monte que olha para Hebrom.
Sansão é traído por Dalila
4.Depois disto, aconteceu que se afeiçoou a uma mulher do vale de Soreque, a qual se chamava Dalila.
5.Então, os príncipes dos filisteus subiram a ela e lhe disseram: Persuade-o e vê em que consiste a sua grande força e com que poderíamos dominá-lo e amarrá-lo, para assim o subjugarmos; e te daremos cada um mil e cem siclos de prata.
6.Disse, pois, Dalila a Sansão: Declara-me, peço-te, em que consiste a tua grande força e com que poderias ser amarrado para te poderem subjugar.
7.Respondeu-lhe Sansão: Se me amarrarem com sete tendões frescos, ainda não secos, então, me enfraquecerei, e serei como qualquer outro homem.
8.Os príncipes dos filisteus trouxeram a Dalila sete tendões frescos, que ainda não estavam secos; e com os tendões ela o amarrou.
9.Tinha ela no seu quarto interior homens escondidos. Então, ela lhe disse: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! Quebrou ele os tendões como se quebra o fio da estopa chamuscada; assim, não se soube em que lhe consistia a força.
10.Disse Dalila a Sansão: Eis que zombaste de mim e me disseste mentiras; ora, declara-me, agora, com que poderias ser amarrado.
11.Ele lhe disse: Se me amarrarem bem com cordas novas, com que se não tenha feito obra nenhuma, então, me enfraquecerei e serei como qualquer outro homem.
12.Dalila tomou cordas novas, e o amarrou, e disse-lhe: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! Tinha ela no seu quarto interior homens escondidos. Ele as rebentou de seus braços como um fio.
13.Disse Dalila a Sansão: Até agora, tens zombado de mim e me tens dito mentiras; declara-me, pois, agora: com que poderias ser amarrado? Ele lhe respondeu: Se teceres as sete tranças da minha cabeça com a urdidura da teia e se as firmares com pino de tear, então, me enfraquecerei e serei como qualquer outro homem. Enquanto ele dormia, tomou ela as sete tranças e as teceu com a urdidura da teia.
14.E as fixou com um pino de tear e disse-lhe: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! Então, despertou do seu sono e arrancou o pino e a urdidura da teia.
15.Então, ela lhe disse: Como dizes que me amas, se não está comigo o teu coração? Já três vezes zombaste de mim e ainda não me declaraste em que consiste a tua grande força.
16.Importunando-o ela todos os dias com as suas palavras e molestando-o, apoderou-se da alma dele uma impaciência de matar.
17.Descobriu-lhe todo o coração e lhe disse: Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de Deus, desde o ventre de minha mãe; se vier a ser rapado, ir-se-á de mim a minha força, e me enfraquecerei e serei como qualquer outro homem.
18.Vendo, pois, Dalila que já ele lhe descobrira todo o coração, mandou chamar os príncipes dos filisteus, dizendo: Subi mais esta vez, porque, agora, me descobriu ele todo o coração. Então, os príncipes dos filisteus subiram a ter com ela e trouxeram com eles o dinheiro.
19.Então, Dalila fez dormir Sansão nos joelhos dela e, tendo chamado um homem, mandou rapar-lhe as sete tranças da cabeça; passou ela a subjugá-lo; e retirou-se dele a sua força.
20.E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! Tendo ele despertado do seu sono, disse consigo mesmo: Sairei ainda esta vez como dantes e me livrarei; porque ele não sabia ainda que já o SENHOR se tinha retirado dele.
21.Então, os filisteus pegaram nele, e lhe vazaram os olhos, e o fizeram descer a Gaza; amarraram-no com duas cadeias de bronze, e virava um moinho no cárcere.
22.E o cabelo da sua cabeça, logo após ser rapado, começou a crescer de novo.
A morte de Sansão
23.Então, os príncipes dos filisteus se ajuntaram para oferecer grande sacrifício a seu deus Dagom e para se alegrarem; e diziam: Nosso deus nos entregou nas mãos a Sansão, nosso inimigo.
24.Vendo-o o povo, louvavam ao seu deus, porque diziam: Nosso deus nos entregou nas mãos o nosso inimigo, e o que destruía a nossa terra, e o que multiplicava os nossos mortos.
25.Alegrando-se-lhes o coração, disseram: Mandai vir Sansão, para que nos divirta. Trouxeram Sansão do cárcere, o qual os divertia. Quando o fizeram estar em pé entre as colunas,
26.disse Sansão ao moço que o tinha pela mão: Deixa-me, para que apalpe as colunas em que se sustém a casa, para que me encoste a elas.
27.Ora, a casa estava cheia de homens e mulheres, e também ali estavam todos os príncipes dos filisteus; e sobre o teto havia uns três mil homens e mulheres, que olhavam enquanto Sansão os divertia.
28.Sansão clamou ao SENHOR e disse: SENHOR Deus, peço-te que te lembres de mim, e dá-me força só esta vez, ó Deus, para que me vingue dos filisteus, ao menos por um dos meus olhos.
29.Abraçou-se, pois, Sansão com as duas colunas do meio, em que se sustinha a casa, e fez força sobre elas, com a mão direita em uma e com a esquerda na outra.
30.E disse: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela estava; e foram mais os que matou na sua morte do que os que matara na sua vida.
31.Então, seus irmãos desceram, e toda a casa de seu pai, tomaram-no, subiram com ele e o sepultaram entre Zorá e Estaol, no sepulcro de Manoá, seu pai. Julgou ele a Israel vinte anos.
Mica e o ídolo da sua casa
1.Havia um homem da região montanhosa de Efraim cujo nome era Mica,
2.o qual disse a sua mãe: Os mil e cem siclos de prata que te foram tirados, por cuja causa deitavas maldições e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então, lhe disse a mãe: Bendito do SENHOR seja meu filho!
3.Assim, restituiu os mil e cem siclos de prata a sua mãe, que disse: De minha mão dedico este dinheiro ao SENHOR para meu filho, para fazer uma imagem de escultura e uma de fundição, de sorte que, agora, eu to devolvo.
4.Porém ele restituiu o dinheiro a sua mãe, que tomou duzentos siclos de prata e os deu ao ourives, o qual fez deles uma imagem de escultura e uma de fundição; e a imagem esteve em casa de Mica.
5.E, assim, este homem, Mica, veio a ter uma casa de deuses; fez uma estola sacerdotal e ídolos do lar e consagrou a um de seus filhos, para que lhe fosse por sacerdote.
6.Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto.
O levita em casa de Mica
7.Havia um moço de Belém de Judá, da tribo de Judá, que era levita e se demorava ali.
8.Esse homem partiu da cidade de Belém de Judá para ficar onde melhor lhe parecesse. Seguindo, pois, o seu caminho, chegou à região montanhosa de Efraim, até à casa de Mica.
9.Perguntou-lhe Mica: Donde vens? Ele lhe respondeu: Sou levita de Belém de Judá e vou ficar onde melhor me parecer.
10.Então, lhe disse Mica: Fica comigo e sê-me por pai e sacerdote; e cada ano te darei dez siclos de prata, o vestuário e o sustento. O levita entrou
11.e consentiu em ficar com aquele homem; e o moço lhe foi como um de seus filhos.
12.Consagrou Mica ao moço levita, que lhe passou a ser sacerdote; e ficou em casa de Mica.
13.Então, disse Mica: Sei, agora, que o SENHOR me fará bem, porquanto tenho um levita por sacerdote.
Os danitas buscam herança maior
1.Naqueles dias, não havia rei em Israel, e a tribo dos danitas buscava para si herança em que habitar; porquanto, até àquele dia, entre as tribos de Israel, não lhe havia caído por sorte a herança.
2.Enviaram os filhos de Dã cinco homens dentre todos os da sua tribo, homens valentes, de Zorá e de Estaol, a espiar e explorar a terra; e lhes disseram: Ide, explorai a terra. Chegaram à região montanhosa de Efraim, até à casa de Mica, e ali pernoitaram.
3.Estando eles junto da casa de Mica, reconheceram a voz do moço, do levita; chegaram-se para lá e lhe disseram: Quem te trouxe para aqui? Que fazes aqui? E que é que tens aqui?
4.Ele respondeu: Assim e assim me fez Mica; pois me assalariou, e eu lhe sirvo de sacerdote.
5.Então, lhe disseram: Consulta a Deus, para que saibamos se prosperará o caminho que levamos.
6.Disse-lhes o sacerdote: Ide em paz; o caminho que levais está sob as vistas do SENHOR.
7.Partiram os cinco homens, e chegaram a Laís, e viram que o povo que havia nela estava seguro, segundo o costume dos sidônios, em paz e confiado. Nenhuma autoridade havia que, por qualquer coisa, o oprimisse; também estava longe dos sidônios e não tinha trato com nenhuma outra gente.
8.Então, voltaram a seus irmãos, a Zorá e a Estaol; e estes lhes perguntaram: Que nos dizeis?
9.Eles disseram: Disponde-vos e subamos contra eles; porque examinamos a terra, e eis que é muito boa. Estais aí parados? Não vos demoreis em sair para ocupardes a terra.
10.Quando lá chegardes, achareis um povo confiado, e a terra é ampla; porque Deus vo-la entregou nas mãos; é um lugar em que não há falta de coisa alguma que há na terra.
11.Então, partiram dali, da tribo dos danitas, de Zorá e de Estaol, seiscentos homens armados de suas armas de guerra.
12.Subiram e acamparam-se em Quiriate-Jearim, em Judá; pelo que chamaram a este lugar Maané-Dã, até ao dia de hoje; está por detrás de Quiriate-Jearim.
13.Dali, passaram à região montanhosa de Efraim e chegaram até à casa de Mica.
Roubada a imagem de Mica e conquistada a cidade de Laís
14.Os cinco homens que foram espiar a terra de Laís disseram a seus irmãos: Sabeis vós que, naquelas casas, há uma estola sacerdotal, e ídolos do lar, e uma imagem de escultura, e uma de fundição? Vede, pois, o que haveis de fazer.
15.Então, foram para lá, e chegaram à casa do moço, o levita, em casa de Mica, e o saudaram.
16.Os seiscentos homens que eram dos filhos de Dã, armados de suas armas de guerra, ficaram à entrada da porta.
17.Porém, subindo os cinco homens que foram espiar a terra, entraram e apanharam a imagem de escultura, a estola sacerdotal, os ídolos do lar e a imagem de fundição, ficando o sacerdote em pé à entrada da porta, com os seiscentos homens que estavam armados com as armas de guerra.
18.Entrando eles, pois, na casa de Mica e tomando a imagem de escultura, a estola sacerdotal, os ídolos do lar e a imagem de fundição, disse-lhes o sacerdote: Que estais fazendo?
19.Eles lhe disseram: Cala-te, e põe a mão na boca, e vem conosco, e sê-nos por pai e sacerdote. Ser-te-á melhor seres sacerdote da casa de um só homem do que seres sacerdote de uma tribo e de uma família em Israel?
20.Então, se alegrou o coração do sacerdote, tomou a estola sacerdotal, os ídolos do lar e a imagem de escultura e entrou no meio do povo.
21.Assim, viraram e, tendo posto diante de si os meninos, o gado e seus bens, partiram.
22.Estando já longe da casa de Mica, reuniram-se os homens que estavam nas casas junto à dele e alcançaram os filhos de Dã.
23.E clamaram após eles, os quais, voltando-se, disseram a Mica: Que tens, que convocaste esse povo?
24.Respondeu-lhes: Os deuses que eu fiz me tomastes e também o sacerdote e vos fostes; que mais me resta? Como, pois, me perguntais: Que é o que tens?
25.Porém os filhos de Dã lhe disseram: Não nos faças ouvir a tua voz, para que, porventura, homens de ânimo amargoso não se lancem sobre ti, e tu percas a tua vida e a vida dos da tua casa.
26.Assim, prosseguiram o seu caminho os filhos de Dã; e Mica, vendo que eram mais fortes do que ele, voltou-se e tornou para sua casa.
27.Levaram eles o que Mica havia feito e o sacerdote que tivera, e chegaram a Laís, a um povo em paz e confiado, e os feriram a fio de espada, e queimaram a cidade.
28.Ninguém houve que os livrasse, porquanto estavam longe de Sidom e não tinham trato com ninguém; a cidade estava no vale junto a Bete-Reobe. Reedificaram a cidade, habitaram nela
29.e lhe chamaram Dã, segundo o nome de Dã, seu pai, que nascera a Israel; porém, outrora, o nome desta cidade era Laís.
30.Os filhos de Dã levantaram para si aquela imagem de escultura; e Jônatas, filho de Gérson, o filho de Manassés, ele e seus filhos foram sacerdotes da tribo dos danitas até ao dia do cativeiro do povo.
31.Assim, pois, a imagem de escultura feita por Mica estabeleceram para si todos os dias que a Casa de Deus esteve em Siló.
O levita e sua concubina
1.Naqueles dias, em que não havia rei em Israel, houve um homem levita, que, peregrinando nos longes da região montanhosa de Efraim, tomou para si uma concubina de Belém de Judá.
2.Porém ela, aborrecendo-se dele, o deixou, tornou para a casa de seu pai, em Belém de Judá, e lá esteve os dias de uns quatro meses.
3.Seu marido, tendo consigo o seu servo e dois jumentos, levantou-se e foi após ela para falar-lhe ao coração, a fim de tornar a trazê-la. Ela o fez entrar na casa de seu pai. Este, quando o viu, saiu alegre a recebê-lo.
4.Seu sogro, o pai da moça, o deteve por três dias em sua companhia; comeram, beberam, e o casal se alojou ali.
5.Ao quarto dia, madrugaram e se levantaram para partir; então, o pai da moça disse a seu genro: Fortalece-te com um bocado de pão, e, depois, partireis.
6.Assentaram-se, pois, e comeram ambos juntos, e beberam; então, disse o pai da moça ao homem: Peço-te que ainda esta noite queiras passá-la aqui, e se alegre o teu coração.
7.Contudo, o homem levantou-se para partir; porém o seu sogro, instando com ele, fê-lo pernoitar ali.
8.Madrugando ele ao quinto dia para partir, disse o pai da moça: Fortalece-te, e detende-vos até ao declinar do dia; e ambos comeram juntos.
9.Então, o homem se levantou para partir, ele, e a sua concubina, e o seu moço; e disse-lhe seu sogro, o pai da moça: Eis que já declina o dia, a tarde vem chegando; peço-te que passes aqui a noite; vai-se o dia acabando, passa aqui a noite, e que o teu coração se alegre; amanhã de madrugada, levantai-vos a caminhar e ide para a vossa casa.
10.Porém o homem não quis passar ali a noite; mas levantou-se, e partiu, e veio até à altura de Jebus ( que é Jerusalém ), e com ele os dois jumentos albardados, como também a sua concubina.
11.Estando, pois, já perto de Jebus e tendo-se adiantado o declinar-se do dia, disse o moço a seu senhor: Caminhai, agora, e retiremo-nos a esta cidade dos jebuseus e passemos ali a noite.
12.Porém o seu senhor lhe disse: Não nos retiraremos a nenhuma cidade estranha, que não seja dos filhos de Israel, mas passemos até Gibeá.
13.Disse mais a seu moço: Caminha, e cheguemos a um daqueles lugares e pernoitemos em Gibeá ou em Ramá.
14.Passaram, pois, adiante e caminharam, e o sol se lhes pôs junto a Gibeá, que pertence a Benjamim.
15.Retiraram-se para Gibeá, a fim de, nela, passarem a noite; entrando ele, assentou-se na praça da cidade, porque não houve quem os recolhesse em casa para ali pernoitarem.
16.Eis que, ao anoitecer, vinha do seu trabalho no campo um homem velho; era este da região montanhosa de Efraim, mas morava em Gibeá; porém os habitantes do lugar eram benjamitas.
17.Erguendo o velho os olhos, viu na praça da cidade este viajante e lhe perguntou: Para onde vais e donde vens?
18.Ele lhe respondeu: Estamos viajando de Belém de Judá para os longes da região montanhosa de Efraim, donde sou; fui a Belém de Judá e, agora, estou de viagem para a Casa do SENHOR; e ninguém há que me recolha em casa,
19.ainda que há palha e pasto para os nossos jumentos, e também pão e vinho para mim, e para a tua serva, e para o moço que vem com os teus servos; de coisa nenhuma há falta.
20.Então, disse o velho: Paz seja contigo; tudo quanto te vier a faltar fique a meu cargo; tão-somente não passes a noite na praça.
21.Levou-o para casa e deu pasto aos jumentos; e, tendo eles lavado os pés, comeram e beberam.
22.Enquanto eles se alegravam, eis que os homens daquela cidade, filhos de Belial, cercaram a casa, batendo à porta; e falaram ao velho, senhor da casa, dizendo: Traze para fora o homem que entrou em tua casa, para que abusemos dele.
23.O senhor da casa saiu a ter com eles e lhes disse: Não, irmãos meus, não façais semelhante mal; já que o homem está em minha casa, não façais tal loucura.
24.Minha filha virgem e a concubina dele trarei para fora; humilhai-as e fazei delas o que melhor vos agrade; porém a este homem não façais semelhante loucura.
25.Porém aqueles homens não o quiseram ouvir; então, ele pegou da concubina do levita e entregou a eles fora, e eles a forçaram e abusaram dela toda a noite até pela manhã; e, subindo a alva, a deixaram.
26.Ao romper da manhã, vindo a mulher, caiu à porta da casa do homem, onde estava o seu senhor, e ali ficou até que se fez dia claro.
27.Levantando-se pela manhã o seu senhor, abriu as portas da casa e, saindo a seguir o seu caminho, eis que a mulher, sua concubina, jazia à porta da casa, com as mãos sobre o limiar.
28.Ele lhe disse: Levanta-te, e vamos; porém ela não respondeu; então, o homem a pôs sobre o jumento, dispôs-se e foi para sua casa.
29.Chegando a casa, tomou de um cutelo e, pegando a concubina, a despedaçou por seus ossos em doze partes; e as enviou por todos os limites de Israel.
30.Cada um que a isso presenciava aos outros dizia: Nunca tal se fez, nem se viu desde o dia em que os filhos de Israel subiram da terra do Egito até ao dia de hoje; ponderai nisso, considerai e falai.
Os israelitas vingam o ultraje feito ao levita
1.Saíram todos os filhos de Israel, e a congregação se ajuntou perante o SENHOR em Mispa, como se fora um só homem, desde Dã até Berseba, como também a terra de Gileade.
2.Os príncipes de todo o povo e todas as tribos de Israel se apresentaram na congregação do povo de Deus. Havia quatrocentos mil homens de pé, que puxavam da espada.
3.Ouviram os filhos de Benjamim que os filhos de Israel haviam subido a Mispa. Disseram os filhos de Israel: Contai-nos como sucedeu esta maldade.
4.Então, respondeu o homem levita, marido da mulher que fora morta, e disse: Cheguei com a minha concubina a Gibeá, cidade de Benjamim, para passar a noite;
5.os cidadãos de Gibeá se levantaram contra mim e, à noite, cercaram a casa em que eu estava; intentaram matar-me e violaram a minha concubina, de maneira que morreu.
6.Então, peguei a minha concubina, e a fiz em pedaços, e os enviei por toda a terra da herança de Israel, porquanto fizeram vergonha e loucura em Israel.
7.Eis que todos sois filhos de Israel; eia! Dai a vossa palavra e conselho neste caso.
8.Então, todo o povo se levantou como um só homem, dizendo: Nenhum de nós voltará para sua tenda, nenhum de nós se retirará para casa.
9.Porém isto é o que faremos a Gibeá: subiremos contra ela por sorte.
10.Tomaremos dez homens de cem de todas as tribos de Israel, e cem de mil, e mil de dez mil, para providenciarem mantimento para o povo, a fim de que este, vindo a Gibeá de Benjamim, faça a ela conforme toda a loucura que tem feito em Israel.
11.Assim, se ajuntaram contra esta cidade todos os homens de Israel, unidos como um só homem.
12.As tribos de Israel enviaram homens por toda a tribo de Benjamim, para lhe dizerem: Que maldade é essa que se fez entre vós?
13.Dai-nos, agora, os homens, filhos de Belial, que estão em Gibeá, para que os matemos e tiremos de Israel o mal; porém Benjamim não quis ouvir a voz de seus irmãos, os filhos de Israel.
14.Antes, os filhos de Benjamim se ajuntaram, vindos das cidades em Gibeá, para saírem a pelejar contra os filhos de Israel.
15.E contaram-se, naquele dia, os filhos de Benjamim vindos das cidades; eram vinte e seis mil homens que puxavam da espada, afora os moradores de Gibeá, de que se contavam setecentos homens escolhidos.
16.Entre todo este povo havia setecentos homens escolhidos, canhotos, os quais atiravam com a funda uma pedra num cabelo e não erravam.
17.Contaram-se dos homens de Israel, afora os de Benjamim, quatrocentos mil homens que puxavam da espada, e todos eles, homens de guerra.
18.Levantaram-se os israelitas, subiram a Betel e consultaram a Deus, dizendo: Quem dentre nós subirá, primeiro, a pelejar contra Benjamim? Respondeu o SENHOR: Judá subirá primeiro.
19.Levantaram-se, pois, os filhos de Israel pela manhã e acamparam-se contra Gibeá.
20.Saíram os homens de Israel à peleja contra Benjamim; e, junto a Gibeá, se ordenaram contra ele.
21.Então, os filhos de Benjamim saíram de Gibeá e derribaram por terra, naquele dia, vinte e dois mil homens de Israel.
22.Porém se animou o povo dos homens de Israel e tornaram a ordenar-se para a peleja, no lugar onde, no primeiro dia, o tinham feito.
23.Antes, subiram os filhos de Israel, e choraram perante o SENHOR até à tarde, e consultaram o SENHOR, dizendo: Tornaremos a pelejar contra os filhos de Benjamim, nosso irmão? Respondeu o SENHOR: Subi contra ele.
24.Chegaram-se, pois, os filhos de Israel contra os filhos de Benjamim, no dia seguinte.
25.Também os de Benjamim, no dia seguinte, saíram de Gibeá de encontro a eles e derribaram ainda por terra mais dezoito mil homens, todos dos que puxavam da espada.
26.Então, todos os filhos de Israel, todo o povo, subiram, e vieram a Betel, e choraram, e estiveram ali perante o SENHOR, e jejuaram aquele dia até à tarde; e, perante o SENHOR, ofereceram holocaustos e ofertas pacíficas.
27.E os filhos de Israel perguntaram ao SENHOR ( porquanto a arca da Aliança de Deus estava ali naqueles dias;
28.e Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, ministrava perante ela naqueles dias ), dizendo: Tornaremos a sair ainda a pelejar contra os filhos de Benjamim, nosso irmão, ou desistiremos? Respondeu o SENHOR: Subi, que amanhã eu os entregarei nas vossas mãos.
29.Então, Israel pôs emboscadas em redor de Gibeá.
30.Ao terceiro dia, subiram os filhos de Israel contra os filhos de Benjamim e se ordenaram à peleja contra Gibeá, como das outras vezes.
31.Então, os filhos de Benjamim saíram de encontro ao povo, e, deixando-se atrair para longe da cidade, começaram a ferir alguns do povo, e mataram, como das outras vezes, uns trinta dos homens de Israel, pelas estradas, das quais uma sobe para Betel, a outra, para Gibeá do Campo.
32.Então, os filhos de Benjamim disseram: Vão derrotados diante de nós como dantes. Porém os filhos de Israel disseram: Fujamos e atraiamo-los da cidade para as estradas.
33.Todos os homens de Israel se levantaram do seu lugar e se ordenaram para a peleja em Baal-Tamar; e a emboscada de Israel saiu do seu lugar, das vizinhanças de Geba.
34.Dez mil homens escolhidos de todo o Israel vieram contra Gibeá, e a peleja se tornou renhida; porém eles não imaginavam que a calamidade lhes tocaria.
35.Então, feriu o SENHOR a Benjamim diante de Israel; e mataram os filhos de Israel, naquele dia, vinte e cinco mil e cem homens de Benjamim, todos dos que puxavam da espada;
36.assim, viram os filhos de Benjamim que estavam feridos. Os homens de Israel retiraram-se perante os benjamitas, porquanto estavam confiados na emboscada que haviam posto contra Gibeá.
37.A emboscada se apressou, e acometeu a Gibeá, e de golpe feriu-a toda a fio de espada.
38.Os homens de Israel tinham um sinal determinado com a emboscada, que era fazerem levantar da cidade uma grande nuvem de fumaça.
39.Então, os homens de Israel deviam voltar à peleja. Começara Benjamim a ferir e havia já matado uns trinta entre os homens de Israel, porque diziam: Com efeito, já estão derrotados diante de nós, como na peleja anterior.
40.Então, a nuvem de fumaça começou a levantar-se da cidade, como se fora uma coluna; virando-se Benjamim a olhar para trás de si, eis que toda a cidade subia em chamas para o céu.
41.Viraram os homens de Israel, e os de Benjamim pasmaram, porque viram que a calamidade lhes tocaria.
42.E viraram diante dos homens de Israel, para o caminho do deserto; porém a peleja os apertou; e os que vinham das cidades os destruíram no meio deles.
43.Cercaram a Benjamim, seguiram-no e, onde repousava, ali o alcançavam, até diante de Gibeá, para o nascente do sol.
44.Caíram de Benjamim dezoito mil homens, todos estes homens valentes.
45.Então, viraram e fugiram para o deserto, à penha Rimom; e, na respiga, mataram ainda pelos caminhos uns cinco mil homens, e de perto os seguiram até Gidom, e feriram deles dois mil homens.
46.Todos os que de Benjamim caíram, naquele dia, foram vinte e cinco mil homens que puxavam da espada, todos eles homens valentes.
47.Porém seiscentos homens viraram e fugiram para o deserto, à penha Rimom, onde ficaram quatro meses.
48.Os homens de Israel voltaram para os filhos de Benjamim e passaram a fio de espada tudo o que restou da cidade, tanto homens como animais, em suma, tudo o que encontraram; e também a todas as cidades que acharam puseram fogo.
Esposas para os benjamitas
1.Ora, haviam jurado os homens de Israel em Mispa, dizendo: Nenhum de nós dará sua filha por mulher aos benjamitas.
2.Veio o povo a Betel, e ali ficaram até à tarde diante de Deus, e levantaram a voz, e prantearam com grande pranto.
3.Disseram: Ah! SENHOR, Deus de Israel, por que sucedeu isto em Israel, que, hoje, lhe falte uma tribo?
4.Ao dia seguinte, o povo, pela manhã, se levantou e edificou ali um altar; e apresentaram holocaustos e ofertas pacíficas.
5.Disseram os filhos de Israel: Quem de todas as tribos de Israel não subiu à assembléia do SENHOR? Porque se tinha feito um grande juramento acerca do que não viesse ao SENHOR a Mispa, que dizia: Será morto.
6.Os filhos de Israel tiveram compaixão de seu irmão Benjamim e disseram: Foi, hoje, eliminada uma tribo de Israel.
7.Como obteremos mulheres para os restantes deles, pois juramos, pelo SENHOR, que das nossas filhas não lhes daríamos por mulheres?
8.E disseram: Há alguma das tribos de Israel que não tenha subido ao SENHOR a Mispa? E eis que ninguém de Jabes-Gileade viera ao acampamento, à assembléia.
9.Quando se contou o povo, eis que nenhum dos moradores de Jabes-Gileade se achou ali.
10.Por isso, a congregação enviou lá doze mil homens dos mais valentes e lhes ordenou, dizendo: Ide e, a fio de espada, feri os moradores de Jabes-Gileade, e as mulheres, e as crianças.
11.Isto é o que haveis de fazer: a todo homem e a toda mulher que se houver deitado com homem destruireis.
12.Acharam entre os moradores de Jabes-Gileade quatrocentas moças virgens, que não se deitaram com homem; e as trouxeram ao acampamento, a Siló, que está na terra de Canaã.
13.Toda a congregação, pois, enviou mensageiros aos filhos de Benjamim que estavam na penha Rimom, e lhes proclamaram a paz.
14.Nesse mesmo tempo, voltaram os benjamitas; e se lhes deram por mulheres as que foram conservadas com vida, das de Jabes-Gileade; porém estas ainda não lhes bastaram.
15.Então, o povo teve compaixão de Benjamim, porquanto o SENHOR tinha feito brecha nas tribos de Israel.
16.Disseram os anciãos da congregação: Como obteremos mulheres para os restantes ainda, pois foram exterminadas as mulheres dos benjamitas?
17.Disseram mais: A herança dos que ficaram de resto não na deve perder Benjamim, visto que nenhuma tribo de Israel deve ser destruída.
18.Porém nós não lhes poderemos dar mulheres de nossas filhas, porque os filhos de Israel juraram, dizendo: Maldito o que der mulher aos benjamitas.
19.Então, disseram: Eis que, de ano em ano, há solenidade do SENHOR em Siló, que se celebra para o norte de Betel, do lado do nascente do sol, pelo caminho alto que sobe de Betel a Siquém e para o sul de Lebona.
20.Ordenaram aos filhos de Benjamim, dizendo: Ide, e emboscai-vos nas vinhas,
21.e olhai; e eis aí, saindo as filhas de Siló a dançar em rodas, saí vós das vinhas, e arrebatai, dentre elas, cada um sua mulher, e ide-vos à terra de Benjamim.
22.Quando seus pais ou seus irmãos vierem queixar-se a nós, nós lhes diremos: por amor de nós, tende compaixão deles, pois, na guerra contra Jabes-Gileade, não obtivemos mulheres para cada um deles; e também não lhes destes, pois neste caso ficaríeis culpados.
23.Assim fizeram os filhos de Benjamim e levaram mulheres conforme o número deles, das que arrebataram das rodas que dançavam; e foram-se, voltaram à sua herança, reedificaram as cidades e habitaram nelas.
24.Então, os filhos de Israel também partiram dali, cada um para a sua tribo, para a sua família e para a sua herança.
25.Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto.
Noemi e Rute
1.Nos dias em que julgavam os juízes, houve fome na terra; e um homem de Belém de Judá saiu a habitar na terra de Moabe, com sua mulher e seus dois filhos.
2.Este homem se chamava Elimeleque, e sua mulher, Noemi; os filhos se chamavam Malom e Quiliom, efrateus, de Belém de Judá; vieram à terra de Moabe e ficaram ali.
3.Morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com seus dois filhos,
4.os quais casaram com mulheres moabitas; era o nome de uma Orfa, e o nome da outra, Rute; e ficaram ali quase dez anos.
5.Morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando, assim, a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido.
6.Então, se dispôs ela com as suas noras e voltou da terra de Moabe, porquanto, nesta, ouviu que o SENHOR se lembrara do seu povo, dando-lhe pão.
7.Saiu, pois, ela com suas duas noras do lugar onde estivera; e, indo elas caminhando, de volta para a terra de Judá,
8.disse-lhes Noemi: Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o SENHOR use convosco de benevolência, como vós usastes com os que morreram e comigo.
9.O SENHOR vos dê que sejais felizes, cada uma em casa de seu marido. E beijou-as. Elas, porém, choraram em alta voz
10.e lhe disseram: Não! Iremos contigo ao teu povo.
11.Porém Noemi disse: Voltai, minhas filhas! Por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no ventre filhos, para que vos sejam por maridos?
12.Tornai, filhas minhas! Ide-vos embora, porque sou velha demais para ter marido. Ainda quando eu dissesse: tenho esperança ou ainda que esta noite tivesse marido e houvesse filhos,
13.esperá-los-íeis até que viessem a ser grandes? Abster-vos-íeis de tomardes marido? Não, filhas minhas! Porque, por vossa causa, a mim me amarga o ter o SENHOR descarregado contra mim a sua mão.
14.Então, de novo, choraram em voz alta; Orfa, com um beijo, se despediu de sua sogra, porém Rute se apegou a ela.
15.Disse Noemi: Eis que tua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses; também tu, volta após a tua cunhada.
16.Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.
17.Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o SENHOR o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.
18.Vendo, pois, Noemi que de todo estava resolvida a acompanhá-la, deixou de insistir com ela.
19.Então, ambas se foram, até que chegaram a Belém; sucedeu que, ao chegarem ali, toda a cidade se comoveu por causa delas, e as mulheres diziam: Não é esta Noemi?
20.Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso.
21.Ditosa eu parti, porém o SENHOR me fez voltar pobre; por que, pois, me chamareis Noemi, visto que o SENHOR se manifestou contra mim e o Todo-Poderoso me tem afligido?
22.Assim, voltou Noemi da terra de Moabe, com Rute, sua nora, a moabita; e chegaram a Belém no princípio da sega da cevada.
Rute vai rebuscar espigas
1.Tinha Noemi um parente de seu marido, senhor de muitos bens, da família de Elimeleque, o qual se chamava Boaz.
2.Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele que mo favorecer. Ela lhe disse: Vai, minha filha!
3.Ela se foi, chegou ao campo e apanhava após os segadores; por casualidade entrou na parte que pertencia a Boaz, o qual era da família de Elimeleque.
4.Eis que Boaz veio de Belém e disse aos segadores: O SENHOR seja convosco! Responderam-lhe eles: O SENHOR te abençoe!
5.Depois, perguntou Boaz ao servo encarregado dos segadores: De quem é esta moça?
6.Respondeu-lhe o servo: Esta é a moça moabita que veio com Noemi da terra de Moabe.
7.Disse-me ela: Deixa-me rebuscar espigas e ajuntá-las entre as gavelas após os segadores. Assim, ela veio; desde pela manhã até agora está aqui, menos um pouco que esteve na choça.
Boaz fala a Rute benignamente
8.Então, disse Boaz a Rute: Ouve, filha minha, não vás colher em outro campo, nem tampouco passes daqui; porém aqui ficarás com as minhas servas.
9.Estarás atenta ao campo que segarem e irás após elas. Não dei ordem aos servos, que te não toquem? Quando tiveres sede, vai às vasilhas e bebe do que os servos tiraram.
10.Então, ela, inclinando-se, rosto em terra, lhe disse: Como é que me favoreces e fazes caso de mim, sendo eu estrangeira?
11.Respondeu Boaz e lhe disse: Bem me contaram tudo quanto fizeste a tua sogra, depois da morte de teu marido, e como deixaste a teu pai, e a tua mãe, e a terra onde nasceste e vieste para um povo que dantes não conhecias.
12.O SENHOR retribua o teu feito, e seja cumprida a tua recompensa do SENHOR, Deus de Israel, sob cujas asas vieste buscar refúgio.
13.Disse ela: Tu me favoreces muito, senhor meu, pois me consolaste e falaste ao coração de tua serva, não sendo eu nem ainda como uma das tuas servas.
14.À hora de comer, Boaz lhe disse: Achega-te para aqui, e come do pão, e molha no vinho o teu bocado. Ela se assentou ao lado dos segadores, e ele lhe deu grãos tostados de cereais; ela comeu e se fartou, e ainda lhe sobejou.
15.Levantando-se ela para rebuscar, Boaz deu ordem aos seus servos, dizendo: Até entre as gavelas deixai-a colher e não a censureis.
16.Tirai também dos molhos algumas espigas, e deixai-as, para que as apanhe, e não a repreendais.
17.Esteve ela apanhando naquele campo até à tarde; debulhou o que apanhara, e foi quase um efa de cevada.
18.Tomou-o e veio à cidade; e viu sua sogra o que havia apanhado; também o que lhe sobejara depois de fartar-se tirou e deu a sua sogra.
19.Então, lhe disse a sogra: Onde colheste hoje? Onde trabalhaste? Bendito seja aquele que te acolheu favoravelmente! E Rute contou a sua sogra onde havia trabalhado e disse: O nome do senhor, em cujo campo trabalhei, é Boaz.
20.Então, Noemi disse a sua nora: Bendito seja ele do SENHOR, que ainda não tem deixado a sua benevolência nem para com os vivos nem para com os mortos. Disse-lhe mais Noemi: Esse homem é nosso parente chegado e um dentre os nossos resgatadores.
21.Continuou Rute, a moabita: Também ainda me disse: Com os meus servos ficarás, até que acabem toda a sega que tenho.
22.Disse Noemi a sua nora, Rute: Bom será, filha minha, que saias com as servas dele, para que, noutro campo, não te molestem.
23.Assim, passou ela à companhia das servas de Boaz, para colher, até que a sega da cevada e do trigo se acabou; e ficou com a sua sogra.
Rute e Boaz na eira
1.Disse-lhe Noemi, sua sogra: Minha filha, não hei de eu buscar-te um lar, para que sejas feliz?
2.Ora, pois, não é Boaz, na companhia de cujas servas estiveste, um dos nossos parentes? Eis que esta noite alimpará a cevada na eira.
3.Banha-te, e unge-te, e põe os teus melhores vestidos, e desce à eira; porém não te dês a conhecer ao homem, até que tenha acabado de comer e beber.
4.Quando ele repousar, notarás o lugar em que se deita; então, chegarás, e lhe descobrirás os pés, e te deitarás; ele te dirá o que deves fazer.
5.Respondeu-lhe Rute: Tudo quanto me disseres farei.
Boaz promete a Rute casar com ela
6.Então, foi para a eira e fez conforme tudo quanto sua sogra lhe havia ordenado.
7.Havendo, pois, Boaz comido e bebido e estando já de coração um tanto alegre, veio deitar-se ao pé de um monte de cereais; então, chegou ela de mansinho, e lhe descobriu os pés, e se deitou.
8.Sucedeu que, pela meia-noite, assustando-se o homem, sentou-se; e eis que uma mulher estava deitada a seus pés.
9.Disse ele: Quem és tu? Ela respondeu: Sou Rute, tua serva; estende a tua capa sobre a tua serva, porque tu és resgatador.
10.Disse ele: Bendita sejas tu do SENHOR, minha filha; melhor fizeste a tua última benevolência que a primeira, pois não foste após jovens, quer pobres, quer ricos.
11.Agora, pois, minha filha, não tenhas receio; tudo quanto disseste eu te farei, pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa.
12.Ora, é muito verdade que eu sou resgatador; mas ainda outro resgatador há mais chegado do que eu.
13.Fica-te aqui esta noite, e será que, pela manhã, se ele te quiser resgatar, bem está, que te resgate; porém, se não lhe apraz resgatar-te, eu o farei, tão certo como vive o SENHOR; deita-te aqui até à manhã.
14.Ficou-se, pois, deitada a seus pés até pela manhã e levantou-se antes que pudessem conhecer um ao outro; porque ele disse: Não se saiba que veio mulher à eira.
15.Disse mais: Dá-me o manto que tens sobre ti e segura-o. Ela o segurou, ele o encheu com seis medidas de cevada e lho pôs às costas; então, entrou ela na cidade.
16.Em chegando à casa de sua sogra, esta lhe disse: Como se te passaram as coisas, filha minha? Ela lhe contou tudo quanto aquele homem lhe fizera.
17.E disse ainda: Estas seis medidas de cevada, ele mas deu e me disse: Não voltes para a tua sogra sem nada.
18.Então, lhe disse Noemi: Espera, minha filha, até que saibas em que darão as coisas, porque aquele homem não descansará, enquanto não se resolver este caso ainda hoje.
Boaz casa com Rute
1.Boaz subiu à porta da cidade e assentou-se ali. Eis que o resgatador de que Boaz havia falado ia passando; então, lhe disse: Ó fulano, chega-te para aqui e assenta-te; ele se virou e se assentou.
2.Então, Boaz tomou dez homens dos anciãos da cidade e disse: Assentai-vos aqui. E assentaram-se.
3.Disse ao resgatador: Aquela parte da terra que foi de Elimeleque, nosso irmão, Noemi, que tornou da terra dos moabitas, a tem para venda.
4.Resolvi, pois, informar-te disso e dizer-te: compra-a na presença destes que estão sentados aqui e na de meu povo; se queres resgatá-la, resgata-a; se não, declara-mo para que eu o saiba, pois outro não há senão tu que a resgate, e eu, depois de ti. Respondeu ele: Eu a resgatarei.
5.Disse, porém, Boaz: No dia em que tomares a terra da mão de Noemi, também a tomarás da mão de Rute, a moabita, já viúva, para suscitar o nome do esposo falecido, sobre a herança dele.
6.Então, disse o resgatador: Para mim não a poderei resgatar, para que não prejudique a minha; redime tu o que me cumpria resgatar, porque eu não poderei fazê-lo.
7.Este era, outrora, o costume em Israel, quanto a resgates e permutas: o que queria confirmar qualquer negócio tirava o calçado e o dava ao seu parceiro; assim se confirmava negócio em Israel.
8.Disse, pois, o resgatador a Boaz: Compra-a tu. E tirou o calçado.
9.Então, Boaz disse aos anciãos e a todo o povo: Sois, hoje, testemunhas de que comprei da mão de Noemi tudo o que pertencia a Elimeleque, a Quiliom e a Malom;
10.e também tomo por mulher Rute, a moabita, que foi esposa de Malom, para suscitar o nome deste sobre a sua herança, para que este nome não seja exterminado dentre seus irmãos e da porta da sua cidade; disto sois, hoje, testemunhas.
11.Todo o povo que estava na porta e os anciãos disseram: Somos testemunhas; o SENHOR faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Lia, que ambas edificaram a casa de Israel; e tu, Boaz, há-te valorosamente em Efrata e faze-te nome afamado em Belém.
12.Seja a tua casa como a casa de Perez, que Tamar teve de Judá, pela prole que o SENHOR te der desta jovem.
Rute dá à luz Obede
13.Assim, tomou Boaz a Rute, e ela passou a ser sua mulher; coabitou com ela, e o SENHOR lhe concedeu que concebesse, e teve um filho.
14.Então, as mulheres disseram a Noemi: Seja o SENHOR bendito, que não deixou, hoje, de te dar um neto que será teu resgatador, e seja afamado em Israel o nome deste.
15.Ele será restaurador da tua vida e consolador da tua velhice, pois tua nora, que te ama, o deu à luz, e ela te é melhor do que sete filhos.
16.Noemi tomou o menino, e o pôs no regaço, e entrou a cuidar dele.
17.As vizinhas lhe deram nome, dizendo: A Noemi nasceu um filho. E lhe chamaram Obede. Este é o pai de Jessé, pai de Davi.
18.São estas, pois, as gerações de Perez: Perez gerou a Esrom,
19.Esrom gerou a Rão, Rão gerou a Aminadabe,
20.Aminadabe gerou a Naassom, Naassom gerou a Salmom,
21.Salmom gerou a Boaz, Boaz gerou a Obede,
22.Obede gerou a Jessé, e Jessé gerou a Davi.
Elcana e suas mulheres
1.Houve um homem de Ramataim-Zofim, da região montanhosa de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efraimita.
2.Tinha ele duas mulheres: uma se chamava Ana, e a outra, Penina; Penina tinha filhos; Ana, porém, não os tinha.
3.Este homem subia da sua cidade de ano em ano a adorar e a sacrificar ao SENHOR dos Exércitos, em Siló. Estavam ali os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, como sacerdotes do SENHOR.
4.No dia em que Elcana oferecia o seu sacrifício, dava ele porções deste a Penina, sua mulher, e a todos os seus filhos e filhas.
5.A Ana, porém, dava porção dupla, porque ele a amava, ainda mesmo que o SENHOR a houvesse deixado estéril.
6.( A sua rival a provocava excessivamente para a irritar, porquanto o SENHOR lhe havia cerrado a madre. )
7.E assim o fazia ele de ano em ano; e, todas as vezes que Ana subia à Casa do SENHOR, a outra a irritava; pelo que chorava e não comia.
8.Então, Elcana, seu marido, lhe disse: Ana, por que choras? E por que não comes? E por que estás de coração triste? Não te sou eu melhor do que dez filhos?
A oração e o voto de Ana
9.Após terem comido e bebido em Siló, estando Eli, o sacerdote, assentado numa cadeira, junto a um pilar do templo do SENHOR,
10.levantou-se Ana, e, com amargura de alma, orou ao SENHOR, e chorou abundantemente.
11.E fez um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha.
12.Demorando-se ela no orar perante o SENHOR, passou Eli a observar-lhe o movimento dos lábios,
13.porquanto Ana só no coração falava; seus lábios se moviam, porém não se lhe ouvia voz nenhuma; por isso, Eli a teve por embriagada
14.e lhe disse: Até quando estarás tu embriagada? Aparta de ti esse vinho!
15.Porém Ana respondeu: Não, senhor meu! Eu sou mulher atribulada de espírito; não bebi nem vinho nem bebida forte; porém venho derramando a minha alma perante o SENHOR.
16.Não tenhas, pois, a tua serva por filha de Belial; porque pelo excesso da minha ansiedade e da minha aflição é que tenho falado até agora.
17.Então, lhe respondeu Eli: Vai-te em paz, e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste.
18.E disse ela: Ache a tua serva mercê diante de ti. Assim, a mulher se foi seu caminho e comeu, e o seu semblante já não era triste.
Nasce Samuel e é consagrado a Deus
19.Levantaram-se de madrugada, e adoraram perante o SENHOR, e voltaram, e chegaram a sua casa, a Ramá. Elcana coabitou com Ana, sua mulher, e, lembrando-se dela o SENHOR,
20.ela concebeu e, passado o devido tempo, teve um filho, a que chamou Samuel, pois dizia: Do SENHOR o pedi.
21.Subiu Elcana, seu marido, com toda a sua casa, a oferecer ao SENHOR o sacrifício anual e a cumprir o seu voto.
22.Ana, porém, não subiu e disse a seu marido: Quando for o menino desmamado, levá-lo-ei para ser apresentado perante o SENHOR e para lá ficar para sempre.
23.Respondeu-lhe Elcana, seu marido: Faze o que melhor te agrade; fica até que o desmames; tão-somente confirme o SENHOR a sua palavra. Assim, ficou a mulher e criou o filho ao peito, até que o desmamou.
24.Havendo-o desmamado, levou-o consigo, com um novilho de três anos, um efa de farinha e um odre de vinho, e o apresentou à Casa do SENHOR, a Siló. Era o menino ainda muito criança.
25.Imolaram o novilho e trouxeram o menino a Eli.
26.E disse ela: Ah! Meu senhor, tão certo como vives, eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, orando ao SENHOR.
27.Por este menino orava eu; e o SENHOR me concedeu a petição que eu lhe fizera.
28.Pelo que também o trago como devolvido ao SENHOR, por todos os dias que viver; pois do SENHOR o pedi. E eles adoraram ali o SENHOR.
O cântico de Ana
1.Então, orou Ana e disse: O meu coração se regozija no SENHOR, a minha força está exaltada no SENHOR; a minha boca se ri dos meus inimigos, porquanto me alegro na tua salvação.
2.Não há santo como o SENHOR; porque não há outro além de ti; e Rocha não há, nenhuma, como o nosso Deus.
3.Não multipliqueis palavras de orgulho, nem saiam coisas arrogantes da vossa boca; porque o SENHOR é o Deus da sabedoria e pesa todos os feitos na balança.
4.O arco dos fortes é quebrado, porém os débeis, cingidos de força.
5.Os que antes eram fartos hoje se alugam por pão, mas os que andavam famintos não sofrem mais fome; até a estéril tem sete filhos, e a que tinha muitos filhos perde o vigor.
6.O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir.
7.O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e também exalta.
8.Levanta o pobre do pó e, desde o monturo, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do SENHOR são as colunas da terra, e assentou sobre elas o mundo.
9.Ele guarda os pés dos seus santos, porém os perversos emudecem nas trevas da morte; porque o homem não prevalece pela força.
10.Os que contendem com o SENHOR são quebrantados; dos céus troveja contra eles. O SENHOR julga as extremidades da terra, dá força ao seu rei e exalta o poder do seu ungido.
11.Então, Elcana foi-se a Ramá, a sua casa; porém o menino ficou servindo ao SENHOR, perante o sacerdote Eli.
Os crimes dos filhos de Eli
12.Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não se importavam com o SENHOR;
13.pois o costume daqueles sacerdotes com o povo era que, oferecendo alguém sacrifício, vinha o moço do sacerdote, estando-se cozendo a carne, com um garfo de três dentes na mão;
14.e metia-o na caldeira, ou na panela, ou no tacho, ou na marmita, e tudo quanto o garfo tirava o sacerdote tomava para si; assim se fazia a todo o Israel que ia ali, a Siló.
15.Também, antes de se queimar a gordura, vinha o moço do sacerdote e dizia ao homem que sacrificava: Dá essa carne para assar ao sacerdote; porque não aceitará de ti carne cozida, senão crua.
16.Se o ofertante lhe respondia: Queime-se primeiro a gordura, e, depois, tomarás quanto quiseres, então, ele lhe dizia: Não, porém hás de ma dar agora; se não, tomá-la-ei à força.
17.Era, pois, mui grande o pecado destes moços perante o SENHOR, porquanto eles desprezavam a oferta do SENHOR.
A mocidade de Samuel
18.Samuel ministrava perante o SENHOR, sendo ainda menino, vestido de uma estola sacerdotal de linho.
19.Sua mãe lhe fazia uma túnica pequena e, de ano em ano, lha trazia quando, com seu marido, subia a oferecer o sacrifício anual.
20.Eli abençoava a Elcana e a sua mulher e dizia: O SENHOR te dê filhos desta mulher, em lugar do filho que devolveu ao SENHOR. E voltavam para a sua casa.
21.Abençoou, pois, o SENHOR a Ana, e ela concebeu e teve três filhos e duas filhas; e o jovem Samuel crescia diante do SENHOR.
Eli repreende os seus filhos
22.Era, porém, Eli já muito velho e ouvia tudo quanto seus filhos faziam a todo o Israel e de como se deitavam com as mulheres que serviam à porta da tenda da congregação.
23.E disse-lhes: Por que fazeis tais coisas? Pois de todo este povo ouço constantemente falar do vosso mau procedimento.
24.Não, filhos meus, porque não é boa fama esta que ouço; estais fazendo transgredir o povo do SENHOR.
25.Pecando o homem contra o próximo, Deus lhe será o árbitro; pecando, porém, contra o SENHOR, quem intercederá por ele? Entretanto, não ouviram a voz de seu pai, porque o SENHOR os queria matar.
26.Mas o jovem Samuel crescia em estatura e no favor do SENHOR e dos homens.
Profecia contra a casa de Eli
27.Veio um homem de Deus a Eli e lhe disse: Assim diz o SENHOR: Não me manifestei, na verdade, à casa de teu pai, estando os israelitas ainda no Egito, na casa de Faraó?
28.Eu o escolhi dentre todas as tribos de Israel para ser o meu sacerdote, para subir ao meu altar, para queimar o incenso e para trazer a estola sacerdotal perante mim; e dei à casa de teu pai todas as ofertas queimadas dos filhos de Israel.
29.Por que pisais aos pés os meus sacrifícios e as minhas ofertas de manjares, que ordenei se me fizessem na minha morada? E, tu, por que honras a teus filhos mais do que a mim, para tu e eles vos engordardes das melhores de todas as ofertas do meu povo de Israel?
30.Portanto, diz o SENHOR, Deus de Israel: Na verdade, dissera eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim perpetuamente; porém, agora, diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram, honrarei, porém os que me desprezam serão desmerecidos.
31.Eis que vêm dias em que cortarei o teu braço e o braço da casa de teu pai, para que não haja mais velho nenhum em tua casa.
32.E verás o aperto da morada de Deus, a um tempo com o bem que fará a Israel; e jamais haverá velho em tua casa.
33.O homem, porém, da tua linhagem a quem eu não afastar do meu altar será para te consumir os olhos e para te entristecer a alma; e todos os descendentes da tua casa morrerão na flor da idade.
34.Ser-te-á por sinal o que sobrevirá a teus dois filhos, a Hofni e Finéias: ambos morrerão no mesmo dia.
35.Então, suscitarei para mim um sacerdote fiel, que procederá segundo o que tenho no coração e na mente; edificar-lhe-ei uma casa estável, e andará ele diante do meu ungido para sempre.
36.Será que todo aquele que restar da tua casa virá a inclinar-se diante dele, para obter uma moeda de prata e um bocado de pão, e dirá: Rogo-te que me admitas a algum dos cargos sacerdotais, para ter um pedaço de pão, que coma.
Almeida Revista e Atualizada, ARA © Copyright 1993
Sociedade Bíblica do Brasil.
Todos os direitos reservados.
Saiba mais sobre a Sociedade Bíblica do Brasil em sbb.org.br.
A Sociedade Bíblica do Brasil trabalha para que a Bíblia esteja, efetivamente, ao alcance de todos e seja lida por todos.
A SBB é uma entidade sem fins lucrativos, dedicada a promover o desenvolvimento integral do ser humano.
Você também pode ajudar a causa da Bíblia!